24 A 26 DE ABRIL DE 2018

FACULDADE DE CIÊNCIAS E LETRAS

UNESP ASSIS

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GED

Comunicações Coordenadas: 25/04

Localização: Prédio 1 Sala 1 - 14h – 16h                                                          25/04/18

Eixo Temático: Análise Dialógica do Discurso

 

Sessão Coordenada 3 – INTERAÇÕES MIDIÁTICAS: UM OLHAR BAKHTINIANO PARA O SUJEITO NA REDE

Coordenadora: Marcela Barchi Paglione (UNESP FCLAr – PPGLLP – FAPESP)

Resumo geral: A proposta central dessa comunicação coordenada é analisar enunciados em materialidades diversas que concretizam a dimensão verbivocovisual da linguagem (PAULA; SERNI, 2017), principalmente no que tange suas recepções, produções e circulações nas mídias, de maneira a contemplar produções fílmicas, televisivas e de plataformas digitais como o Youtube e o site do grupo de estudos. Calcados nos estudos bakhtinianos sobre a linguagem, pensamos a constituição do sujeito como parte de uma interação de no mínimo dois participantes, de modo que há uma descentralização a respeito do foco do sujeito, não em um “eu”, mas no “eu-outro”, na interação dialógica que, nessa perspectiva, é constitutiva da linguagem. Diante de tal, procuramos analisar as diferentes constituições do sujeito na mídia, tanto em enunciados fílmicos como a franquia Meu Malvado Favorito (2010, 2013, 2015 e 2017), no fanfilm Voldemort: The origins of the heir (2018) e em fanvideos-respostas dos fãs do seriado Sherlock (2010), ambas produções de fãs veiculadas no Youtube, bem como no site do Grupo de Estudos Discursivos – GED, de maneira a analisar, respectivamente, relações entre os sujeitos minions e Gru; a construção do sujeito Voldemort; a possibilidade de construção autoral entre os sujeitos-fãs de Sherlock e a elaboração e desenvolvimento do site do GED como possibilidade de interação entre sujeitos e construção de sentidos. Em meio às diferentes relações arquitetônicas de recepção circulação e produção de enunciados possibilitadas pelas plataformas e gêneros, os sujeitos são constituídos em suas interrelações midiáticas. Assim, procura-se, com essa comunicação coordenada, associar trabalhos que se centrem na questão de mídia a partir do olhar bakhtiniano, de maneira a tecer diálogos entre estudos em diferentes gêneros e plataformas midiáticas.

 

Titulo da comunicação: RELAÇÕES DE AUTORIA NA REDE: PRODUÇÕES DE FANVIDEOS DE SHERLOCK

Autora: Marcela Barchi Paglione (UNESP FCLAr – PPGLLP – FAPESP)

Resumo: O presente trabalho tem como objetivo analisar a constituição dos sujeitos fãs do seriado Sherlock (2010) em sua relação a produção do seriado, de maneira a constituírem-se como autores de seus enunciados no processo dialógico de resposta aos episódios. A partir da filosofia da linguagem do Círculo Bakhtin, Medvíedev, Volochinov e com o método dialético-dialógico (PAULA et ali) procura-se, em âmbito teórico, analisar a relação entre os conceitos de sujeito e autor, bem como, em âmbito analítico, entender o processo de produção autoral dos fãs de Sherlock. De acordo com Bakhtin (2011), a instância do autorcriador é tomada como princípio ativo, consciência englobante de uma obra, dada somente em sua relação com o outro, seja ele o herói, leitor ou personagem, na esfera artística, tal qual o sujeito na esfera da vida. Assim, ambas são relações baseadas no princípio da exotopia, da visão totalizante do sujeito extraposto ao eu. Faz-se aqui uma proposta de um ponto de intersecção entre ser autor e ser sujeito, sem total equivalência de ambos, visto que são conceitos usados em diferentes circunstâncias, um no mundo da vida e outro no mundo da arte. Toma-se como objeto da discussão dois fanvideos criados por fãs de Sherlock, em sua resposta ao final da segunda temporada, a respeito da morte de Sherlock e a conseqüente solidão de seu melhor amigo John. Entende-se o seriado como um gênero discursivo constituído transmidiaticamente na contemporaneidade (JENKINS, 2006), pois sai da televisão e vai para outros meios, principalmente para a Internet, local em que os episódios circulam, recebem teorias e são respondidos por fãs. Assim, procura-se demonstrar, com esse trabalho, como o seriado, especialmente Sherlock, em sua recepção, produção e circulação na esfera midiática, constitui-se como um fenômeno na Rede que permite ao seu público a possibilidade de tornar-se autor.

 

Titulo da comunicação: "DO LITERÁRIO AO YOUTUBE: UM OLHAR BAKHTINIANO SOBRE UMA PRODUÇÃO FAN-TÁSTICA DE HARRY POTTER"

Autora: Ana Beatriz Maia Barissa (UNESP FCLAr – PPGLLP)

Resumo: A proposta deste trabalho é analisar a (re)construção da personagem Voldemort da saga Harry Potter, em um vídeo denominado Voldemort: The origins of the heir (2018), veiculado no Youtube e produzido por fãs. Nossa pretensão é compreender a construção dessa personagem, realizada a partir da interpretação da saga potteriana e que se configura como uma resposta verbivocovisual transmidiática a um enunciado verbal e também como o jogo entre leitura e produção ocorre nesse tipo de enunciado. No que concerne à proposta bakhtiniana de linguagem, recorreremos a alguns conceitos base do Círculo como suporte a este trabalho, tais como: enunciado, diálogo e autor-criador. No caso do nosso objeto de análise, este é considerado um fanfilm e tem em sua construção uma estrutura cinematográfica: com trabalho de cena, iluminação, figurino (muito semelhante ao das personagens dos filmes), efeitos sonoros e especiais. É nessa constituição material (formada pelo vocal, verbal e visual) que consideramos as ideologias carregadas em sua arquitetônica e que, por conseguinte, influencia na construção da personagem Voldemort. Como a proposta é trabalhar com um enunciado transmidiático veiculado em uma plataforma virtual, trazemos a concepção de cultura de convergência de Jenkins, a qual defende a ideia de um consumo cultural (principalmente de massa) feito de modo coletivo, o que acaba por resultar em produções de fãs em materialidades diversas, tais como: fanfictions (ficções escritas sobre determinada obra), fanvideos (vídeos feitos com fragmentos de um filme), fanarts (desenhos ou imagens formatadas para dar nova significação) e fanfilms (vídeos com uma duração um pouco mais longa e com construção de uma narrativa). O presente trabalho será feito sob o método dialético-dialógico e por cotejo, o que proporcionará a abrangência de outros fanfilms e, assim, enfatizar esse fenômeno de circulação, recepção e produção de uma obra.

Titulo da comunicação: "REDES DIALÓGICAS: SUJEITOS-USUÁRIOS EM (INTER)AÇÃO"

Autora: Juliana Ruiz Buchi Marcondes (UNESP Assis - PIBITI)

Resumo: O presente trabalho se volta aos enunciados digitais à luz da filosofia da linguagem bakhtiniana, refletindo sobre como a elaboração e o desenvolvimento de suportes técnico-tecnológicos podem promover a interação entre sujeitos e a constituição de sentidos e identidades. Para tanto, voltamo-nos ao site do GED (www.gedunesp.com) e para a sua Área do Associado. O site do GED é pensado para ser um espaço que funcione como acervo da história do Grupo, nos permite divulgar eventos, editais, pesquisas e informações da área de Linguística, bem como os trabalhos desenvolvidos por nossos integrantes. A Área do Associado foi desenvolvida para garantir relações de interação mais efetivas entre os usuários e também maior autonomia do próprio Grupo. Os associados podem se inscrever em eventos organizados pelo GED e acessar facilmente seus certificados, cartas de aceite, dentre outros. Cada usuário/associado constitui sua identidade e história em relação ao Grupo, que também é constituído por estas interações. O método utilizado é o exploratórioexperimental e o dialético-dialógico. A teoria bakhtiniana nos oferece suporte para pensarmos sobre os conceitos de linguagem, sujeito e suas relações intersubjetivas, e também como o discurso digital se constrói, refletindo e refratando a realidade. O conceito de cultura da convergência de Jenkins (2006) também nos permite pensar nas relações entre indivíduos, sociedade e tecnologia, para que se possa compreender como as modificações das mídias também modificam nossas formas de produzir, interagir e de nos comunicar. Dessa forma, pretende-se compreender de que maneiras a tecnologia e os enunciados digitais podem ser pensados e utilizados como linguagem, dentro de um contexto virtual formado por sujeitos do universo acadêmico (mais especificamente voltados aos estudos da linguagem), bem como qual o papel a ser desempenhado por essa tecnologia nesse universo acadêmico, espelhando o contexto cultural em que estão inseridos alunos, professores e pesquisadores.

 

Titulo da comunicação: UMA ANÁLISE BAKHTINIANA DA FEBRE AMARELA “MINIONS”

Autora: Natasha Ribeiro de Oliveira (UNESP FCLAr – PPGLLP – CAPES)

Resumo: Este trabalho, calcado nos estudos sobre a filosofia da linguagem do Círculo de Bakhtin, Volochínov e Medviédev, tem como objetivo compreender como estão constituídas as relações entre os sujeitos minions e Gru, presentes na franquia de enunciados fílmicos Meu Malvado Favorito (2010, 2013, 2015 e 2017). A fim de analisar a relação arte (enunciado estético) e vida (matéria poética), o foco recai sobre os sujeitos empregadores (o malvado favorito) e sujeitos trabalhadores (a mão-deobra massiva). O método de pesquisa, dialético-dialógico e realizado por cotejo, possibilita a reflexão acerca da construção arquitetônica desses enunciados, ao abri-los ao diálogo (e não a um fim absoluto), de tal forma que viabiliza compreender como as vozes sociais sobre as relações de trabalho e o massivo estão constituídas e relacionadas, dialogicamente. Dessa forma, o estudo visa analisar como, a partir dos estudos bakhtinianos, um enunciado estético é veiculado e reproduzido midiaticamente, bem como constrói sentidos que são estabelecidos entre os sujeitos (mediados pela linguagem) a partir de uma interação social, corroborando, assim, com a reflexão acerca das relações de trabalho e da transformação dos enunciados em produto de consumo dentro da indústria cultural. A justificativa do estudo recai na relação que se estabelece entre produção, circulação e recepção de enunciados estéticos na contemporaneidade.

Localização: Prédio 1 Sala 2 - 14h – 16h                                                          25/04/18

Eixo Temático: Análise Dialógica do Discurso

 

Sessão Coordenada 4 – VERBIVOCOVISUALIDADE DA E NA LINGUAGEM: CONCEPÇÃO E MATERIALIDADES

Coordenadora: Luciane de Paula (Unesp Assis/PPGLLP Araraquara – GED)

Resumo geral: Esta sessão de comunicação reúne trabalhos voltados à análise da verbivocovisualidade, seja encarada como constitutiva da concepção bakhtiniana de linguagem (aporte teórico-metodológico fundante das reflexões empreendidas), entendida como tridimensiconal; seja como materialidade explicitada em enunciados sincréticos que exploram mais de uma dessas dimensões (verbo-visual ou verbo-musical, por exemplo). Duas perspectivas (de linguagem e na linguagem) que podem coadunar ou não. A primeira comunicação se volta à análise da linguagem performática d`O Teatro Mágico, focada na tridimensionalidade (verbivocovisual) do vídeo oficial da canção “Pena” para refletir acerca da estética autoral da trupe como exemplo de concepção de arte como ato de linguagem. A segunda se volta à verbivocovisualidade como constitutiva da linguagem até no silêncio que, como ato, expressa, diz e faz. O exemplo analítico no qual se pauta a reflexão se volta a dois filmes: “Um olhar a cada dia” (Ulysses´Journey), de Théo Angelopoulos; e “O Sacrifício” (Offret), de Andrei Tarkovski; além de uma instalação em Realidade Aumentada no MoMA (Museum of Modern Art). A terceira apresentação pretende, a partir da análise do vídeo “Isso não é normal”, do site do Jornal Extra, em que é anunciado o novo editorial “Guerra do Rio”, tratar da verbivocovisualidade como procedimento de análise calcado na construção arquitetônica enunciativa. A quarta e última comunicação se volta à apresentação de alguns resultados de pesquisas desenvolvidas pelo SLOVO, de gêneros variados, e tem como foco pensar as diferentes materialidades (especialmente verbais e visuais) enunciativas, tomado, o enunciado, como evento único de um processo sócio histórico. O objetivo desta sessão é refletir sobre o postulado bakhtiniano para estudos de discursos verbivocovisuais e para a Análise Dialógica de Discursos de materialidades diversas, como se tem feito no Brasil, na contemporaneidade.

 

Titulo da comunicação: A VERBIVOCOVISUALIDADE DA LINGUAGEM DA ARTE: A “PENA” D´O TEATRO MÁGICO"

Autora: Luciane de Paula (Unesp Assis/PPGLLP Araraquara – GED)

Resumo: Esta comunicação parte da hipótese, estudada por PAULA (2017, em andamento) de que a concepção de linguagem assumida pelo Círculo de Bakhtin abarca uma tridimensionalidade que supõe a presença, mesmo que não materialmente explicitada, da verbalidade, da vocalidade e da visualidade em qualquer gênero, concomitantemente. A concretude máxima dessa concepção tridimensional (verbivocovisual) pode ser examinada materialmente em enunciados sincréticos. O estudo do enunciado sincrético considera a tridimensionalidade constitutiva da linguagem numa materialidade que explora concretamente a verbivocovisualidade. Refletir sobre isso é a proposta desta comunicação, a partir de um vídeo oficial performático d´O Teatro Mágico (OTM), execução da canção “Pena”. O método dialético-dialógico bakhtiniano (PAULA et al, 2012) considera o corpus principal e o cotejo para chegar à arquitetônica, como propõe esta apresentação (que trará outros vídeos da mesma e de outras canções para a discussão). O objetivo é analisar a verbivocovisualidade da linguagem expressa num enunciado que explora em demasia essa dimensão e verificar como a trupe d´OTM trabalha as potencialidades verbivocovisuais da linguagem como marca estilística de sua arte. Essa exemplificação contribui com os estudos bakhtinianos voltados às produções artística, cultural e midiática com foco na erbivocovisualidade como arquitetônica da linguagem explorada à máxima potência na contemporaneidade. O trabalho extremo com essas dimensões arquitetadas numa unidade discursiva sólida revoluciona não apenas a concepção de arte e gênero, mas também da própria linguagem. A hipótese é a de que O Teatro Mágico, mais que encontrar um espaço identitário de arte e um nicho de mercado, revoluciona o fazer artístico dentro do cenário industrial contemporâneo, bem como suas produções independentes colocam em cheque as noções de arte e gênero ao confirmarem a relativa estabilidade enunciativa como constitutiva humana. Afinal, o estético composto pela alteridade, na relação com a vida, como ato, explicita a proposta de heterociência da filosofia bakhtiniana.

 

Titulo da comunicação: "ENUNCIADOS VERBIVOCOVISUAIS: HÁ MAIS COISAS ENTRE O CÉU E A TERRA DO QUE SUSPEITAM NOSSAS VÃS TEORIAS"

Autor: Marco Antonio Villarta-Neder (UFLA-GEDISC/UNESP-GED)

Resumo: A proposição teórico-epistemológica-axiológica da constituição verbivocovisual da linguagem tem implicações importantes para a discussão dentro do campo do Círculo de Bakhtin, Medviédev e Volóchinov. Advinda de uma leitura acurada das possibilidades que as concepções do Círculo permitem, constitui um esforço analítico na direção da constituição de uma heterociência, adentrando limites para além do que propôs Bakhtin (2017 [1975]) ao falar de translinguística, sem, no entanto, descaracterizar os pressupostos que sustentam as reflexões bakhtinianas. O objetivo dessa comunicação é discutir, no âmbito da verbivocovisualidade (PAULA, 2014), três instâncias interdependentes e complementares na cadeia enunciativa: dizer/fazer/silenciar. Propõe-se, em primeiro lugar, discutir como essas três instâncias podem compor a verbivocovisualidade da cadeia enunciativa. Para isso, serão trabalhadas cenas de dois filmes: Um olhar a cada dia (Ulysses ´Journey), de Théo Angelopoulos; O Sacrifício (Offret), de Andrei Tarkovski e de uma instalação em Realidade Aumentada no MoMA (Museum of Modern Art), de Nova Iorque. Para Volóchinov (2013 [1930]), o enunciado constitui uma resposta a um enunciado anterior e suscita uma resposta posterior, seja como compreensão, seja como réplica (enquanto signos), destinado a um auditório e dentro de uma situação. Se, como o próprio autor discute, a réplica a um dizer pode ser um gesto, um silêncio, uma compreensão, então pode-se tomar qualquer outra semiose como resposta possível. Nesse contexto, podemos, também, considerar que há signos do fazer, enquanto práticas sócio históricas que são ideológicas e simbólicas. Há várias teorias que pensam o dizer e o fazer em conjunto. No entanto, diferentemente delas, o campo bakhtiniano permite discutir e analisar essa relação na produção intersubjetiva dos sentidos, na unidade do acontecimento. Enfim, para se discutir a questão do silêncio, será utilizada a abordagem de Villarta-Neder (2018).

 

Titulo da comunicação: PALAVRA, IMAGEM, MÚSICA... MÍDIA EM GUERRA: O ENUNCIADO VERBOVOCOVISUAL “GUERRA DO RIO”, DO JORNAL EXTRA

Autora: Grenissa Bonvino Stafuzza (UFG CAC)

Resumo: No conjunto dos escritos do Círculo de Bakhtin, a noção nodal de diálogo compreende tanto a relação entre enunciados como a relação entre enunciados e sujeitos por meio da linguagem, da cultura, das relações sociais. Assim, é possível compreender a noção de sujeito dialógico-ideológico pensada pelo Círculo, uma vez que o sujeito bakhtiniano circunscrevese em uma arquitetônica social, especialmente cronotópica e exotópica, e por essa arquitetônica é constituído. A comunicação verbal, por sua vez, apresenta-se na obra do Círculo como um processo bastante complexo entre falantes, situado em um dado tempo e espaço, marcadamente social – realizada por meio da fala e da escrita – constituída pelasinstâncias verbal, visual e vocal, sendo possível o estudo da voz, da entonação, da gestualidade, da imagem etc. Apesar de Bakhtin e seu círculo não mencionarem “verbovocovisualidade”, nem “discursos verbovocovisuais”, seus escritos trazem importantes contribuições para abordarmos o “verbovocovisual” como um procedimento de análise, uma vez que o discurso tomado como objeto de análise se constitui por elementos verbais, vocais e visuais, sendo a obra do Círculo suporte para análises. Diante disso, propomos analisar o vídeo “Isso não é normal”, publicado no dia 16 de agosto de 2017, no site do Jornal Extra, em que o diretor de redação, Octavio Guedes, e o repórter Rafael Soares, responsável pela reportagem de capa do Jornal Extra, anunciam o novo editorial “Guerra do Rio”. Logo, esperamos poder mostrar como funciona a verbovocovisualidade na composição do todo arquitetônico do enunciado em estudo, de modo a oferecer uma amostra da produtividade dos postulados teóricos do Círculo de Bakhtin para os estudos de discursos contemporâneos.

Titulo da comunicação: "O ENUNCIADO COMO EVENTO DISCURSIVO: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES"

Autora: Marina Célia Mendonça (UNESP FCLAr)

Resumo: Neste trabalho, pretendo apresentar resultados de pesquisas recentes desenvolvidas no interior do SLOVO-Grupo de Estudos do Discurso (CNPq), sob minha orientação, em que se toma o enunciado como evento discursivo. Essas pesquisas têm por embasamento teórico-metodológico estudos de/sobre o Círculo de Bakhtin. Nesta apresentação, o interesse é destacar caminhos para analisar o enunciado em suas diferentes materialidades (com destaque para o verbal e visual), tendo em vista sua arquitetônica. A perspectiva dialógica do Círculo concebe o enunciado concreto como evento óciohistórico e, como tal, não pode ser separado de sua enunciação, que agrega diferentes linguagens dependendo da forma como ela se dá. Entende-se, assim, o enunciado como um processo, sem separá-lo não só da “rede discursiva” que o constitui e lhe dá sentido (memórias do passado e do futuro), mas também da situacionalidade imediata (contexto, gestualidade, espaço/tempo de enunciação, interlocutor, suporte de textos etc) e contexto sócio-histórico. Pesquisas desenvolvidas no interior do grupo tomam como corpus, por exemplo, enunciados em sites, seções em revistas impressas, videoaulas, ilustrações e charges na mídia impressa, questões de prova, memes. As abordagens dos diferentes gêneros estudados compartilham o pressuposto teórico-metodológico de que linguagens, sujeito e contexto sócio-histórico não podem ser tomados isoladamente na análise do enunciado, tomado como um todo de sentido.

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