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UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte

V Simpóstio Internacional de Estudos Discursivos

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Minicursos

Minicurso 1.

Corpos na linguagem dos Memes: embates e resistência à política brasileira

Ana Carolina Siani (UNESP Araraquara/GED)

Fábio Augusto de Oliveira (UNESP Assis/GED)

Natasha Ribeiro de Oliveira (UNESP Araraquara/GED)

 

O minicurso proposto tem como objetivo promover uma discussão sobre corpo e ressignificação no gênero discursivo meme, marcado por uma grande heterogeneidade em sua configuração e estrutura composicional, que nasce nas novas configurações de tempo-espaço da internet e das redes sociais, possibilitadas pela cibercultura (Lévy, 2000) e pela mídia participativa (Jenkins, 2009). Compreendemos, assim, o meme a partir das noções do Círculo de Bakhtin, enquanto enunciado concreto e singular. A constituição do meme se volta, em geral, ao efeito de sentido humorístico a partir de movimentos de ironia e inversão. Desse modo, o gênero meme, torna-se, em sua relação de constituição com as práticas sociais, reflexo e refração das configurações vividas e do horizonte socioideológico do qual surge e faz parte. Neste sentido, interessa-nos propor uma reflexão acerca das corporalidades inscritas nesta linguagem, sobretudo como posicionamento axiológico de diferentes grupos, em especial, de grupos minoritários como mulheres, negros, a comunidade LGBTQ+ em sua relação com grupos conservadores, pensando o meme como resistência e embate, em seu teor dialético-dialógico, de quebra e ao mesmo tempo propagação de determinados discursos intolerantes e excludentes. Em outras palavras, pretendemos discutir as ressignificações no gênero meme quanto aos juízos de valores e constituição do corpo enquanto discurso. Os enunciados, nos quais há este embate, são retirados de perfis/páginas (de cunho político) em redes sociais, principalmente o Facebook. Assim, ao pensar corpo, em uma expressão material típica da contemporaneidade, debruçamo-nos sobre os escritos do Círculo, de modo a compreender os conflitos político-sociais no Brasil.

 

Minicurso 2.

Cidade como corpo: Moscou, São Petersburgo, Rio de Janeiro e Brasília na literatura

Ekaterina Volkova Amercio (UFF)

 

A partir do conceito de “texto da cidade“, formulado nos trabalhos de Iúri Lotman e Vladimir Todorov, no âmbito dos estudos empreendidos pela Escola Semiótica de Tártu-Moscou nos anos 1970-1980 e também a partir do conceito do “outro” de Mikhail Bakhtin, o minicurso pretende abordar a oposição entre as duas capitais russas, Moscou e São Petersburgo na literatura russa. Nessa oposição, a planejada e ordenada São Petersburgo manifesta-se como uma capital criada artificialmente por um capricho do Imperador Pedro, o Grande, no século XVIII e dotada de características masculinas, enquanto Moscou, que surgiu naturalmente de uma pequena vila, atua como uma cidade relacionada ao feminino, à natureza e religião. Entre os autores analisados estarão Nikolai Gógol, Fiódor Dostoiévski, Ivan Búnin, Marina Tsvetáieva, entre outros.  Abordaremos ainda a possibilidade de traçar algumas semelhanças com a manifestação de Brasília e do Rio de Janeiro na literatura brasileira, principalmente na obra de Machado de Assis, Lima Barreto, Clarice Lispector e Rubens Figueiredo.

 

Minicurso 3.

Corpos (re)existentes na vida e na arte

Luciane de Paula (UNESP/GED)

Maria da Penha Casado Alves (UFRN/GEBAK)

 

Este minicurso pretende, de maneira prática, refletir acerca das noções de sujeito, ideologia e cultura, calcadas nos estudos bakhtinianos, a partir do imaginário de Frida Kahlo e Tarsila do Amaral. O objetivo é explicitar, por meio de obras pictóricas das artistas, relacionadas a autorretratos, como a arquitetônica material visual reflete e refrata valorações sociais de maneira dialógica com outras obras, das mesmas e de outros autores, de gêneros diversos. Para isso, metodologicamente, será utilizado, além do cotejamento, elementos semióticos das artes plásticas para a realização das análises, pautadas na estrutura dessa linguagem (por isso, serão considerados: planos de expressão, traços, cores, entre outros elementos). A importância de pesquisas voltadas a enunciados de materialidades e gêneros diversos se volta ao desdobramento dos estudos bakhtinianos, que previam a totalidade unitária arquitetônica enunciativa e, em diversas passagens de vários textos, explicitam a relação entre o verbal, o sonoro (vocal e musical) e o visual – incluindo aqui, os gestos e as expressões corporais – a ponto de Volóchinov e Sollertinsky se voltarem à música (Beethoven, Mozart e ópera – gênero que mescla à música, o verbal e a visualidade teatral) e Bakhtin, assim como Volóchinov e Medviédev, afirmar acerca da importância da entoação (a leitura em voz alta, por exemplo) e da corporalidade semiótica da palavra. Além disso, a relevância deste minicurso se volta à abordagem prática que utiliza a teoria para, de fato, fundamentar a análise empreendida, de maneira concreta, como, muitas vezes, ocorre nos escritos do Círculo. O enunciado não pode ser pretexto para elocubrações abstratas, mas alicerce para as reflexões vivenciadas. Com base nessa premissa, este minicurso se volta a autorretratos de Frida e Tarsila para demonstrar o quanto, a partir de um posicionamento axiológico específico de autoras-criadoras que se veem e exprimem como (seus)outros, em reflexo e refração de si, num exercício exotópico estético que as define, não como pessoas físicas, mas como sujeitos sociais, as obras revelam identidades socias e culturais, uma vez que não se reduzem às imagens de Frida e Tarsila, mas também semiotizam identidades artísticas/estéticas e sociais específicas, que as transpõem para o grande tempo das culturas e as imortalizam como corpos (re)existentes na vida e na arte.

 

Minicurso 4.

Literatura na Escola: a responsabilidade das palavras-imagens no corpoescrito de Clarice Lispector

Neiva de Souza Boeno (SEDUC – Mato Grosso)

 

Para este Minicurso, propomos a leitura e a análise dialógica de dois textos literários de Clarice Lispector: o conto “Banhos de Mar” (publicado na coletânea A Descoberta do Mundo, de 1984) e o romance Água Viva (1973). Podemos considerar esses dois textos de escritura literária como bases e pretextos para abordarmos e refletirmos sobre a questão das imagens evocadas por meio da palavra lispectoriana, uma palavra audiovisual que permite compreender melhor o conceito de “corpo grotesco” desenvolvido por Bakhtin (1965).Nessa perspectiva, temos o movimento de leitura do texto literário, em que a leitura e a escritura não coincidem, e a escritura não concede uma única leitura possível, mas inacabável, ideia aportada na Arquitetônica Estética, Teoria da Discursividade e de Interpretação do texto em Bakhtin (1979), bem como na pesquisa de Barthes (1973; 1982) em relação à ilegibilidade do texto literário, ao seu “sentido obtuso”, buscando as chaves de leitura no “branco da escritura”. Aqui se coloca em evidência as questões estéticas relacionadas à arquitetônica do autor, visando elucidar as considerações feitas por Bakhtin, as quais se aproximam da ideia geral dos “formalistas”: não ler o texto artístico apenas do ponto de vista psicoautobiográfico, nos contextos próximos de seu autor, pois a obra deve ser lida enquanto obra em relação ao “tempo grande” (BAKHTIN), ao “espaço literário” (BLANCHOT) da interpretação-compreensão.

 

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