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- Entre ansiolíticos, cosméticos e soluções rápidas
Imagem de dilvugação - Poções estéticas e alimentares: da farmacologia ao discurso da beleza Entre ansiolíticos, cosméticos e soluções rápidas: até que ponto sentimentos, corpos e identidades estão sendo transformados em algo que precisa ser corrigido?” Tendo como inspiração o universo de Harry Potter, uma análise das poções mágicas mostra que aquilo que aparenta ser fictício também fala sobre nós, sobre padrões, controle e maneiras de buscar constantemente artifícios de “ajuste” para o corpo e para a mente. Talvez a diferença entre os mundos mágico e não mágico não esteja na presença/ausência das poções, mas sim na forma como as nomeamos e na importância que damos às mesmas…
- Bate-papo: vida e arte em diálogo: construções da "diferença" em enunciados fantásticos
Oi, pessoal. Temos vídeo novo no canal do GED. Trata-se do bate-papo entre a professora Ana e a professora Alline Rufo sobre a construção da diferença em Tolkien e J. K. Rowling. https://www.youtube.com/watch?v=J-BOVSZANUU Comentem e compartilhem ;)
- Repercussões da direita sobre a lei de misoginia: quais ideologias estão em embate?
Carolina Gomes Sant’ana O Brasil vive uma epidemia de feminicídios. Somente em 2025, foram registrados 1.568 (Souza, 2026) casos, o maior número da última década. Quatro mulheres são mortas todos os dias, apenas por serem mulheres. A situação alarmante é produto do aumento de comunidades na internet, chamadas “red pill”, que são construídas a partir da disseminação de ideologias machistas de ódio à mulher, e de incentivo à violência física, verbal, sexual e psicológica contra a mulher e sua subjugação. O movimento, de extrema direita, vem crescendo na internet, junto com o movimento incel, ambos defendem a superioridade biológica do “macho-alfa”, e a inferioridade biológica da “fêmea-beta”, que existe para cumprir seu suposto papel de servitude silenciosa ao homem e à família. Esses grupos constroem essas valorações como se fossem fatores naturais e inatos, porém, não são embasados por dados científicos, muito pelo contrário, são construções socialmente construídas por um grupo organizado de pessoas. Todavia, o movimento red pill é produto de centenas de anos de um patriarcado hegemônico, estrutural e sistemático, que visava colocar a mulher em posição de inferioridade, para que, consequentemente, o homem seja superior, para que ele tenha a mulher cumprindo todas as funções de cuidado do marido, dos filhos e do lar, sem nenhuma forma de remuneração. Na busca de tentar diminuir a circulação dos discursos de ódio e incitação à violência do movimento red pill na internet, e tentar fazer com que menos pessoas sejam “convertidas” para essa prática que leva à discriminação e à violência contra a mulher, o Senado brasileiro aprovou, em 24 de fevereiro de 2026, a PL896/ 2023, que inclui a misoginia entre crimes de preconceito, como o racismo. De acordo com o site do Senado (2026): O texto aprovado define a misoginia como “a conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres”. O projeto também inclui a expressão "condição de mulher" entre os critérios de interpretação da Lei do Racismo (Lei 7.716, de 1989), ao lado de cor, etnia, religião e procedência. A legislação atual equipara a misoginia à injúria e à difamação – com pena que pode ir de dois meses a um ano de reclusão, de acordo com o Código Penal (arts. 139 a 141).[...] A relatora apontou que países como França, Argentina e Reino Unido já têm leis de combate à misoginia. [...] — O projeto é para proteger a família e a dignidade e a liberdade das mulheres. A aprovação do projeto responde a uma realidade urgente. O ódio às mulheres não é abstrato: é estruturado, é crescente e ceifa vidas todos os dias — afirmou Soraya. Essa aprovação é uma conquista na luta por uma sociedade mais justa e igualitária, mesmo sendo ainda um pequeno passo de uma batalha maior. Isso porque apenas alterar o sistema, sem combater a propagação desses valores patriarcais na sociedade não é suficiente, já que são membros dessa sociedade que aplicam essas leis. Simultaneamente, homens e membros da extrema direita contestam a lei, julgam-a como absurda e moralmente errada e desequilibrada, como é o caso do Deputado Federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que postou em suas redes sociais “Falar mal de uma mulher será mais grave do que ela tomar um tapa na cara. A Câmara tem o dever de derrubar essa loucura” e “Inacreditável é a palavra… Amanhã começa o trabalho para derrubar essa aberração que foi aprovada hoje no Senado”, nos dias 26 de março e 24 de março respectivamente (Poder 360, 2026). De acordo com Bakhtin, o sujeito ocupa lugar único na existência (Bakhtin, 2011), sendo constituído de valorações e ideologias, e cada ato seu é uma tomada de posicionamento, é assumir um posicionamento ideológico socialmente construído. Aqui vemos como Nikolas, em seus enunciados, em seus atos, atua na manutenção de uma hegemonia de desigualdade, que trata a mulher como inferior e indigna de direitos, independência ou justiça. Mas porque esse posicionamento? Saffioti (1987, p.15) afirma: “O poder está concentrado em mãos masculinas há milênios. E os homens temem perder privilégios que asseguram sua supremacia sobre as mulheres.” A construção de inferioridade da mulher, dentro do patriarcado, é condição necessária para a construção de superioridade do homem, isso porque a inferioridade e a superioridade só podem existir por sua oposição uma à outra, ou seja, para que o homem seja superior, a mulher deve ser colocada como inferior. Dessa forma, quando mulheres obtêm direitos e mais igualdade na justiça, muitos interpretam como a perda de direitos dos homens, já que, com a mulher saindo da posição de inferioridade, o homem, automaticamente, sai também da de superioridade. Essa mudança de status, todavia, não resulta em homens perdendo direitos, apenas sendo igualados pelas mulheres. Entretanto, esses sujeitos recusam-se a perder a posição de superioridade, recusam-se a perder o domínio, mesmo que violento, das mulheres. Porém, Bakhtin (2011) afirma que o sujeito não tem álibi da existência, é responsável por todas as suas ações, e tem a responsabilidade moral e ética de atuar de forma justa, em busca de uma sociedade melhor e mais igualitária. Mesmo assim, há aqueles que se recusam a lutar pelo bem coletivo, pela igualdade para todos, por não querer deixar sua posição de superioridade de lado, tendo como motivador um individualismo extremo, que descarta os sujeitos vistos como menos importantes ou menos humanos. Referências: BAKHTIN, M. Estética da Criação Verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2011. FRIOLI, Giovana.Nikolas Ferreira publicou texto que não consta no projeto de lei que criminaliza a misoginia. Estadão, 2026. Disponível em: https://www.estadao.com.br/estadao-verifica/nikolas-ferreira-trecho-projeto-de-lei-criminaliza -misoginia-enganoso/ Acesso em 29 mar. 2026. Nikolas chama projeto de lei sobre misoginia de “loucura”. Poder 360, 2026. Disponível em: https://www.poder360.com.br/poder-congresso/nikolas-chama-projeto-de-lei-sobre-misoginia -de-loucura/ Acesso em 29 mar. 2026. SAFFIOTI, H. I. B. O poder do macho. São Paulo: Moderna, 1987. Senado aprova criminalização da misoginia. Senado Federal, 2026. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/institucional/procuradoria/noticias/senado-aprova-criminalizaca o-da-misoginia Acesso em 29 mar. 2026. SOUZA, Felipe. Brasil tem maior número de feminicídios dos últimos 10 anos, diz pesquisa. CNN Brasil, 2026. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/brasil/brasil-tem-maior-numero-de-feminicidios-dos-u ltimos-10-anos-diz-pesquisa/ Acesso em 29 mar. 2026.
- Divulgação científica: o que a literatura revela sobre o “amor”
Oi, pessoal. Temos vídeo novo no canal do GED no Youtube. Trata-se de um vídeo de divulgação científica da pesquisadora Isabella Kojima. Comentem, compartilhem, curtam. Bora dialogar! Título: Divulgação científica: o que a literatura revela sobre o “amor” https://www.youtube.com/watch?v=RIjmThFdpgc
- “No one mourns the wicked”: uma breve reflexão dialógica sobre a diferença em Wicked
Ana Carolina Siani Com uma primeira parte lançada em 2024 ( Wicked – Parte I ) e a segunda em 2025 ( Wicked – Parte 2 ), o filme Wicked é uma adaptação cinematográfica do musical da Broadway de mesmo título (em cartaz desde 2003) que, por sua vez, baseia-se no livro de Gregory Maguire, Wicked: A história não contada das Bruxas de Oz (2016 [1995]). Enquanto um todo narrativo, no qual a obra de Maguire parte do universo do clássico O mágico de Oz de L. Frank Baum (2013 [1900]) e de elementos de sua adaptação cinematográfica mais famosa, O mágico de Oz de 1939; o enunciado Wicked segue a vida pregressa da Bruxa Má do Oeste e de Glinda, a Bruxa Boa, antes dos acontecimentos retratados em O mágico de Oz, de forma a nos oferecer uma outra perspectiva da história já conhecida. De modo geral, Wicked concentra-se no ponto de vista da “vilã”, esta que é referenciada no clássico apenas como a Bruxa Má do Oeste, e que nesta narrativa torna-se a protagonista, ganhando um nome, Elphaba, uma mudança que já expressa os novos sentidos construídos pelo enunciado que nasce como uma “resposta” a outro (Bakhtin, 2011). É a partir da constituição da personagem Elphaba, em seu percurso até tornar-se a Bruxa Má do Oeste, que no presente texto temos como intuito realizar uma breve reflexão acerca da materialização de relações de identidade e diferença na narrativa do filme Wicked, tendo em vista uma compreensão dialógica que toma a linguagem e o enunciado como um palco da luta entre valores sociais (Volóchinov, 2017), o que denota o caráter sígnico dos processos de construção do “diferente”. Para tanto, devido aos limites desta reflexão, nos concentraremos especialmente nos acontecimentos retratados na primeira parte da franquia fílmica. Em Wicked (2024) , Elphaba é rejeitada e marginalizada desde a infância, primeiro pelo pai e posteriormente pelos cidadãos de Oz, por ter nascido com a cor verde. Por uma interrelação entre valores sociais sustentada por determinados signos (aqui, a cor da pele), podemos compreender os mecanismos discursivos de construção da identidade e diferença a partir da contraposição entre a protagonista e seus outros. Essa contraposição é explorada pelo projeto de dizer do enunciado ao retratar a “diferença” de Elphaba, que incorre no preconceito e exclusão que sofre, ancorando-se também na sua relação inicialmente de inimizade e posteriormente de amizade com Glinda na Universidade de Shiz, enquanto sujeitos completamente opostos e localizados em diferentes lugares sociais (Glinda é a garota “popular” da universidade, apreciada pelos colegas, padrão ético e estético almejado e a ser seguido). Por uma compreensão dialógica, ancorada sobretudo no pensamento do Círculo de Bakhtin e sua filosofia da linguagem, a jornada e constituição da personagem Elphaba nos permite compreender o modo pelo qual a diferença é produzida a partir da identidade, pela/na alteridade, enquanto elementos interdependentes (uma não existe sem a outra) e fatos de sentido. De acordo com Silva (2014), identidade e diferença “[...] não são criaturas do mundo natural ou de um mundo transcendental, mas do mundo cultural e social. Somos nós que as fabricamos, no contexto de relações culturais e sociais” (p. 76). Enquanto criações socioculturais, identidade e diferença não são preexistentes aos atos de linguagem, tratam-se antes de tudo de um conjunto de valores (discursos), formas de compreensão do mundo e consciência social, veiculados e concretizados pela/na materialidade significante, isto é, “[...] expressa e fixada pelo homem na palavra, no desenho artístico e técnico ou em alguma outra forma sígnica (Volóchinov, 2019, p. 243). Conforme o pensamento do Círculo de Bakhtin, podemos dizer que um valor só pode ser estabelecido em contraposição (em uma relação de diferença) com outro valor, uma vez que nasce em um território interindividual, a partir de uma coletividade, do que decorre que um posicionamento sempre pressupõe ou leva em conta outros posicionamentos: “É impossível alguém definir sua posição sem correlacioná-la com outras posições” (Bakhtin, 2011, p. 297). A “diferença” de Elphaba é produzida a partir da relação “eu-outro”, isto é, o “diferente” é valorado como tal sempre em relação a uma dada norma, esta que é “[...] a referência, é o ponto original relativamente ao qual se define a diferença. Isto reflete a tendência a tomar aquilo que somos como sendo a norma pela qual descrevemos ou avaliamos aquilo que não somos” (Silva, 2014, p. 75-76). E sendo a linguagem e o enunciado um reflexo e refração das relações conflituosas entre sujeitos socialmente organizados (Volóchinov, 2017), a produção da identidade e diferença também compreende dinâmicas de força e poder, a partir das quais determinados sujeitos construídos como “diferentes” serão marginalizados. Em Wicked (2024), a cor de pele verde é o signo que materializa a diferenciação (não-identidade) de Elphaba em relação aos seus “outros”, elemento a partir do qual a personagem será valorada de forma negativa. Figura 1: Elphaba na infância Fonte: Sequência disponível em 00:09:45; 00:09:46; 00:09:48 no filme Wicked (2024) Figura 2: Elphaba na infância Fonte: Sequência disponível em 00:09:51; 00:09:55; 00:09:57 no filme Wicked (2024) Nas sequências em destaque (Figuras 1 e 2), temos acesso às lembranças da infância de Elphaba, na qual é retratado o preconceito que a personagem sofre por parte de outras crianças por causa da sua cor. Assim, ter a cor verde no interior dessa coletividade é uma característica que vai contra um determinado “padrão” e que por isso, é associada a determinados valores negativos (éticos e estéticos), visto como algo que não pertence àquela sociedade. Tendo em vista o projeto de dizer do enunciado fílmico, é interessante observar que as crianças enunciam em um tom negativo que Elphaba é “verde como as árvores” (Figura 2), o que nos chama atenção para plurivalência de sentidos desta cor, a qual será trabalhada pela narrativa e franquia de Wicked, em relação de oposição e complementariedade com o rosa, marca da personagem Glinda . Isso porque, conforme Heller (2013), o verde pode ser signo de valores ligados a natureza, esperança, frescor, entre outros, mas também assume, por outro lado, em algumas práticas de representação, mitos e narrativas, o sentido de “horripilante” e repulsivo (por também ser a cor de lagartos, serpentes, sapos), uma vez que pode ser tida como a cor mais “anti-humana” de todas, frequentemente mobilizada para retratar monstros, criaturas mitológicas, extraterrestres, demônios etc. A norma compreende o que está na margem, pois “[...] a definição daquilo que é considerado aceitável, desejável, natural é inteiramente dependente da definição daquilo que é considerado abjeto, rejeitável, antinatural” (Silva, 2014, p. 84), uma complementariedade valorativa que em Wicked (2024) será explorada pela inesperada amizade entre Elphaba e Glinda, tendo em vista a versão da história retratada no clássico O mágico de Oz. Ao adentrar a Universidade de Shiz, a cor de Elphaba causa estranhamento e rejeição por parte dos colegas, incluindo Glinda, com qual desenvolverá uma relação de inimizade. Glinda é caracterizada como ambiciosa, e mesmo expressando seu estranhamento e preconceito com Elphaba (a descreve como “exótica” e define sua cor como um “problema” a ser resolvido), ao interagir com ela, age com condescendência (Figura 3), valoração expressa não só pela palavra que utiliza para se referir a sua cor (“problema”), mas também pelo tom de voz e expressões faciais que emprega, o que faz com que seja exaltada por sua suposta “bondade” (ainda que no decorrer da trama, a afeição e amizade que surge entre elas se mostre verdadeira). O contraste ético e estético entre as duas protagonistas que refletem e refratam o modo pelo qual identidade e diferença são construídas via discurso corrobora com a constituição de cada uma em signos ideológicos do “bem” (Glinda, a Bruxa Boa) e do “mal” (Elphaba, a Bruxa Má do Oeste), a narrativa já conhecida da obra-fonte, a qual a franquia Wicked visa desconstruir. Figura 3: Elphaba e Glinda na Universidade de Shiz Fonte: Sequência disponível em 00:16:31; 00:16:33; 00:16:35 no filme Wicked (2024) Todo signo carrega e veicula uma ideologia, um dado conjunto de valores, assim, por meio da manipulação da opinião pública e difusão de uma dada narrativa, Elphaba transforma-se no próprio “mal”, isso porque não aceita submeter-se aos planos autoritários de governo do Mágico (dentre os quais temos o projeto de exclusão e marginalização dos animais), e passa a ser enunciada em toda a Oz como a “inimiga” que deve ser eliminada, o que culmina na sua transformação na Bruxa Má do Oeste, um percurso que compreende o olhar/enquadramento axiológico que parte do “outro”, e de forma hierárquica distribui o poder entre quem pode definir e quem é definido. A produção discursiva da norma e do diferente compreende determinados movimentos valorativos, nos quais uma dada moral e ética é atribuída aos sujeitos: “[...] incluir/excluir (‘estes pertencem, aqueles não’); demarcar fronteiras (‘nós’ e ‘eles’); classificar (‘bons e maus’; ‘puros e impuros’; ‘desenvolvidos e primitivos’; ‘racionais e irracionais’); normalizar (‘nós somos normais; eles são anormais’)” (Silva, 2014, p. 81-82). Dividir e classificar, também compreende o ato de hierarquizar e imputar comportamentos positivos e negativos tanto aos dominantes como aos subalternizados. Do mesmo modo, em Wicked (2024) , Elphaba passa a ser definida como “má”, e para tanto, sua cor é evidenciada, como no discurso proferido por Madame Morrible aos cidadãos de Oz. Figura 4: A transformação de Elphaba na Bruxa Má do Oeste Fonte: Sequência disponível em 02:29:20; 02:29:23; 02:29:30 no filme Wicked (2024) Na sequência acima (Figura 4), acompanhamos a associação entre a cor de pele de Elphaba (ressaltando-se essa sua “diferença” para “justificar” supostos atos condenáveis da personagem) e o valor de “maldade”. A recorrência a uma “natureza”, argumento presente no discurso de Morrible, visa assegurar ou sustentar determinados discursos preconceituosos e realizar a manutenção de hierarquias, o que se trata de um lugar comum neste tipo de visão de mundo. Assim, determinados tipos de intolerância sempre procedem a uma “essencialização” de características consideradas negativas imputadas às características de determinados grupos. Ainda no caso de Elphaba, esse tipo de estratégia discursiva cumpre com a manipulação promovida por Morrible e o Mágico, o que também envolve a instrumentalização de Glinda e sua imagem “irretocável” (“boa”) para a campanha de perseguição à Elphaba, quando aquele se torna a garota propaganda do governo. Em seu projeto de dizer, a jornada de Elphaba demonstra o modo pelo qual a língua/linguagem nunca são neutras: O enunciado nunca é apenas um reflexo, uma expressão de algo já existente fora dele, dado e acabado. Ele sempre cria algo que não existia antes dele, absolutamente novo e singular, e que ainda por cima tem relação com o valor (com a verdade, com a bondade, com a beleza, etc.) (Bakhtin, 2011, p. 326). A releitura operada por Wicked nos permite compreender o discurso como um reflexo e refração da realidade, isto é, como uma atividade sígnica que não só descreve o mundo, como também cria algo novo e o avalia, podendo por isso mesmo, distorcê-lo. Mais do que isso, enquanto enunciado estético que nasce do solo social e toca em questões da vida de modo singular (de seu lugar único e a partir das potencialidades da esfera artística e do gênero dentro do qual concretiza-se), a constituição de Elphaba exemplifica o modo pelo qual identidade e diferença longe de serem elementos do mundo natural e fatos essenciais aos sujeitos, são antes de tudo, construções de sentido, o que vai ao encontro do que nos diz Hall (2013): “Não é que as diferenças não existam, mas sim que o que importa são os sistemas que utilizamos para dar sentido a elas” (Hall, 2013, s/p.). Conforme a máxima que diz que toda história tem dois lados, na esteira de uma série de outros enunciados que buscam mostrar a perspectiva dos “vilões”, o enunciado fílmico Wicked comporta-se como um organismo vivo que traz em si um confronto entre vozes sociais, portanto, mostra-se como uma unidade de sentido complexa que visa desmontar uma narrativa já conhecida. Ainda no interior do próprio enunciado e na sua relação com outros, podemos compreender a existência de movimentos de forças centrípetas e centrífugas (Bakhtin, 2014), uma vez que, no que diz respeito a produção discursiva da identidade e diferença, temos um jogo entre tentativas de fixidez e outras que visam desestabilizar esses valores, o que evidencia a linguagem como espaço de resistência nos qual podemos ressignificar e desconstruir hierarquias. Tal deslocamento é operado por Wicked (2024) ao humanizar Elphaba e Glinda, descontruindo uma narrativa já cristalizada (a tão essencializada luta entre “bem” e “mal”), ao retratar estas como sujeitos ambivalentes. Assim, entender as identidades e diferenças como construções simbólicas nos permite compreender as estratégias discursivas de suas imposições, o que também nos permite pensar que a linguagem pode ser usada tanto para reafirmar estereótipos e valores nocivos, como para desconstruí-los. Finalmente é importante enfatizar que a presente reflexão não buscou esgotar as possibilidades de análise sobre os reflexos e refrações da identidade e diferença em Wicked, bem como realizar uma análise mais minuciosa e aprofundada da construção de sentido do enunciado fílmico, o que será feito em um trabalho futuro. Referências bibliográficas BAKHTIN, M. Estética da criação verbal . Tradução de Paulo Bezerra. São Paulo: Editora Martins Fontes, 6ª edição, 2011. BAKHTIN, M. Questões de literatura e de estética: a teoria do romance. Tradução de Aurora Fornoni Bernardini, José Pereira Júnior, Augusto Góes Júnior, Helena Spryndis Nazário, Homero Freitas de Andrade. São Paulo: Hucitec, 2014. BAUM, F. L. O mágico de Oz. Tradução de Sérgio Flaksman. Rio de Janeiro: Zahar, 2013. MAGUIRE, G. Wicked: A História Não Contada das Bruxas de Oz . Tradução de Tatiana Leão. São Paulo: LeYa, 2016. HALL, S. Raça, um significante vazio. In: Z Cultural . UFRJ. Revista do Programa Avançado de Cultura Contemporânea. Ano VIII, Volume 02. 2013. Disponível em: https://revistazcultural.pacc.ufrj.br/raca-o-significante-flutuante%EF%80%AA/ (Acesso em 16 de março de 2026). HELLER, E. A psicologia das cores: como as cores afetam a emoção e a razão. São Paulo: Gustavo Gili, 2013. SILVA, T. T. da. A produção social da identidade e da diferença. In: SILVA, T. T. da. (Org.). HALL, S. WOODWARD, K. Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis: Vozes, 15ª edição, 2014, p. 73-102. VOLÓCHINOV, V. Marxismo e filosofia da linguagem. Tradução de Sheila Camargo Grillo e Ekaterina Vólkova Américo. Rio de Janeiro: 34, 2017. VOLÓCHINOV, V. A palavra na vida e a palavra na poesia: Ensaios, artigos, resenhas e poemas . Organização, tradução, ensaio introdutório e notas de Sheila Grilo e Ekaterina Vólkova Américo. São Paulo: Editora 34, 2019. WICKED . Direção: Jon M. Chu. Produção: Marc Platt, David Stone. Roteiro: Winnie Holzman, Dana Fox. Música: Stephen Schwartz. Distribuição: Universal Pictures, 2024, 160 min. 1 “Ninguém chora pelos maus” (Tradução nossa). Trecho da canção No one mourns the wicked, que abre o filme Wicked (2024), na qual as personagens comemoram a morte de Elphaba, a Bruxa Má do Oeste. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=HgwOx31qsK4 (Acesso em 16 de março de 2026).
- Colóquio Internacional "Circulações em Português: Corpos, Culturas e Textualidades"
Imagem de divulgação - Circulações em Português: Corpos, Culturas e Textualidades" Este colóquio propõe-se como um espaço de encontro entre diversas abordagens críticas e disciplinas, reunindo reflexões que exploram as múltiplas formas de mobilidade cultural, textual e simbólica no âmbito da língua portuguesa. Convidamos à construção de um pensamento partilhado sobre as circulações como experiência histórica, condição estética e desafio interpretativo — reconhecendo o português como território de trânsito, de invenção e de múltiplas pertenças. Propõem-se, entre outras, as seguintes linhas de reflexão: Poéticas do deslocamento: narrativas de trânsito, travessia e experiências de viagem; Culturas em circulação: persistência de formas e ecologias da diferença; Migração, exílio e cosmopolitismo: geografias móveis da literatura em português; Tradução, adaptação, reescrita: textualidades em trânsito interlinguístico e interartístico; Intermedialidade e ecossistemas expressivos: da literatura impressa à imagem, ao som e à hipermédia; Políticas da circulação: infraestruturas, mediação, recepção e mercados literários; Trânsitos Atlânticos: Perspetivas Transnacionais para Além do Mundo de Língua Portuguesa O colóquio "Circulações em Português: Corpos, Culturas e Textualidades" será um evento presencial, a ter lugar na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, de 03 a 05 de junho de 2026. Os interessados deverão enviar uma proposta de comunicação para o endereço de e-mail: lucafazzini@edu.ulisboa.pt (indicar no assunto do e-mail: Comunicação Colóquio Circulações), contendo: nome completo, endereço de e-mail, título da comunicação, resumo (máx. 200 palavras) e nota biográfica (máx. 100 palavras). As línguas oficiais do colóquio são o português e o inglês, mas são bem vindas também propostas em outras línguas. Prazos: Envio das propostas: até 06 de março de 2026C Comunicação de aceitação: até 27 de março de 2026 Para obter mais informações, acesse: https://plataforma9.com/congressos/cfp-coloquio-internacional-circulacoes-em-portugues.htm?fbclid=IwY2xjawQG0EFleHRuA2FlbQIxMABzcnRjBmFwcF9pZBAyMjIwMzkxNzg4MjAwODkyAAEerxc56gefWf7Cwj12S7y9_CiMM_yuXbhAzDkDijJUQGoTaCp5DP7b93L6qig_aem_yBykJYlBmjGPQUrI4ehgiA
- 7º CIELLI - Colóquio Internacional de Estudos Linguísticos e Literários
Imagem de divulgação - 7º CIELLI - Colóquio Internacional de Estudos Linguísticos e Literários O CIELLI é um evento híbrido promovido pelo Programa de Pós-graduação em Letras (PLE), da Universidade Estadual de Maringá (UEM). O evento reúne, bianualmente, pesquisadores dedicados ao campo dos Estudos Linguísticos e Literários. A edição de 2026, que ocorrerá nos dias 9 a 12 de junho de 2026, no formato híbrido, suscitar reflexões acerca de questões essenciais relacionadas às práticas de ensino e pesquisa no campo dos estudos linguísticos e dos estudos literários no contexto sócio-político-econômico atual. Datas importantes: Submissão de Propostas de Simpósios: até 15 de março de 2026 Divulgação da lista de Simpósios: até 20 de março de 2026 Inscrição de comunicação em Simpósios: de 20 de março a 20 de abril de 2026 Para obter mais informaações, acesse: https://plataforma9.com/congressos/7-cielli-coloquio-internacional-de-estudos-linguisticos-e-literarios.htm?fbclid=IwY2xjawQG0hBleHRuA2FlbQIxMABzcnRjBmFwcF9pZBAyMjIwMzkxNzg4MjAwODkyAAEeBInfCAFeZ2giuAb8wpERVP0TMmCoIWIc8pfGGhv7tdD8KBKp-k2N48Hgiwo_aem_89J_y8AFsoUWcLDHjbOxVQ
- Unesp Assis promove ação de multiletramento com a exposição "Ler e/com blocos"
Nos dias 1º a 3 de dezembro de 2025 , foi realizada, na Unesp Assis, a exposição “Ler e/com blocos” , promovida pelo Grupo de Estudos Discursivos (GED). A ação é resultado da integração entre projetos de pesquisa, extensão, inovação e ensino, contando com uma equipe ampla que envolve desde alunos do Ensino Médio (PIBIC Jr.), alunos da graduação, alunos da pós-graduação (como coorientadores), professores e comunidade externa. Sendo uma ação propositiva de implementação de atividades de leitura e produção de gêneros discursivos na escola, foram trabalhados textos que inspiraram a criação de um minimundo (MOC/DIY) personalizado, em um trabalho dialógico-transversal. A proposta articula temáticas contemporâneas e contempla conteúdos curriculares do Ensino Médio, organizados em blocos de saberes interdisciplinares. O evento buscou fomentar a leitura e a produção textual questionadora, além de possibilitar o acesso a materiais e metodologias de ensino-aprendizagem socioculturais, em parceria com a escola pública e com a pesquisa científica. Assim, recebeu um público variado, do CCI (crianças de 2 a 3 anos) à terceira idade, incluindo perfis diversos: crianças, jovens (alunos de todos os cursos da FCLAs, da educação básica e dos programas de pós-graduação de Assis), adultos (docentes da universidade e da educação básica) e membros da comunidade externa. No primeiro dia (01/12), o evento recebeu 7 visitantes pela manhã, 15 à tarde e 8 à noite, totalizando 30 pessoas. No segundo dia (02/12), foram 15 pela manhã, 25 à tarde e 5 à noite, totalizando 45 visitantes. No terceiro e último dia (03/12), houve 12 visitantes pela manhã, 5 à tarde e 10 à noite, totalizando 27 pessoas. Assim, ao final dos três dias, o evento somou 102 visitantes . A proposta geral foi estimular a autonomia e o protagonismo cidadão por meio da criação e construção de MOCs/DIY focados em produções de diferentes fandoms , como Harry Potter, Família Addams, Tim Burton, Disney, entre outros, com ilhas específicas no minimundo. Todo o trabalho foi alicerçado nas orientações dos documentos oficiais para o multiletramento no ensino: um ensino que aproxima realidades e saberes a partir da compreensão de que não lemos, escrevemos ou falamos coisas isoladas, mas em blocos de texto/discurso que manifestam sentidos. Pensamos de maneira integrada por meio da linguagem tridimensional, em blocos dialógicos que formam o enunciado concreto. Dessa forma, as produções apresentadas na exposição evidenciam, como estratégia de ensino, redes de leitura que refletem e refratam o pensamento em ação, a partir de blocos de tijolos MOC. Rafaela dos Santos Batista Confira abaixo alguns registros da exposição .
- Exposição "Ler em/com blocos"
Imagem de divulgação - Exposição "Ler em/com blocos" Queridos Colegas, Professores, Alunos, Técnicos e Comunidade Externa, Vimos convidá-los a visitar a Exposição "Ler em/com blocos", a ser realizada de 01 a 03 de dezembro de 2025, das 9h às 22h, na Sala da Congregação da Unesp FCL-Assis. A exposição é resultado de projetos interligados e pesquisa, extensão, ensino e inovação, com envolvimentro ACEU-PAEG, PIBIC Jr, ProfLetras Unesp, DELL - Unesp FCLAs e PPGLLP - Unesp FCLAr, parceria com a Escola Ernani Rodrugues, o Canva Education e a Lego Education, apoiada pela PROEC, pela PROPe, pela PROPG, pela PROGrad e pelo CNPq. Trata-se da primeira construção, preliminar e em andamento, de um minimundo de blocos MOC/DIY de montar com quatro ilhas em andamento: a ilha da magia (construída a partir da saga de Harry Potter - leituras críticas com trabalhos prototípicos dos romances e dos filmes; e em Wicked), a ilha do terror, relacionada à ilha do Natal (construída a partir de leituras analítico-reflexivas de Drácula de Bram Stoker, contos de Edgar Allan Poe, obras de Tim Burton e Família Addams), a ilha dos contos de fadas na terra das princesas (inspirada, de modo crítico-reflexivo, em várias versões de contos de fada e em animações da Disney) e a ilha medieval, em contraponto com a ilha da modernidade (tendo em vista questões, pontos e obras contemporâneas, já que esta era tem sido chamada de "nova Idade das Trevas"). O público-alvo da exposição é amplo: crianças, adolescentes e jovens, adultos e terceira idade, professores e alunos. O intuito é estimular a leitura e a produção intelectual e vlitivo-emocional por meio da imersão em um minimundo de blocos, pela atmosfera narrativa, com atividades prototípicas e jogos de desenvolvimento motor, de raciocínio lógico, concentração e estímulo neural, bem como promover interação socioculturais entre gerações, fandom e universidade (graduação e pós-graduação)-comunidade externa. De braços abertos, esperamos todos os interessados em somar a luta a favor do saber com sabor, em prol de uma educação mais plural e acessível, que construa, em e com blocos, uma sociedade mais criativa, autônoma e democrática, como preveem os ODS 4, 10 e 17 da Agenda 2030 da ONU. Quem puder, pedimos apoio: espalhe, entre os seus e em suas redes essa iniciativa e ação. Vamos nos juntar, (re)aprender de brincar, contar histórias, aprender brincando, matar a saudade de estudar com prazer, conhecer, enfim, ns aventurar. E quanto mais gente, melhor. Nossa criança interior vive e quanto não tem estado sufocada pelo vício do "tripalium" e dos bots da "internet das coisas" sem pausa para viver, sonhar e interagir? Usemos esse tempo-espaço para nossos sujeitos dialógicos, em prática de linguagem viva. Nos vemos na Sala da Congregação da FCLAs, de 01 a 03/12, das 9h às 22h. Até lá. ;) Comissão Organizadora
- V Colóquio ProfLetras Unesp: veja como foi o encontro na FCLAs
Nos dias 17 e 24, ocorreu o V Colóquio ProfLetras, promovido pelo Mestrado Profissional em Letras da Unesp Assis. O evento teve como intuito fomentar o diálogo acadêmico, fortalecer a interlocução entre pesquisa e prática docente e oferecer um espaço de troca entre mestrandos, docentes e pesquisadores da área de Linguagens e Educação. O colóquio foi coordenado pelo Prof. Dr. Odylon Fleury e pela Prof.ª Dr.ª Luciane de Paula, que também é coordenadora do Grupo de Estudos Discursivos (GED). Ao longo dos dois encontros, o evento contou com a participação de diversos docentes da Faculdade de Ciências e Letras de Assis, além de membros do GED, que contribuíram com reflexões, mediações e discussões aprofundadas sobre as temáticas apresentadas. Confira abaixo alguns registros dos encontros.
- Unesp realiza o V Colóquio ProfLetras na FCLAs
Evento sobre Metodologias de ensino-aprendizagem de linguagens, com foco nos letramentos, o V Colóquio ProfLetras Unesp tem o objetivo de refletir sobre abordagens e perspectivas epistemológicas de educação de língua portuguesa de modo transversal, em diálogo com outras linguagens (não-verbais e sincréticas), em acordo com as diretrizes dos documentos que normatizam a educação básica, como os PCNs e a BNCC. Tendo o texto/discurso como unidade linguística e os gêneros discursivos/textuais como elementos centrais dos multiletramentos, que consideram as competências e habilidades de leitura e escrita de enunciados configurados de modos singulares, sem deixarem de ser elos na cadeia discursiva histórica e humana, este Colóquio pretende estimular debate e reflexão sobre a interpretação de textos/discursos variados (acadêmicos, estéticos, políticos, filosóficos, entre outros), por meio de suas estruturas genéricas (resenha, artigo de opinião, notícia, propaganda, bilhete, fichamento, HQ, série, filme, charge, tira, canção, música, embalagem, rótulo, pintura, poesia, romance, conto, crônica, novela, ensaio, entre outros), não apenas como unidades de linguagem (linguísticas e literárias), mas também como unidades cognoscíveis humanas que refletem e refratam pensamentos, modus vivendi e modus operandi , que revelam processos histórico-políticos e socioculturais para compreender melhor o ethos e as valorações constitutivas de determinada interação. Com o intuito , também, de contribuir para e com o ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa (ou Língua brasileira) e Literaturas produzidas nessa língua, este encontro pretende proporcionar um espaço-tempo de formação, de troca de experiências e de debate de pesquisas, pautado nos princípios de acessibilidade, inclusão, equanimidade e de qualidade do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) número 4 da ONU, que visa promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos, em consonância com o que Freire propõe como educação democrática, com autonomia e protagonismo do estudante com visão crítica, como estímulo de assunção da cidadania. Em tempo de Fake News, guerra psicológico-cognitiva, ascensão da extrema direita no mundo, com total desprezo pela educação (dado o seu perigo) e Inteligência Artificial (IA), a justificativa é a relevância da tomada de consciência linguística como forma de tomada de consciência de si, do outro e d(e estar n)o mundo. Para isso, o Colóquio, dividido em dois encontros (dias), será composto por um minicurso de 8h, realizado em um dia, sobre Metodologia do texto/discurso científico e, no segundo encontro, por uma conferência e apresentações de trabalho (em três modalidades possíveis: rodas de conversa, sessões de comunicação individual e sessões de relatos de experiências). O evento é aberto a todos/as e será hibrido para proporcionar troca de experiências em rede, como se configura o ProfLetras. O público-alvo abrange estudantes e egressos do ProfLetras, professores da educação básica, estudantes de cursos de licenciaturas em Letras, Linguística, Educação e Pedagogia, alunos pós-graduação stricto e lato sensu , acadêmica ou profissional, em nível de Especialização, Mestrado, Doutorado e Pós-Doutorado, professores de ensino superior com pesquisas e vivências de ensino-aprendizagem e/ou extensão em letramentos na educação básica e está aberto aos interessados das comunidades acadêmica e externa em geral. Em tempo de desvalorização do conhecimento e da formação acadêmica como projeto político de aniquilação de mentes críticas, com vistas à manipulação e à dominação, refletir sobre o papel da escola e suas metodologias ativas se justifica pela urgência de resistência sociocultural, até como resposta ao ataque que a educação tem sofrido. Uma forma acadêmica e científica de posicionamento. Afinal, uma sociedade mais educada (educação em sentido amplo) é uma sociedade mais ativa, com menor facilidade de ser ludibriada e cooptada por discursos falsos, maquiados em nome de um deus partidário e de "verdades" relativas que desconsideram o coletivo em benefício próprio. Em outras palavras, uma sociedade menos alienada, que questiona e não admite fazer (ou continuar em) o papel de subserviência que, muitas vezes, líderes políticos e grupos econômicos, na superestrutura, querem, inclusive aparatados pelo Estado, nos /fazer-crer/, é uma sociedade que luta por seus direitos e deveres, na construção contínua de um mundo menos injusto e menos desigual. Por isso, o V Colóquio ProfLetras Unesp preza pela interpretação ativa, pois, segundo Bakhtin (2017, p. 64): "[...] a interpretação das estruturas simbólicas [...] entranha-se na infinitude dos sentidos simbólicos". Para ter acesso à programação completa e para realizar sua inscrição, acesse: https://eventos.assis.unesp.br/vcoloquioprofletrasunesp-626906/
- 1º Colóquio: A Filosofia de Byung-Chul Han
Já muito afamado crítico da cultura e amplamente lido pelo grande público, o filósofo sulcoreano Byung-Chul Han (1959- ) curiosamente ainda é pouco frequentado e debatido no Brasil dentro dos programas de pós-graduação em filosofia. Todavia, sua vasta obra investiga aspectos e temas centrais à reflexão filosófica que vão muito além de sua célebre explicitação e crítica ao que Han chamou de sociedade de desempenho. Tendo suas primeiras publicações partido de um diálogo crítico com Heidegger e em seguida com outros autores (Nietzsche, Benjamin, Lévinas, Derrida, Foucault, Agamben etc.), seus inumeráveis opúsculos têm proposto provocações acerca dos temas da morte, da violência, do poder, do amor, do tempo, da arte etc. Organizado pela parceria dos Programas de Pós-graduação em Filosofia da UFFRJ, UFABC e UFES, a proposta deste I Colóquio A Filosofia de Byung-Chul Han é fomentar e aprofundar o debate acadêmico em filosofia sobre esse autor tão popular, por meio de um conjunto de pesquisas em curso sobre diversas facetas de seu pensamento, veiculadas em livros menos conhecidos ou ainda não vertidos para o português. Para obter informações adicionais e realizar sua inscrição, acesse o portal oficial do evento: https://coloquiohan.wixsite.com/website











