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  • Silêncios e ausências: uma leitura bakhtiniana do livro "Uma delicada coleção de ausências", de Aline Bei

    Por Isabella Lourenci Kojima Há ausências que não significam só a falta de alguém. Algumas permanecem, ocupam espaços, atravessam memórias e continuam presentes mesmo quando aquilo ou aquele que se foi já não pode ser encontrado, mas sentido e revivido. É nesse território delicado entre presença e falta que em Uma delicada coleção de ausências, de Aline Bei o leitor é convidado a olhar para a experiência da falta não como um vazio absoluto, mas como algo que continua se (re)produzindo de geração em geração nessa família de mulheres. A obra se passa em uma casa humilde, na cidade de Belva, onde Laura e Margarida vivem juntas, Margarida se dedica aos cuidados da neta, mesmo com o corpo cansado, pois é o elo mais forte com a sua filha, Glória. Em sua juventude, Margarida era fascinada pela arte e decide fugir para trabalhar no circo, lá ela conhece um palhaço, pai de sua filha, que lhe ensina a quiromancia, profissão que exerce em uma feira de antiguidades para sustentar o lar das duas. A fuga de Margarida representa o primeiro elo de uma longa cadeia de partidas, silêncios e ausências que atravessam as gerações de mulheres dessa família. Conforme os dias iam passando, Laura questionava o porquê de sua mãe ter lhe deixado com a avó, perguntava como Glória era, histórias, memórias e situações vividas por sua mãe, sua avó dizia os costumes que ela tinha, como era linda e ressaltava como a sua filha amava música e cinema. Com isso, esse universo particular que as duas criaram, se rompe com a chegada de Filipa, bisavó de Laura, uma idosa fiel a Deus, chegou com suas caixas, amarguras e angústias para conviver com a filha. Essa mudança provocou inúmeras transformações imediatas na vida de Laura, que perdeu o seu quarto, sua privacidade e o seu tempo de qualidade com a avó e na medida que o tempo passava tentava se habituar com a presença de Filipa, mas se via sozinha. Enfim, para conseguir dar conta da casa, do sustento e da nova configuração familiar, Margarida encontrou em Camilo, um senhor que vendia brinquedos, ajuda financeira e emocional. A escrita de Aline Bei, em grande parte de sua produção literária, estabelece um espelhamento geracional entre mãe, filha e avó, evidenciando como experiências, afetos e conflitos são transmitidos entre diferentes gerações. Neste romance, temas como maternidade, infância, amizade, abandonos e desejos são atravessados e dilacerados por um ciclo de violências que ultrapassa a dimensão individual e respinga na criação de Laura, que não encerra o ciclo familiar de fugir de ambientes, vivências e ausências, seguindo um padrão geracional que alimenta as ausências de fala, carinho e cuidado, alimentando os não ditos da vida que toma conta do sujeito-mulher. Nesse contexto, é possível estabelecer um diálogo com a teoria bakhtiniana, pois a obra escolhida funciona como arena dialógica, em que vozes sociais encontram-se em embate e possibilitam a emergência de sentidos que operam como reflexo e refração de resistência feminina, logo, a literatura e a linguagem se encontram como espaços de elaboração daquilo que, muitas vezes, não pode ser dito de maneira direta, permitindo que silêncios, ausências e dores encontrem formas de expressão por meio da palavra literária, considerando que a literatura, com seu acabamento estético, reflete e refrata embates sociais da vida. A coleção de ausências se inicia com Filipa, uma mulher cristã que sofre com a culpa de se sentir aliviada pela morte do marido, homem que a violentava na frente de sua filha e encara a criação de Margarida como algo desafiador, visto que sua filha era diferente de sua projeção. A personagem é o símbolo do envelhecimento feminino, com um corpo marcado pelo tempo e cicatrizes de uma maternidade muitas vezes difícil ou não resolvida, com embates de crenças e experiências. Portanto, a ausência começa a ser construída por lembranças, expectativas, perguntas sem respostas e palavras que ecoam. Para o Círculo de Bakhtin, a linguagem nunca é neutra, nem isolada, “todo signo surge entre indivíduos organizados no processo de sua interação. Portanto, as formas do signo são condicionadas, antes de tudo, tanto pela organização social desses indivíduos quanto pelas condições mais próximas de sua interação” (2017, p.109) Toda palavra está relacionada a outras palavras, a outros discursos e a diferentes vozes sociais, por isso a ausência pode ser compreendida como um fenômeno discursivo, já que é atravessada por concepções sociais sobre a morte, o abandono, o amor, a família, a solidão e a memória. No romance, isso fica evidente na maneira como Laura convive com esses sentimentos e se torna invisível após a chegada da bisavó em seu lar. Além disso, a ausência de Glória continua ocupando a memória da mãe, da filha e da bisavó e essa relação interrompida, entre Glória e Laura, influencia no comportamento familiar, já que esse ciclo de fuga se tornou uma experiência silenciada que continua produzindo efeitos e que resulta na fuga de Laura também. Na teoria bakhtiniana o sujeito é um ser histórico e social, ele é feito na e pela linguagem, não somos constituídos apenas por nossas experiências individuais, mas pelas relações que estabelecemos com os outros e pelos discursos que circulam socialmente. Portanto, a literatura torna esse processo visível ao transformar experiências particulares em narrativas capazes de alcançar outros sujeitos. O sujeito é pelo menos dois, um não existe sem o outro, é a partir desse outro que o eu se reconhece, diante disso, o embate de vozes concordantes e discordantes é ideológico. A personagem Laura, uma pré-adolescente, estabelece um vínculo afetivo e intenso com sua avó, figura responsável por seus cuidados e pela construção de um espaço de acolhimento no qual quase todas as suas perguntas encontram respostas. No ambiente escolar, Laura mantém amizade com Lívia e Jordana, ambas pertencentes a famílias estruturadas segundo o modelo tradicional. É por meio dessas relações que a personagem começa a descobrir os prazeres do corpo e as transformações próprias da adolescência. Contudo, esse processo de descoberta também a coloca diante de experiências marcadas pela inveja, desilusão, rivalidade feminina, objetificação e pelos mecanismos de controle masculino sobre o corpo feminino, regulação que se instaura desde a infância. A relação entre Laura e sua mãe é atravessada pela ausência física e psicológica. Enquanto Glória confia em sua beleza, mesmo traumatizada e cansada da dinâmica familiar sufocante, foge e abandona o núcleo familiar em decorrência da violência sexual sofrida por Camilo, amigo próximo da família, e sua filha permanece marcada pela busca de compreender essa partida, junto com a imaginação de como a mãe seria. Após a instalação da bisavó de todas as maneiras, a menina se sente invisível e começa a guardar para si as experiências boas e ruins que viveu e ao sofrer violência sexual, praticada também por Camilo, no seu aniversário foge pela extremidade da janela de vidro do banheiro, dando continuidade ao ciclo familiar de fuga de ambientes, experiências, vivências e ausências. Essa repetição cíclica do ato de fugir comprova como as histórias individuais se constituem em relação com as experiências do outro, sendo assim, a alteridade não se limita à existência de um outro exterior ao sujeito, mas constitui uma condição fundamental para a formação da consciência e da identidade, o sujeito não se constitui de forma isolada, ele se reconhece no outro e se transforma a partir das relações. O ciclo de violência que essas mulheres da mesma família sofrem, nos permite observar como a violência entre o corpo feminino atravessa gerações e produz marcas que ultrapassam experiências individuais. Dito isso, a narrativa desloca essa relação entre mãe e filha para uma dimensão social e não só familiar ou psicológica, para além disso, Filipa vivia em um relacionamento tóxico e sofria violência doméstica e Margarida quase foi abusada pelo mágico que conheceu no circo e foi abandonada grávida pelo palhaço, homem com quem se relacionou por pouco tempo. Enfim, ao apresentar diferentes experiências de violência vivenciadas pelas mulheres da narrativa, Aline Bei evidencia que essas relações não são acontecimentos isolados, elas partem de uma estrutura social que condiciona as experiências femininas. O romance, portanto, revela como a violência pode ser naturalizada nas relações afetivas, familiares e sociais, ao mesmo tempo em que possibilita questionar os mecanismos que sustentam o silenciamento das mulheres. Referências BEI, Aline. Uma delicada coleção de ausências. Infinito Particular, 2025. VOLÓCHINOV, Valentin Nikolaevich. Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Editora 34, 2017.

  • Metodologia dialético-dialógica verbivocovisual de ADD: estratégias de normalização científica (Minicurso)

    O minicurso propõe uma abordagem teórico-prática da leitura analítico-interpretativa verbivocovisual, com foco na análise de discursos de composição sincrética. A atividade será realizada nos dias 8 e 9 de setembro de 2026, das 14h às 17h, na modalidade online e gratuitamente e contará com a apresentação de ferramentas e procedimentos metodológicos para a análise da materialidade discursiva, incluindo programas como PRAAT, Adobe Color, Adobe Premiere, OBS e VLC. Para obter mais informações e se inscrever no evento, acesse: https://www.even3.com.br/metodologia-dialetico-dialogica-verbivocovisual-de-add-estrategias-de-normalizacao-cientifica-778704. A inscrição é necessária para a emissão dos certificados! A transmissão será realizada pelo canal do GED no YouTube: https://www.youtube.com/@ged-grupodeestudosdiscursi9959 Imagem de divulgação do minicurso

  • Do Ronco do Motor aos Acordes Sinfônicos: Dialética e Luta de Classes na Performance de MC Hariel

    Maria Carolina José Lopes Durante anos o funk foi (e ainda é) lido como um gênero musical de menor qualidade e importância, relegado às periferias e rejeitado pela elite sob alegações moralistas. Assim, essa expressão artística constitui-se como um signo que reflete a experiência material de comunidades marginalizadas enquanto é refratado e transformado por meio da luta de classes. Entretanto, no palco da Red Bull Symphonics de 2026 realizada no Brasil, o cantor MC Hariel demonstrou a potência do funk e sua relevância cultural. Em Marxismo e Filosofia da Linguagem, o signo ideológico é explicado como dialético, o que significa a existência de forças contraditórias em sua constituição; desse modo, entende-se que há “a particularidade do signo ideológico de refratar e distorcer a realidade dentro dos níveis da ideologia dominante” (VOLÓCHINOV, 2017, p. 113)”. Quando se analisa o funk dentro do Brasil, nota-se que ele é majoritariamente visto como algo sujo, impróprio e até mesmo imoral, um discurso reacionário que busca excluir esse gênero musical da cultura legitimada. A proposta da performance de MC Hariel é unir suas canções e seu estilo contemporâneos à música clássica, representada pela orquestra sinfônica, de modo que essa nova produção possa alcançar e tocar as diferentes bases da existência material dos sujeitos, independentemente de pertencerem à periferia ou à elite. Ainda que a apresentação inclua a música clássica, gênero que por si só remete as classes sociais mais altas enquanto afasta as mais pobres, os músicos da orquestra não destoam de modo algum do MC, pois alguns deles — inclusive o maestro Xuxa Levy — utilizam óculos de sol, correntes, elementos visuais que remetem à estética das comunidades. Além disso, um grupo de dançarinos se une à cena dançando funk conforme os passos do ritmo, principalmente do funk paulista, incluindo o “dedo pro alto”. Outro elemento bastante emblemático é a chegada de Hariel ao palco: o cantor entra pilotando uma moto, que inesperadamente se torna parte do espetáculo como instrumento quando o ronco do motor passa a harmonizar com a orquestra. As canções performadas trazem críticas sobre a visão estereotipada das favelas e de suas produções musicais, pois além de denunciar a realidade precária que suas comunidades enfrentam e promover entretenimento nelas, o funk também é constituído como forma de resistência. Portanto, a apresentação dos músicos mostra como os signos de um gênero discursivo, nesse caso o funk, podem ser refletidos e refratados a depender da ideologia dos sujeitos envolvidos em sua enunciação.

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  • Sergio Mas Díaz | GED Unesp

    Lattes ORCID Google Acadêmico Sergio Mas Díaz Professor Pesquisador sergiomasdiaz@gmail.com Doutor (2010) e Mestre (2008) em Filosofia, pela Universidade de Barcelona (UB); Mestre em Teoria e Relações Internacionais, pela Universidade Autônoma de Barcelona (UAB); Mestre (2020) em Literatura Comparada e Teoria da literatura, pela UB. Graduado em Filologia Alemã (1998) e em Filosofia (1988). Foi professor de Língua e Cultura Espanhola, na Universidade de Saransk (2001, 2003); de Filosofia (2007) e Filologia (2003, 2005), na UB. Dentre suas publicações, destacam-se a tradução do livro “Hegel” e o livro “Modernitat i Postmodernitat”. Díaz é pesquisador independente, parceiro em projetos de pesquisa de diversos grupos, como o GIRCHE, Personalism and Phaenomenology, Personalismo, Derrida - Deconstruction et Langage, Grupo de pesquisa dos movimentos sociais. Seus interesses se voltam a pesquisas interdisciplinares, que articulem poder, mídia e sistemas de crenças; o papel discursivo dos movimentos sociais, especialmente, na luta anti-racista, feminista e pós-colonial; as ligações entre o neoliberalismo e a redefinição da função da educação; os problemas de circulação e tradução das ideias em plano interlinguístico (tradução e transcriação) e intersemiótico (adaptações), assim como as relações intermidiáticas. Principais projetos A linguagem do GED - Grupo de Estudos Discursivos: inovação e desenvolvimento tecnológico, divulgação e popularização da ciência PAULA, Luciane de. Inovação e Desenvolvimento 2023-2025 (em andamento) Este projeto propõe congregar pesquisas individuais e estabelecer redes entre grupos, de modo institucional, em âmbito nacional e internacional, por meio do GED - Grupo de Estudos Discursivos; assim como pretende desenvolver estratégias discursivas de inovação e desenvolvimento tecnológicos, espaços de divulgação e popularização da ciência, tendo as redes sociais (Youtube, Instagram, Twitter, Facebook, Spotify, LinkedIn e TikTok) integradas no site do GED, com espaço para debate (em fóruns de discussão), organização de eventos, área de trabalho e divulgação de pesquisas e práticas de ensino e de extensão em desenvolvimento, com sugestões de produções e ações sociais. A construção de uma modalização do site do GED pretende servir como modo de ilustrar como capitanear engajamento sociocultural e educacional por meio de um centro de atividades de inovação de linguagens do fazer científico, em especial, discursivos. O objetivo central é socializar e construir saberes coletivamente, com ênfase em enunciados multimodais. Os intuitos específicos se voltam às produções de maneira mais acessível e horizontalizada e à conscientização da função primordial da Universidade: refletir sobre e contribuir com as necessidades sociais da comunidade, em âmbito global (com respeito às singularidades local, regional, estadual, nacional e internacional). A relevância diz respeito à e os resultados esperados pretendem integrar academia(s) e sociedade(s). Topo

  • José Cezinaldo Rocha Bessa | GED Unesp

    Lattes ORCID Google Acadêmico José Cezinaldo Rocha Bessa Professor Pesquisador cezinaldobessa@uern.br Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN) Possui graduação em Letras pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (2005); mestrado em Estudos da Linguagem, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2007); e doutorado em Linguística e Língua Portuguesa, pela Universidade Estadual Paulista - Unesp, Araraquara, com estágio sanduíche na Université de Paris VIII (bolsa PDSE/CAPES). É Professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, em Pau dos Ferros. É docente permanente dos Programas de Pós-Graduação em Ensino (PPGE/UERN) e em Letras da UERN (PPGL). Foi coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ensino nas gestões 02/2018-02/2020 e 02/2020-02/2022. É editor-chefe da revista Diálogo das Letras e membro do Conselho Editorial da Editora da REDE-TER. É líder do Grupo de Estudos em Interação, Texto e Discurso do Alto Oeste Potiguar - GITED e membro dos grupos GPET, GED/Unesp e Slovo/Unesp. Atua como membro da Diretoria (1º Secretário) da Rede Internacional Interdisciplinar de Pesquisadores em Desenvolvimento de Territórios (Rede-TER). Concentra interesse pelos estudos do texto e do discurso, com ênfase na perspectiva dialógica, dedicando-se às temáticas: gêneros do discurso, produção textual, leitura e escrita, ensino de língua materna, dialogismo, voz autoral, plágio e comunicação científica. Principais projetos A construção de sentidos em práticas discursivas escolares e não-escolares sob a perspectiva da análise dialógica do Círculo de Bakhtin Bessa, José Cezinaldo Rocha. Pesquisa 2023-2026 (em andamento) Este projeto propõe-se a dar continuidade a estudos anteriores em que investigamos a constituição e o funcionamento de discursos e gêneros de produções do espaço escolar e do universo digital (BESSA, 2018-2022). Buscando ampliar as investigações, pretendemos concentrar nossos esforços na análise da construção de sentidos em práticas discursivas escolares e não-escolares, à luz da perspectiva dialógica depreendida das reflexões do Círculo de Bakhtin. Interessa-nos abarcar pesquisas que deem conta de examinar as configurações das relações dialógicas e o funcionamento de enunciados de diferentes esferas, com foco nas esferas escolar, científica e midiática. Interessa-nos, pois, acolher pesquisas que se dediquem a examinar as redes de dizeres e a produção e circulação de sentidos que se expressam em práticas discursivas dessas esferas, considerando aspectos como relações dialógicas, posicionamentos axiológicos, gêneros do discurso, vozes sociais, memória, identidade, autoria e estilo entre elementos verbais e visuais na constituição textual. A proposta é responder perguntas como: Que sentidos estão sendo (re)produzidos em práticas discursivas dessas esferas? Que modos de enunciar estão se fazendo escutar? Como esses modos são orquestrados? Que vozes se fazem ouvir? Que estratégias discursivas são mobilizadas na construção de sentidos? Como podemos contribuir para um ensino de línguas que vá de encontro a práticas opressoras? Este projeto compreende o desenvolvimento de investigações qualitativo-interpretativas e se justifica como possibilidade de compreensão do funcionamento de práticas discursivas contemporâneas, assim como de se (re)pensar práticas de linguagem no ensino. Por um ensino de línguas conectado com a vida e a formação crítica dos alunos Bessa, José Cezinaldo Rocha. Pesquisa 2021-2024 Entendendo que as transformações tecnológicas e a cultura digital do mundo contemporâneo impactam nas formas de construção de textos/enunciados e na produção de sentidos, compreendemos que novos desafios são postos à formação e à prática do professor de línguas da educação básica na escola do século XXI. Nesse sentido, o trabalho com a língua/linguagem na escola, e, particularmente, na educação básica, mais centrado no letramento da letra, pressupõe considerar o uso e o funcionamento das múltiplas semioses inerentes às formas de produção de sentidos que constituem as atividades de interação humana. Nesse contexto, impõe-se conceber, em sala de aulas de línguas da educação básica, propostas de trabalho assentadas no desenvolvimento de letramentos múltiplos. O trabalho com a língua/linguagem, na escola, pressupõe considerar a exploração crítica das formas de significar e produzir sentidos próprias de nosso tempo. Com base nessa compreensão, este projeto pretende reunir pesquisas que se dediquem a investigar como a escola da educação básica de nossa região (Alto Oeste Potiguar, em especial) tem incorporado os múltiplos letramentos no ensino e na aprendizagem de línguas (materna e estrangeira) na educação básica, procurando diagnosticar o lugar ocupado por uma perspectiva de ensino multiletrado e comprometido com a formação crítica dos alunos. As pesquisas desenvolvidas ancoram-se na abordagem dialógica da linguagem do Círculo de Bakhtin, em estudos sobre multiletramentos e novos letramentos, e em trabalhos de pesquisadores que discutem o ensino e a formação de professores de línguas na contemporaneidade, em perspectiva dialógica. "Todas as vidas importam": jogos multiletrados - transformação sociocultural sustentável Extensão Universitária - Apoio: PROEC 2023-2026 (em andamento) Este projeto de extensão tem como objetivo propor e implementar atividades de leitura e produção de gêneros discursivos diversos na escola e fora dela, possibilitando uma formação multiletrada crítica. O público das ações socioculturais educativas transita entre o último ano do ensino fundamental II (9º ano) e o ensino médio (1º, 2º e 3º anos) e também se volta às associações e coletivos culturais e sociais. Os textos trabalhados, de diversas materialidades (canção, videoclipe, filme, série, pintura, HQ, jogos etc), tratarão de temas contemporâneos e contemplarão conteúdos de Linguagens e Artes, produzidos por autores-criadores negros, mulheres e da comunidade LGBTQIAP+. Interessa proporcionar, de forma dialógica, discussões acerca das desigualdades e da intersecção raça-gênero-classe na escola e na sociedade, a fim de refletir acerca da heterogeneidade das diversidades e proporcionar equidades. O projeto, experimental e interventivo, tem caráter extensionista, associado à pesquisa, ao ensino e à inovação. A proposta parte de uma escola pública da cidade de Assis, interior de São Paulo, para, a partir das vivências, desenvolver protótipos de ensino e jogos pedagógicos produzidos com material reciclado, que possam ser adaptados e aplicados em outras comunidades (locais, regionais, estaduais, nacionais e internacionais). Com isso, estimular a inclusão entre jovens, na escola, na comunidade e na universidade (graduação e pós-graduação); e visibilizar vozes e sujeitos excluídos (por preconceito e discriminação), ao potencializar seus saberes, assim como uma forma de sociabilidade de suas culturas, tramadas como formas de atuação – em consonância com os ODS 4, 5, 10,16 e 17, de maneira transversal. A linguagem do GED - Grupo de Estudos Discursivos: inovação e desenvolvimento tecnológico, divulgação e popularização da ciência PAULA, Luciane de Inovação 2023-2025 (em andamento) Este projeto propõe congregar pesquisas individuais e estabelecer redes entre grupos, de modo institucional, em âmbito nacional e internacional, por meio do GED - Grupo de Estudos Discursivos; assim como pretende desenvolver estratégias discursivas de inovação e desenvolvimento tecnológicos, espaços de divulgação e popularização da ciência, tendo as redes sociais (Youtube, Instagram, Twitter, Facebook, Spotify, LinkedIn e TikTok) integradas no site do GED, com espaço para debate (em fóruns de discussão), organização de eventos, área de trabalho e divulgação de pesquisas e práticas de ensino e de extensão em desenvolvimento, com sugestões de produções e ações sociais. A construção de uma modalização do site do GED pretende servir como modo de ilustrar como capitanear engajamento sociocultural e educacional por meio de um centro de atividades de inovação de linguagens do fazer científico, em especial, discursivos. O objetivo central é socializar e construir saberes coletivamente, com ênfase em enunciados multimodais. Os intuitos específicos se voltam às produções de maneira mais acessível e horizontalizada e à conscientização da função primordial da Universidade: refletir sobre e contribuir com as necessidades sociais da comunidade, em âmbito global (com respeito às singularidades local, regional, estadual, nacional e internacional). A relevância diz respeito à e os resultados esperados pretendem integrar academia(s) e sociedade(s). Topo

  • XIX CED | GED Unesp

    XIX CED - Colóquio de Estudos Discursivos DATA: 13 de janeiro de 2022 LOCAL: YOUTUBE HORÁRIO: 19h30 CONFERÊNCIA: (Im) precisões no conceito de formação discursiva - Prof. Dr. João Marcos Mateus Kogawa (UNIFESP) COMISSÃO ORGANIZADORA E REALIZAÇÃO GED - Grupo de Estudos Discursivos Profa. Dra. Luciane de Paula (UNESP FCL Assis) Prof. Dr. Matheus Nogueira Schwartzmann (UNESP FCL Assis)

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