24 A 26 DE ABRIL DE 2018

FACULDADE DE CIÊNCIAS E LETRAS

UNESP ASSIS

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Comunicações Individuais: 25/04

Localização: Prédio 1 Sala 5 - 14h – 16h                                                          25/04/18

Eixo Temático: Análise Crítica do Discurso

 

Titulo da comunicação: MÍDIA HEGEMÔNICA E COMUNICAÇÃO MEDIADA: IMPLICAÇÕES PARA A PRODUÇÃO DE VERDADES E A SUBJETIVAÇÃO

Autora: Andreza Cristina Ferreira (UNESP Assis)

Co-autora: Ana Julia Faccio de Medeiros (UNESP Assis)

Resumo: É inegável a influência direta que os veículos de comunicação exercem na produção e difusão de discursos e formas simbólicas em diversos domínios nas sociedades modernas. Destarte, variados segmentos sociais têm voltado sua atenção ao predomínio de grandes grupos midiáticos em relação ao fluxo informacional que os mesmos intendem controle, o que os assegura centralidade na difusão e entendimento dos eventos políticos, econômicos e socioculturais pela população. À vista disso, o Programa de Educação Tutorial (PET Psicologia) da UNESP Assis desenvolveu ações de ensino e extensão que ofereceram a toda comunidade a oportunidade de compreender os sentidos das formas simbólicas e dos efeitos de verdade produzidos pelos meios de comunicação, favorecendo a apropriação pelos participantes de referenciais teóricas e metodológicas para a leitura crítica e a compreensão dos discursos e atividade linguageira dos profissionais de mídia. Tal movimento se deu através de ciclos de estudos, conferências e palestras ministradas por profissionais área e em cursos abertos ao público. Tais ações promoveram o aprendizado e debate sobre os principais períodos da comunicação mediada e o avanço de tecnologias de armazenamento e difusão de informações através de recursos teóricos da abordagem histórico-social, assim como ao exame político dos cenários contemporâneos que envolvem os grandes veículos midiáticos. Assim, foi possível identificar a invenção e história da comunicação mediada capitalista; compreender as relações entre tecnologia, transformação da mídia e comercialização de informações; o reconhecimento das formas de poder e teses retóricas de produção da verdade e utilizações da mídia nacional; avaliar os impactos da mídia na construção da identidade e processos de subjetivação. Ainda, os modos que assume o poder; as teses retóricas das elites; a liberdade de imprensa; filosofia das práxis sobre cultura e mídia; experiência mediada.

 

Titulo da comunicação: ANÁLISE CRÍTICA DO DISCURSO MIDIÁTICO INTERNACIONAL SOBRE O IMPEACHMENT DE DILMA ROUSSEFF

Autora: Mariana Reis Mendes (UFG/CAPES)

Resumo: Graças à interconexão globalizada proporcionada pela internet, o público jornalístico, antes bem definido por barreiras geográficas, torna-se cada vez mais exigente e heterogêneo. A dissolução das barreiras entre o noticiário regional e o internacional demanda do repórter a habilidade de formatar a notícia conforme as expectativas de seu público, correndo o risco de, caso contrário, apresentar um produto irrelevante à audiência que pretende informar. Assim como a tradução de um texto deve se adequar às demandas do público alvo, passando por alterações em função da cultura de chegada, também o jornalismo é condicionado por variáveis socioculturais. Dessa forma, parte-se do pressuposto de que a tradução – compreendida como a reescrita de um texto de partida elaborado em um idioma para um texto de chegada, em outro – e o jornalismo – como a representação de um fato em forma de notícia – correspondem a representações culturais. Nesse sentido, esta pesquisa busca, através da Análise Crítica do Discurso, analisar textos produzidos pela agência de notícias Reuters em inglês e português sobre o impeachment de Dilma Rousseff, para identificar elementos linguísticos que comprovem as diferenças na representação cultural de um fato em culturas distintas e, consequentemente, os impactos ideológicos dessas representações. Para tanto, fundamenta-se em Djik (1988; 2003), Fairclough (2003), Foucault (2008), Bakhtin (2016) e Talbot (2007), na Análise Crítica do Discurso; Paz (2009), Vicentini, Ferreira e Peixoto (2008) e Bassnett (2002), nos Estudos da Tradução; Wolf (1999) e Correia (2011), Aguiar (2008) e Bilesa e Bassnett (2009), no jornalismo; e Zipser (2002) e Polchlopek (2005), que refletem acerca da relação entre jornalismo e tradução. A pesquisa permite concluir que textos elaborados para informar públicos de diferentes contextos socioculturais apresentam diferentes representações de um fato e dos atores envolvidos, contendo direcionamentos ideológicos também distintos.

 

Titulo da comunicação: A REPRESENTAÇÃO SOCIAL DA CIDADE DE SÃO PAULO: VOZES DA GLOBALIZAÇÃO E NARRATIVAS DE VIDA

Autora: Joana Ormundo (UNIP/FATESC-SP)

Resumo: Este trabalho analisa as formas de representação social da cidade de São Paulo por meio das narrativas de vida de moradores de diversos bairros da cidade. Nosso objetivo consiste em resgatar a memória dos bairros, considerando o uso das linguagens e as vozes da globalização dos diversos agentes sociais que vivem nos locais selecionados para a pesquisa. Para isso, elegemos as categorias analíticas das vozes da globalização e da recontextualização na perspectiva da Análise de Discurso Crítica como proposto por Norman Fairclough (2003, 2006) e da Multimodalidade na perspectiva da Semiótica Social com base nos estudos de Gunther Kress e Van Leweeuen (1996) e van Leeuwen (2005). Os procedimentos metodológicos, consistem nos depoimentos de moradores e outros agentes sociais que circulam e vivem no espaço selecionado para a pesquisa no sentido de coletar narrativas de vida que contribuam para o resgate da memória do local. As narrativas coletadas são recontextualizadas para o blog Olhar São Paulo você já viu?. Os resultados são materializados em narrativas multimodais e publicados no blog http://olharspturismo.blogspot.com.br/, visando o resgate da memória da cidade por meio da voz de quem vive a história da cidade e como ocorre a representação social do discurso da cidade recontextualizado nas vozes da globalização: análise acadêmica, pessoas comuns, organizações governamentais, organizações não governamentais e voz da mídia.

 

Titulo da comunicação: DISCURSOS PUBLICITÁRIOS GOVERNAMENTAIS NAS REDES SOCIAIS: UMA REFLEXÃO SOBRE ATO RESPONSÁVEL E ENUNCIAÇÃO SOB A PERSPECTIVA BAKHTINIANA

Autora: Natália Rodrigues Silvia do Nascimento (UFLA-GEDISC-PIBIC-CNPq)

Co-autor: Raphael Soares Sales (UFLA-GEDISC)

Resumo: As mídias sociais podem ser consideradas atualmente o principal veículo de difusão de produtos, de ideologias e, principalmente, de opiniões. E por terem tal potencial de irradiação têm sido utilizadas pelas pessoas, pelas empresas e também pelos órgãos governamentais para propiciar a divulgação rápida e abrangente de suas marcas e concepções. Desta forma, o Governo Federal do Brasil utiliza seus perfis oficiais nas redes sociais para divulgar as suas atividades e propostas de governo, as quais são defendidas e justificadas por meio de variados recursos digitais e midiáticos. Nesse sentido, com base nos conceitos bakhtinianos de enunciação (vyskazyvanie) e de ato responsável, o objetivo do presente estudo é analisar os mecanismos discursivos utilizados pelo Governo Federal para difundir seu projeto de sentido nas redes sociais e refletir sobre o modo como são construídas as respostas pelo grande público durante o intercâmbio comunicativo social. Para tanto, propõe-se analisar as publicações realizadas pelo perfil social do Governo Federal intitulado “Planalto” na rede social Facebook, as quais são formadas por textos multimodais e multissemióticos, bem como os comentários emitidos pelos demais usuários da rede, os quais refletem e/ou refratam os sentidos construídos a partir dos discursos oficiais. Utilizando como base teórica principal os estudos do Círculo de Bakhtin (Bakhtin 2010, 2011 e Volochínov 2013) e de Kress e Van Leeuwen (2006), a presente pesquisa se mostra relevante, pois almeja a construção de uma análise das mensagens produzidas pelo Governo Federal, refletindo sobre a construção de sentidos a partir de um estudo crítico do material examinado à luz das teorias selecionadas.

 

Localização: Prédio 1 Sala 6 - 14h – 16h                                                          25/04/18

Eixo Temático: Semiótica e Semiologia

 

Titulo da comunicação: FORMAS DE VIDA E NEOLIBERALISMO: A PERSEVERANÇA NO CURSO DE VIDA DE UM DAILY VLOGGER

Autor: Marcos da Veiga Kalil Filho (UFF – CAPES)

Resumo: Fontanille (2015) estabelece o conceito de formas de vida, a partir de uma perseverança em um curso de vida, que estabiliza linguagens no centro de uma semiosfera (Lotman, 1999), ao mesmo tempo em que prevê dinamicamente outras em sua margem, em sentido disruptivo e instável. O autor (2016) conclama os semioticistas a incorporar esse nível de pertinência a seus trabalhos, como meio de atender às expectativas sociais sobre a pesquisa acadêmica em Semiótica. Nesse diapasão,  o presente trabalho busca articular o percurso gerativo da expressão, ao analisar os daily vloggers, pessoas que registram sua vida diariamente em vídeo em canais como o Youtube, criando comunidades em torno dessa publicização. Texto- enunciado, objeto, práticas, estratégias e formas de vida são perquiridas, tendo em vista a relação desses sujeitos com a ideia de trabalho e o conceito de "sujeito neoliberal" (DARDOT; LAVAL, 2016). Imbuídos do mote de que não estão trabalhando por estarem fazendo o que gostam, os daily vloggers parecem dispor de todas as dimensões de sua vida, inclusive a privacidade e as relações de afeto mais íntimas, com o objetivo de alcançar suas metas profissionais. Dessa forma, aparentemente, negam o projeto de vida empresarial, mas, em verdade, persistem em suas condições até mais do que outros trabalhadores. Nesta etapa, buscar-se-á demonstrar o engendramento da significação, passando pelo Youtube como estratégia e prática, o canal "Isabella e Felipe", como texto-enunciado e os objetos dos quais decorrem em expansão e condensação os demais níveis, sem perder de vista a hipótese que se vislumbra de entender a forma de vida neoliberal.

 

Titulo da comunicação: MUITO PRAZER, SOU ESCRITORA: ANÁLISE DISCURSIVO-SEMIÓTICA DE AUTOBIOGRAFIAS DE ESCRITORAS NA ANTOLOGIA CARTOGRAFIAS LITERÁRIAS: VOZES FEMININAS DO PARANHANA

Autora:  Luciane Maria Wagner Raupp ( FACCAT)

Co-autora: Liane Filomena Muller  (FACCAT)

Co-autora: Dieila dos Santos Nunes (UNISINOS)

Resumo: A partir de pesquisa sobre as escritoras não publicadas do Vale do Paranhana – RS, organizou-se uma antologia de crônicas, contos e poemas produzidos por onze estreantes no meio literário. Cada uma delas também redigiu uma autobiografia, objeto de estudo discursivo-semiótico deste trabalho, que teve por objetivo analisar as disjunções e conjunções com os estereótipos e com o senso comum acerca das representações das mulheres escritoras que se encontram nesses textos (FOUCAULT, 1992). A partir do levantamento dessas conjunções e disjunções (GREIMAS, 1976; BARROS, 2002), analisou-se como, nesses textos, os sujeitos da enunciação qualificam-se e até mesmo se justificam como autoras, nas instâncias de “autor-ator” ou até mesmo de “autor” (MAINGUENAU, 2010; FIORIN, 2008). Observou-se que, em alguns textos, o eu que se enunciava (CHARAUDEAU, 2008) buscava certo distanciamento ao utilizar a terceira pessoa para falar de si mesmo, em uma relação de disjunção com a identidade do ser histórico e material anunciado no título, com nome e sobrenome. Ao mesmo tempo, outro ponto fortemente em comum revelado pela análise é encontrado no eixo fazer- parecer (GREIMAS, 1976; BARROS, 2002), no qual todas procuraram situar-se como profissionais multitarefas, desdobrando-se em atividades de variadas ordens ao mesmo tempo. O apreço aos estudos e à leitura, da mesma forma, também se situou nesse eixo de forma quase unânime, além de outras características. Como considerações finais, ressaltamos que as autobiografias, sob a análise discursivo-semiótica, revelaram estratégias de fazer-parecer e de fazer- crer, as quais acabaram por representar os sujeitos enunciadores como sensíveis às questões do seu entorno, reproduzindo conjunções com marcas do discurso feminino e feminista ao se qualificarem como “autoras”.

 

Titulo da comunicação: DISCURSO MUSEAL EM TRÊS EXPOSIÇÕES DO MUSEU DE FOLCLORE EDSON CARNEIRO

Autor: Fábio Pereira Cerdera (UFRRJ)

Resumo: Na relação entre o espaço museal, o bem cultural e o sujeito que interage com ambos, a experiência que atravessa esses termos evoluiu de uma concepção focada no signo cultural e em discurso centrado na monumentalidade dos grandes temas da nação, em direção a um discurso sobre o cotidiano e uma concepção conjuntural que agencia a materialidade dos objetos e suas práticas, dentro da totalidade de sentido inerente a seus processos constituidores. Se desde a década de 1970 os modelos museográficos consideram a educação e a apreciação dentre os seus objetivos, e a partir dos anos 2000, o conceito de museu se expandiu para um leque de instituições e espaços bastante significativo (Silva, 2012), torna-se premente a reflexão a respeito das formas de facilitação de seus valores. O objetivo desta comunicação é discutir as possibilidades de interação no espaço museal através da semiótica greimasiana. Já é bastante conhecido o modelo de análise do plano do conteúdo, assim como as discussões em torno dos objetos sincréticos. No entanto, pouco se desenvolveu a respeito do plano de expressão. Pesquisas recentes vêm discutindo níveis de pertinência referentes ao plano de expressão como uma correlação entre várias instâncias dentro de uma situação semiótica (Fontanille, 2005; 2015). Tais níveis comportam desde estruturas mínimas como os signos, passando pelos enunciados e textos, cenas, até o que Fontanille denomina por formas de vida, onde há o ajustamento de estratégias que configuram o estilo de um determinado sujeito, desenhado com base na programação de seus percursos espaço-temporais. A partir desses conceitos, pretendemos neste trabalho, analisar as estratégias de três exposições do Museu de Folclore Edison Carneiro, no Rio de Janeiro, separadas diacronicamente pelo tempo, observando como o sentido constrói o fato museal, isto é, a relação sujeito/bem cultural/espaço museal.

Localização: Prédio 1 Sala 9 - 14h – 16h                                                          25/04/18

Eixo Temático: Análise do Discurso Francesa

 

Titulo da comunicação: CONTRIBUIÇÕES DA METODOLOGIA FILOLÓGICA À ANÁLISE DO ETHOS DISCURSIVO

Autora: Ana Carolina de Souza Ferreira (USP- FAPESP)

Resumo: A escolha da edição de um texto a ser estudado, em especial o escrito, pode ser decisiva em relação à legitimidade dos resultados de sua análise. Assim, o objetivo desta comunicação é demonstrar como certos conceitos da área da Crítica Textual, em especial os relacionados ao método lachmanniano, podem ser aplicados por pesquisadores na seleção da edição do texto que utilizam como objeto de exame ou, ainda, no norteamento de um possível caminho para iniciar sua própria edição, caso seja necessário. Para isso, buscaremos expor os critérios definidos por Karl Lachmann (1793-1851) para a consideração de uma edição textual fidedigna, sintetizados nos manuais de Blécua (2001), Spaggiari e Perugi (2004) e Cambraia (2005), e utilizaremos, como exemplo de sua aplicação à Análise do Discurso, o caso relacionado à transmissão da peça Auto da Barca do Inferno, do dramaturgo português, Gil Vicente. Tal peça apresenta três testemunhos interessantes do ponto de vista filológico, isto é, relevantes para o estabelecimento de uma edição crítica: o primeiro de 1517, publicado com o autor vivo; o segundo de 1562, publicado após a morte do autor, com certa revisão da Inquisição portuguesa e de responsabilidade do filho do autor; e o terceiro de 1586, com revisão mais rígida inquisitorial. Sendo que, na maioria das edições modernas, costuma-se não apenas modernizar indiscriminadamente os fatos linguísticos e a ortografia da obra, como também mesclar os enunciados das duas primeiras edições descritas, gerando um terceiro texto híbrido, ilustraremos, portanto, como a escolha da edição da peça pode interferir diretamente na depuração do ethos discursivo (MAINGUENEAU, 2008) das personagens “Frade” e “Brísida vaz” da peça em destaque.

 

Titulo da comunicação: PICHAÇÃO: PERSPECTIVA IDEOLÓGICA E DE CONDIÇÃO DE PRODUÇÃO

Autora: Ana Carolina Bernardino (UEL)

Resumo: A linguagem é a base das relações sociais e seu estudo é uma forma de compreender a sociedade da qual fazemos parte. Dessa forma, analisar a linguagem faz com que possamos compreender o mundo em que vivemos e, através do estudo do discurso, podemos compreender/apreender os processos sócio-histórico-ideológico destes discursos. Assim, o presente trabalho aborda a temática do discurso urbano, em específico as pichações, a partir da perspectiva teórica da Análise do Discurso, de linha francesa (AD). Para esta pesquisa, foram utilizados como referencial teórico Eni Orlandi, Dominique Maingueneau, Helena Brandão, Mazière, entre outros. A metodologia adotada é a teórica metodológica, uma vez que o objetivo principal do trabalho é verificar de que forma os possíveis efeitos de sentidos são materializados na/pela linguagem, observados a partir da formação ideológica e das condições de produção em que estão inseridos, levando em conta sua dinamicidade. Orlandi (2005) aponta que os sentidos se constituem, são formulados e circulam de diferentes maneiras, por conta da relação que o homem estabelece na sociedade e na história, pois o homem é antes de qualquer coisa um sujeito que se constitui na/pela linguagem, através dos processos históricos. Nesse sentido, são pelas trocas entres os sujeitos que os sentidos irão se constituir e são evidenciados através das formações sociais, históricas e políticas. O corpus é composto por 03 imagens de pichações, selecionadas na internet. Pretendemos com esse trabalho compreender a produção de sentido por meio desse discurso, para identificar aspectos ideológicos e discursivos, pois todos os aspectos que envolvem a formulação/apreensão dos efeitos de sentidos são importantes para a relação que se estabelece entre o homem e seu meio social.

 

Titulo da comunicação: QUEM CALA CONSENTE, NÃO SENTE, OU SENTE: UNIDADES TÓPICAS E NÃO TÓPICAS NO PROCESSO DE (RE) SIGNIFICAÇÃO DO GÊNERO PROVERBIAL

Autora: Dayane Caroline  Pereira (UEL)

Resumo: Pensando no caráter dinâmico da linguagem, partimos de um estudo que contempla a movência dos sentidos, focando o uso em situações reais de comunicação. Desse modo, diante dos saberes sobre a linguagem e a sua relação com o sujeito, selecionamos um corpus que traduz o thesaurus cultural de uma sociedade e, mais do que isso, revela a forma de o sujeito significar o mundo. Nesse sentido, os provérbios são um rico objeto de análise no que se refere aos estudos pertencentes ao campo da linguagem, devido à sua dinâmica discursiva e à forma como eles são colocados em jogo, produzem sentidos e interpelam os sujeitos. Com o respaldo da Análise do Discurso de orientação francesa, visamos explicitar o processo de (re)significação do gênero proverbial, levando em conta os aspectos linguísticos, sociais, culturais, ideológicos, entre outros fatores responsáveis pela circulação dos sentidos. Outro ponto fundamental que constitui essa pesquisa é, por meio dos estudos das unidades tópicas e não tópicas, descrever a forma como alguns provérbios foram absorvendo novos sentidos, ainda que, muitas vezes, mantendo a mesma estrutura e/ou palavras. Com base nos apontamentos teóricos, verificaremos o funcionamento discursivo do gênero proverbial, além de explicitarmos os procedimentos metodológicos envolvidos nesse fenômeno.

 

Titulo da comunicação: A PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO À LUZ DA ANÁLISE DO DISCURSO

Autora: Marco Antônio Domingues Sant´Anna (UNESP Assis – PROFLETRAS)

Resumo: Sem a pretensão de realizar um estudo histórico tradicional que consideraria minuciosamente as origens do texto bíblico da parábola do bom samaritano, neste trabalho nosso foco incidirá, sobretudo, na análise da descrição realizada por Lucas da mudança do curso da enunciação, como uma possibilidade de subversão genérica, promovida pelo coenunciador, com a finalidade de marcar o posicionamento ético deste último, a partir de sinais emitidos pelo seu ouvinte. Em um dado momento de radicalização de um diálogo tipicamente racional, surgem-nos as seguintes questões: realmente há uma subversão do gênero dialético da disputa, com a instalação de um diálogo emocional, por meio do gênero da parábola? Ocorre, de fato, uma quebra intencional do contrato de comunicação? A resposta de um dos enunciadores, fornecida não por meio de argumentos e refutações – típicos da disputa dialética – mas sim por meio de um discurso parabólico constitui uma forma de organização diferente da anterior? Essa forma apresenta marcas formais características? Existem de fato elementos articulados para constituir uma cena de enunciação ou, mais especificamente, uma cenografia que, como tal, não é um simples alicerce, uma maneira de transmitir “conteúdos”, mas o centro em torno do qual gira a enunciação? Tornar-se-ia, então, o gênero da parábola, ele mesmo um legítimo componente do texto? É possível, portanto, perceber uma unicidade entre forma e tema que traduz um posicionamento mediante a recusa do outro gênero, o da disputa? Esse fato remete, pelo modo de dizer, a um modo de ser? Que modo seria esse? A tentativa de responder a essas questões, dentro do quadro teórico da análise do discurso, norteará nossas reflexões sobre as possíveis relações existentes entre os conceitos anteriormente indicados.

Localização: Prédio 1 Sala 10 - 14h – 16h                                                          25/04/18

Eixo Temático: Análise do Discurso Francesa

 

Titulo da comunicação: A FICÇÃO NOSSA DE CADA DIA: O DISCURSO DA TELENOVELA COMO RECURSO COMUNICATIVO

Autor: Rondinele Aparecido Ribeiro (UNESP Assis – PPGL)

Resumo: A telenovela é um gênero de ficção audiovisual que tem muita importância para a história da televisão brasileira. Inicialmente concebida como um produto menor na grade de programação, ao longo de sua trajetória, passou a incorporar elementos tecnológicos, adquiriu uma linguagem peculiar abandonando sua essência melodramática para incorporar elementos do realismo. Enquanto objeto privilegiado de construção de uma narrativa sobre o país, a telenovela, na atualidade, tem se constituído por tramas cada vez mais naturalistas ao explorar temáticas ligadas ao cotidiano do brasileiro. Por esse motivo, é possível sustentar a tese de que ela apresenta um grande potencial comunicativo, como defende Lopes (2014). Vale acrescentar que essa narrativa, por meio de seu discurso, constrói e desconstrói diversos aspectos da sociedade brasileira. A partir dessas considerações, este trabalho intenciona mostrar como esse gênero televisual incorporou temáticas sociais em seu enredo de modo a se constituir como uma narrativa acerca do Brasil devido à ampla discursivização na qual está estruturada. Assim, emprega-se como metodologia de investigação a AD de vertente francesa, que possibilita uma reflexão profunda acerca dos discursos propagados pela teleficção. Desse modo, o receptor pode analisar por meio do enunciado, a ideologia, a qual está estruturada num complexo campo em que se cruza aspectos sociais e históricos refletidos por meio da linguagem.

 

Titulo da comunicação: INVESTIMENTO VOCAL NA CANÇÃO “HISTÓRIA DE UMA GATA”

Autora: Maria das Dores Nogueira Mendes (UFC)

Resumo: Nesta pesquisa aprofundamos o conceito de intervocalidade mostrada, ao aplicá-lo à canção “História de uma gata” (Chico Buarque, 1977), que está no álbum “Os saltimbancos”. O objetivo principal é investigar a relação entre a mobilização de outras vozes pelos intérpretes e a constituição de posicionamento no discurso literomusical para crianças. Nosso suporte teórico é o da Análise do Discurso de linha francesa, conforme delineada por Dominique Maingueneau (1996ª/b, 1997, 2000, 2001, 2004, 2005, 2006ª, 2006b, 2008, 2010ª/b), que propõe os conceitos mais gerais de posicionamento e investimento, aplicados por Costa (2001, 2011) ao discurso literomusical brasileiro. A noção de intervocalidade mostrada integra o investimento vocal, ideia já desenvolvida em nossa tese de doutoramento “O duro aço da voz”: investimento vocal, cenografia e ethos em canções do PESSOAL DO CEARÁ (MENDES, 2013). Apesar de analisarmos apenas uma canção, os resultados já indicam a confirmação da hipótese de que, na MPB, encena-se um “diálogo” entre performer e criança, visto que ambos cantam partes diferentes da letra, ao passo que, na Canção de massa para crianças, as vozes infantis são apenas uma espécie de eco que repetem o dizer dos intérpretes. Os intérpretes adultos de canções para crianças parecem também se identificar com uma forma de cantar mais falada, na qual os recursos vocais empregados por eles constroem um tom mais coloquial, que os distancia de emissões vocais que investem mais na potência e na dramaticidade. Além disso, parece ser frequente os intérpretes adultos usarem suas vozes para imitar sons produzidos por animais para denotar distintas funções discursivas, dentre elas, especificar os diferentes enunciadores da canção.

 

Titulo da comunicação: DISCURSO E CONFIGURAÇÕES DA SUBJETIVIDADE EM ARNALDO ANTUNES

Autor: Anísio Batista Pereira (UFU)

Resumo: O sujeito se constitui em uma instância relevante para a compreensão do discurso, uma vez que é considerado o reflexo do social, isto é, o efeito da exterioridade materializado no enunciado. Nessa direção, a constituição do sujeito se dá pelas suas práticas discursivas, cujas subjetividades vão se formando e moldando esse sujeito, o qual não apresenta caráter fixo, mas descontínuo e sofre deslocamentos ao longo da história. Pensando nessas questões, o presente trabalho propõe a analisar três poemas contidos no livro As Coisas (1992), do músico e escritor brasileiro ligado à poesia contemporânea, Arnaldo Antunes, com o objetivo de problematizar as configurações das subjetividades materializadas nesses poemas, aqui tomados como enunciados. A escolha do referido livro se deve ao fato de corresponder aos objetivos desta pesquisa de forma mais completa, por ser mais visível o teor dessa temática que representa a obra do escritor sobre a infância. Como suporte teórico-metodológico para as análises do corpus, alguns pressupostos ligados à Análise de Discurso de linha francesa serão adotados, em que Foucault será tomado para essa leitura. Dentre os aspectos formulados por esse filósofo, serão considerados os conceitos de sujeito, discurso, subjetividade e formação discursiva, além de outros contidos nesses supracitados. Pelas análises dos poemas desse escritor brasileiro, é possível detectar subjetividades ligadas à infância, um sujeito em processo de descoberta do mundo que o rodeia e que demonstra um entusiasmo por essa busca da verdade em relação às coisas. Essas configurações de subjetividades podem ser percebidas, sobretudo, pela materialidade linguística, cujos enunciados apresentam-se por uma sintaxe com pouca complexidade, palavras simples de serem pronunciadas e, além disso, por relações/comparações entre aspectos do cotidiano desse sujeito enunciador.

 

Titulo da comunicação: ESPERANTO E IDENTIDADE: RELAÇÕES DE EXCLUSÃO E INTERDIÇÃO

Autora: Andréa Marques Rosa Eduardo (UFMS)

Resumo: O sujeito se constitui na interação com o outro e pela linguagem. Portanto, a linguagem está ligada à identidade de forma intrínseca, indissociável. Essa relação entre língua/linguagem e identidade permite questionar como se dá o processo de constituição identitária do falante de Esperanto, uma vez que se trata de uma língua elaborada a partir de inúmeras outras línguas naturais, que traz em si a mescla da cultura presente em cada uma dessas línguas, e por se tratar de uma língua que surgiu a partir de um contexto de exclusão, tornando-se resistência e alvo de interdição. Neste sentido, este artigo tem por objetivo problematizar as marcas da exclusão linguística no discurso esperantista e sua influência na constituição identitária do falante de esperanto. Analisamos os discursos de esperantistas extraídos da obra Não só idealistas, mas realizadores, organizada por Fernando Marinho (1995). Nesta obra constam depoimentos pessoais sobre o contato e trabalho com o esperanto de doze esperantistas brasileiros e de outros países, residentes no Brasil. A análise foi realizada a partir do método arquegenealógico de Foucault (2007) e da perspectiva desconstrutivista de Derrida (2001), embasando-se também nas reflexões sobre a exclusão presentes em Foucault (1999, 2001, 2014), Derrida (2001), Skliar (2006) e Coracini (2007). O Esperanto, que surgiu a partir da vivência de exclusão de um judeu colonizado, foi mais tarde também excluído por pessoas comuns e por linguistas, bem como o foram seus adeptos. Não refletimos, neste momento, sobre essas críticas e seus formuladores, mas sobre as marcas da exclusão que essas mesmas críticas deixaram na constituição identitária do sujeito esperantista. O Esperantista é o exemplo de que a identidade é móvel, fluida, transformável, ilusória e que se constitui por meio da alteridade.

Localização: Prédio 1 Sala 10B - 14h – 16h                                                          25/04/18

Eixo Temático: Estudos da Linguagem

 

Titulo da comunicação: DISCURSO MONOLÍNGUE E PRÁTICAS DE TRANSLINGUISMO: UM ESTUDO SOBRE OS ENUNCIADOS DOS ALUNOS DO ENSINO MÉDIO

Autora: Noêmia Maria de Souza (UFMT)

Resumo: Com as exacerbadas transformações científico-tecnológicas que ocorrem no mundo, bem como, as inter-relações econômicas, sociais, culturais e políticas, sobretudo a partir do avanço vertiginoso dos meios de comunicação, desencadearam uma nova organização de tempo e espaço, de significantes e significados. Baseado nisto, este estudo discute sobre uma atividade desenvolvida em uma turma do ensino médio com o objetivo de analisar como o discurso monolíngue ou práticas de translinguismo se apresentam nos enunciados dos alunos. Os dados são analisados à luz dos estudos desenvolvidos por Foucault (2014), no que diz respeito ao enunciado, de autores que refletem a contemporaneidade como Thompson (1998), Ortiz (2003), Canclini (2005), Hall (2005) e de perspectiva crítica sobre o ensino de Língua como Rajagopalan (2003), Assis-Peterson e Cox (2006, 2013), Moita Lopes (2006, 2013), Pennycook (2006), Zolin-Vesz (2015, 2016) e Severo (2016). A análise apontou que a maioria dos alunos se filia ao discurso monolíngue. Este fortemente arraigado nas escolas está vinculado a dispositivos construídos historicamente. O estudo possibilitou compreender outros sentidos para o processo ensino aprendizagem de línguas na contemporaneidade, tais como o desenvolvimento da consciência multilíngue e o desprendimento do modelo de falante nativo.

 

Titulo da comunicação: CORPO VÁRIO: ENUNCIAÇÃO, SUBJETIVAÇÃO E SENTIDO

Autor: Aledyson Danilo Marques (UNICAMP)

Resumo: Nesta comunicação apresentaremos a pesquisa de dissertação de mestrado realizada na área de Linguística, no Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas, sob a orientação do Professor Eduardo Roberto Junqueira Guimarães. Trata-se de um estudo na área de semântica que tem por objetivo verificar a influência da linguagem poética na produção de “Si”, e tem como metodologia de pesquisa a Semântica do Acontecimento. Neste método de trabalho o sentido de um enunciado e/ou de uma palavra só pode ser compreendido no acontecimento onde ele aparece. Este dispositivo de análise do qual Guimarães (2002) desenvolve para descrever o agenciamento enunciativo opera com o conceito de Recorte produzido por Orlandi (1983). Desta maneira, feito o Recorte de um enunciado no texto o mesmo é transversalizado por seu todo para que se chegue ao que o autor denomina Domínio Semântico de Determinação. O texto é considerado uma unidade que integra enunciados mas que não é uno, pois não é homogêneo, não há uma única voz, mas sim várias vozes, tem um funcionamento polifônico. A partir deste funcionamento polifônico Guimarães comcebe Lugares de enunciação e Eenunciadores para caracterizar quais são os luagres de enunciação e a posição (enunciador) do sujeito no texto. Nosso material de análise é um poema acompanhado de uma animação produzido durante uma oficina de incentivo a leitura realizada na Fundação Casa. Desta maneira, através da análise dos lugares sociais e dos enunciadores encontrados, discutiremos sobre a influência da linguagem poética na produção de “Si”.

 

Titulo da comunicação: O CONCEITO DE LANGUAGE PARA LEONARD BLOOMFIELD

Autora: Helda Núbia Rosa ( UFG – CAPES)

Resumo: Em duas das obras de Leonard Bloomfield que analisaremos neste artigo, Na introduction to the study of language (1914) e Language (1933), corpus de análise da minha pesquisa de doutoramento, o linguista preocupa-se com o estudo sistemático e diacrônico da estrutura linguística, representada pela fórmula social conhecida por todos os falantes de um determinado idioma. É o que ele nomeia language, bem como da manifestação dessa fórmula, speech-community, que é o modo de interação entre os indivíduos que compartilham o idioma. De acordo com Bloomfield (1933, p. 36), “[...] o discurso é uma atividade muito complexa, na qual o estímulo de todos os tipos leva a movimentos altamente específicos da garganta e da boca [...]”, isto nos leva a crer que para ele é preciso que haja um estímulo para que o discurso aconteça e tal evento ocorre quando em comunidade, local em que não há nem tanta necessidade de usar os sons articulados, mas um simples gesto ou um meneado de cabeça podem estabelecer a comunicação efetiva. A criança imita os adultos a sua volta e com isto vai constituindo a language. Consoante Bloomfield (1914, p. 3), “essa sujeição dos movimentos imitativos à vontade permite que eles (os pequenos aprendizes) se tornem expressivos em conteúdos perceptivos”, a criança é condicionada desde o seu nascimento a se sujeitar às regras e normas do discurso comunitário no qual ela está inserida, ou seja, nenhuma manifestação linguística acontece individualmente, mas na coletividade. O que se intenta com esse texto é desvelar o que Bloomfield enxerga como parte do indivíduo ou pertencente ao sujeito. Em que medida a language é inata ao indivíduo ou ela só se remete à forma manifestada de comunicação.

 

Titulo da comunicação:  FERRAMENTAS CORROBORATIVAS NO ENSINO/APRENDIZAGEM DE ESPANHOL COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA (E/LE)

Autor: Edson Luis Rezende Junior (UNESP Presidente Prudente)

Resumo: As tecnologias que, num primeiro momento, são utilizadas de forma separada – computador, celular, internet – começam a afetar profundamente a educação. Na atualidade, com os vários recursos que as tecnologias da informação e comunicação (TICs) nos oferecem, isso não mais ocorre. Sendo assim, não mais podemos prescindir dessas ferramentas no processo de ensino/aprendizagem de línguas estrangeiras, quer seja se buscamos uma aprendizagem mais efetiva do idioma estrangeiro, quer seja se temos o objetivo de promover uma ampla formação docente. A constante modernização do sistema de ensino, por sua vez, tem gerado transformações significativas no modo como se ensinam e se aprendem as línguas; são estabelecidos novos contextos que, baseados no marco teórico do construtivismo sociocultural (VYGOTSKY, 1998) e na concepção de língua como ação social (BAKHTIN, 2000), modificam o próprio conceito de aprendizagem: “o aprender é compreendido como um fenômeno social e a aquisição de um novo conhecimento resultam da interação do indivíduo com seu meio físico e social” (BENEDETTI, 2008). Desse modo, o objetivo deste trabalho é, pois, observar como as TICS corroboram com o  ensino/aprendizagem de língua espanhola no contexto do Centro de Línguas da Unesp - Assis. Trata-se de um contexto de desenvolvimento de professores no qual graduandos em letras são inseridos, ora em pares ora individualmente, para ministrarem aulas de línguas estrangeiras para alunos da comunidade externa e interna ao campus.Assim, a metodologia para o desenvolvimento deste trabalho baseia-se no modelo qualitativo, de caráter interpretativista, uma vez que há ênfase no processo e preocupação em se retratar a perspectiva dos participantes. Como instrumento de coleta de dados, utiliza-se questionários aplicados aos professores de língua espanhola como língua estrangeira (E/LE), a fim de discutir acerca dos recursos tecnológicos adotados durantes as aulas e o impacto dos mesmos na relação ensino/aprendizagem.

Localização: Prédio 1 Sala 10C - 14h – 16h                                                          25/04/18

Eixo Temático: Estudos da Linguagem

 

Titulo da comunicação: A IMAGEM DE MULHER CONSTRUÍDA PELO DISCURSO POLÍTICO: UMA ANÁLISE VERBIVOCOVISUAL

Autora: Cariane do Nascimento Pimentel (UFRR)

Co-autora: Cristiani Dalia de Mello (UERR)

Resumo: Este artigo tem como objetivo principal a análise verbivocovisual do vídeo que propõe uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher do ano de 2017, publicado no site da Assembleia Legislativa do Estado de Roraima (ALE/RR) elaborado pelo programa “Abrindo Caminhos”. Baseado no processo da construção linguística do discurso em que a voz social reflete e refrata, de acordo com as concepções de Bakhtin, o vídeo trata de um “suposto” comportamento masculino para lidar com o universo feminino por meio da construção de uma imagem de mulher propagada pelo discurso político. Cada esfera social possui textos diferentes e distintos destinados apropriadamente à atividade de comunicação humana, desse modo a linguagem não configura uma realidade tal como ela é, porque sua representação é concretizada por meio da construção ideológica e discursiva dos fatos sociais. Assim, ao considerar que a apresentação desse vídeo seria aparentemente direcionada ao público infantil, com uma musicalidade alegre e descontraída, este enunciado torna-se ainda mais perigoso, pois induz a pensar na ingenuidade, no mundo da imaginação, no entanto, elementos como cores, imagens e símbolos, presentes no vídeo, transmitem veladamente a mensagem de que tratar bem uma mulher é considerado como uma atitude eróica, reforçando o estereótipo do sexo feminino como frágil.

 

Titulo da comunicação: LETRAMENTOS E REEXISTÊNCIA EM COMUNIDADES SLAMS.

Autora: Thayse Figueira Guimarães (UninCor)

Resumo: Slam – competição ou batalha de poesias – tem sido compreendido como um movimento social urbano de poetas da periferia, que se juntam para uma competição de poesia falada, onde questões da atualidade são debatidas. Para muitos ativistas, os slams mostram-se como espaços não apenas de resistência às desigualdades sociais, mas como agências de reexitência (SOUZA, 2011), ou seja, agências de produção cultural e política em que uma série de práticas de uso social da linguagem são mobilizadas em função de suas necessidades. Ao participarem dessas práticas de uso da linguagem, seja na modalidade oral, escrita ou imagética, eles se envolvem em um conjunto de práticas de letramentos entendidas aqui como um conjunto de práticas sociais (STREET, 1984). Em consonância com essa concepção de letramento e com base na concepção dialógica da linguagem, o objetivo desta comunicação é discutir a partir de uma abordagem enunciativo- discursiva, como são construídos, nas interações verbais, posicionamentos acerca do modo como os sujeitos percebem a si mesmos como ativistas do movimento cultural slam e como sujeitos letrados. A concepção de uso da linguagem do Círculo de Bakhtin, na medida em contribui para abordagem das necessidades enunciativas concretas, fornece instrumentos analíticos e teóricos para compreender o jogo enunciativo dos participantes dos/nos slams em diversas situações nas quais se pode observar o caráter ideológico das produções sígnicas (VOLÓCHINOV, 2017). O estudo no qual esta comunicação se baseia tem como corpus de análise um conjunto de dados gerados através das interações virtuais de um grupo slam no Facebook (escritas autobiográficas, vídeos, comentários, conversas on-line) e um conjunto de entrevistas individuais. As análises apontam que os letramentos singulares praticados pelo grupo de participantes da comunidade on-line slam tem permitido o redirecionamento de suas identidades, resinificando papeis e lugares sociais a eles atribuídos em uma sociedade marcada por desigualdades.

 

Titulo da comunicação: O MOVIMENTO DA DESCRIÇÃO E ARGUMENTAÇÃO NA RESENHA CRÍTICA: CONTRIBUIÇÕES DO MODELO DIDÁTICO PARA O TRABALHO COM UM GÊNERO ACADÊMICO

Autora: Marta Aparecida Broietti Henrique (IBILCE-Unesp/CNPq)

Resumo: Este trabalho tem por objetivo apresentar a construção de um modelo didático (MD) para o gênero resenha crítica, elaborado com base em 10 exemplares do gênero, partindo dos pressupostos teóricos e metodológicos do interacionismo sociodiscursivo (ISD) e da engenharia didática desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Genebra. Com base na perspectiva adotada, este estudo considera que o MD consiste em uma ferramenta ou um dispositivo didático que favorece a identificação das propriedades de um gênero para um trabalho efetivo de leitura e produção textos em sala de aula. Em particular, neste estudo, o MD serve para identificar as características fundamentais da resenha crítica, visando ao desenvolvimento de uma prática docente capaz de contribuir para ampliar as capacidades de linguagem de alunos na esfera acadêmica. O MD mostra como as sequências descritivas e argumentativas se relacionam na constituição do gênero, bem como elas são determinantes em seu plano global. Além disso, a ferramenta ajuda a reconhecer as diferentes maneiras utilizadas pelos resenhistas para manifestar sua posição diante da obra. Este estudo defende que com base no MD o professor pode elaborar atividades com a finalidade de percorrer o raciocínio argumentativo utilizado pelo produtor da resenha crítica, tais como: esquemas argumentativos, contando com tese, argumentos, contra-argumentos e conclusão da tese em partes específicas do texto e também a atuação de elementos linguísticos para expressar a avaliação do resenhista diante de uma obra, uma vez que a resenha crítica é considerada como um gênero da ordem do argumentar (DOLZ; SCHNEUWLY, 2004). O dispositivo didático também aponta a posição dos especialistas diante da resenha crítica em relação à sua função social, à organização geral.

 

Titulo da comunicação: DISCURSOS DE XENOFOBIA NA REDE SOCIAL FACEBOOK: UM OLHAR A PARTIR DA ARQUITETÔNICA BAKHTINIANA

Autora: Izabel da Silva (UNICAMP/IFPR)

Resumo: O processo histórico que acompanha o surgimento das redes sociais na internet assiste a uma mudança nas interações humanas e em seus princípios éticos e estéticos. Podemos dizer que as interações sociais em meio digital têm evidenciado outras valorações axiológicas e diferentes formas arquitetônicas, como o Facebook e, por sua vez, possibilitando o aparecimento de novas formas de composição e/ou novos gêneros discursivos/digitais, a exemplo dos posts, comentários, memes, live streaming etc. Este trabalho tem como objetivo analisar letramentos metamidiáticos que circulam na rede social Facebook, referente à temática da situação de refúgio e imigração, bem como os discursos de xenofobia que dela decorrem. Neste trabalho, partimos, principalmente, da Arquitetônica bakhtiniana (Rojo e Melo, 2014), entre outras concepções teóricas do Círculo de Bakhtin, para realizar a análise dos enunciados que circularam na rede social citada. Pois compreendemos que esses conceitos ampliam as possibilidades de reflexão acerca dos novos letramentos e das multissemioses presentes no espaço digital. Para este recorte, escolhemos analisar três textos/enunciados verbais e não verbais: (i) post(agem) com vídeo, (ii) post com transmissão ao vivo e comentários e (iii) postagem de um meme, ambos perpassados pela temática que envolve questões de (i)migração e refúgio. As capturas de tela dos textos foram geradas entre os meses de maio e novembro de 2017 a partir de uma busca no perfil de diferentes participantes, comunidades, grupos e páginas da rede social Facebook. Espera-se que este trabalho possa fomentar pesquisas acerca dos processos de (des)reterritorializações de refugiados e/ou imigrantes, perpassados pelo advento das novas tecnologias, para tentar compreender as mudanças nas relações sociais e nas práticas linguístico-discursivas, culturais e identitárias na contemporaneidade.

Localização: Prédio 1 Sala 11 - 14h – 16h                                                          25/04/18

Eixo Temático: Estudos da Linguagem

 

Titulo da comunicação: REFERENCIAÇÃO E FRAME: IMPLICAÇÕES COGNITIVO-CULTURAIS

Autor: Heliud Luis Maia Moura (UFOPA)

Resumo: O objetivo deste trabalho é estudar as atividades de referenciação enquanto práticas culturais, que regulam as diferentes interações sociais. As produções textual-discursivas são instrumentos portadores de estruturas conceitual-culturais que permeiam as mensagens realizadas pelos diversos interactantes. É válido dizer que as expressões referenciais são formas por meio das quais essas estruturas conceituais são reconstruídas, passando a veicular: conceitos, pré-conceitos, tabus, interpretações acerca de relações sociais diversas, sentidos atribuídos a certos referentes, significados ligados a relações espaciais e temporais, significados resultantes de recategorização de referentes de âmbito cultural, dentre outros elementos conceituais associados às práticas das comunidades em que circulam as mencionadas produções textuais. Compreendendo-se que nas atividades referenciais estão embutidos esquemas conceituais, faz-se necessário discutir aqui a noção de frame, que, de maneira direta e indireta, contribui para o esclarecimento do sentido do uso de recursos referenciais participantes dessas atividades. Tomando como pressuposto as postulações de Filmore (1976,1977,1982a,19882b,1985), mencionadas por Feltes (2007), frames são estruturas cuja função não consiste em representar entidades conceituais. Tais estruturas têm a propriedade de emoldurar uma gama de conhecimentos acerca de um dado conceito. Elas têm o papel de caracterizar uma cena ou situação abstrata como uma espécie de mecanismo de construção cognitiva, sendo algumas porções indexadas por unidades lexicais associadas a elas e utilizadas no processo de compreensão. Palavras ou expressões linguísticas convocam frames, sendo estes conduzidos da memória de longo prazo para a memória estratégica, não como elementos estocados e congelados, mas como estruturas em contínua mobilidade e construção a partir da experiência sociocultural. O corpus, em análise, consta de 10 (dez) narrativas orais coletadas em comunidades campesinas da Amazônia. O resultado das análises levou a constatação de que tais frames regulam determinadas práticas culturais, que se apresentam, via linguagem, como constitutivas das interações aí existentes.

 

Titulo da comunicação: CARACTERIZAÇÃO E PERFIL DE PROFESSORES DE LÍNGUA PORTUGUESA DA BAIXADA CUIABANA

Autora: Rute Almeida e Silva (UFMT)

Resumo: Este trabalho objetiva traçar o perfil do letramento do professor de Língua Portuguesa do Brasil e demonstrar algumas práticas de ensino-aprendizagem. Para tanto, recorremos ao aporte teórico de Bakhtin e o Círculo (1929; 1952-53; 1970- 1971/1979; 1974/1979), que tratam do dialogismo, Vygotsky (1930; 1934), acerca da teoria da aprendizagem e desenvolvimento humano. Recorremos, igualmente, aos pressupostos teóricos dos autores que discutem o Letramento Crítico: Freire (1987), The New London Group (1996, 2012), Cassany (2005), Pereira (2010 e 2012) e Paes de Barros (2012, 2014), entre outros. A metodologia abordada é mista, sendo que, neste primeiro momento, a coleta e análise de dados seguem os princípios da pesquisa quantitativa, na modalidade de questionário estruturado fechado que fora destinado a docentes de Língua Portuguesa da baixada cuiabana. Trata-se de uma coleta piloto, no qual se testa a compreensão das perguntas formuladas e das respostas, visando validar o instrumento da pesquisa e adequá-lo para a coleta oficial posteriormente. Os resultados preliminares, coletados por meio do formulário virtual Google, via e-mail, permitiram traçar o perfil do professor. Os dados possibilitaram ainda fazer uma caracterização social dos participantes e suas perspectivas sobre a profissão docente. Este estudo faz parte de um projeto maior (tese de doutoramento) que está vinculado ao Grupo de Estudos Linguísticos e de Letramento – GELL/UFMT/CNPQ.

 

Titulo da comunicação: OS SABERES DOS MÉDICOS DOCENTES SOBRE A ATUAÇÃO PROFISSIONAL NO ENSINO SUPERIOR

Autora: Fernanda Miranda Caliani Sá (UNOESTE)

Co-autora: Maria de Lourdes Zizi Trevizan Peres (UNOESTE)

Resumo: O professor de medicina, assim como em algumas outras áreas da docência no ensino superior, não é preparado, no curso de graduação, para ensinar e, em decorrência disso, sua experiência na sala de aula deriva, principalmente, de seu conhecimento específico no campo em que atua. Entendendo-se o exercício docente como uma prática social, a profissionalização do professor deve constituir estratégia para o repensar constante da educação em suas dimensões institucional e social. A presente pesquisa tem como objetivo geral identificar e analisar a identidade e os saberes da docência dos médicos professores, em um curso de graduação em Medicina. Tendo em vista o objetivo proposto, optamos por uma metodologia qualitativa. Para realizar a investigação, foi realizada uma entrevista semiestruturada com doze médicos, professores do Curso de Medicina de uma Instituição de Ensino Superior privada do Estado de São Paulo. Os dados coletados foram analisados a partir de um referencial teórico centrado na Teoria da Filosofia Materialista da Linguagem de Mikhail Bakhtin. Analisando, criticamente, os resultados da pesquisa, vimos a necessidade de realizar uma reflexão sobre o processo de formação, atuação e desenvolvimento do profissional médico na docência. É necessária uma formação docente específica para iniciar a carreira como professor, e as instituições devem promover ações de formação pedagógica, inicial e continuada, permitindo mudanças nas práticas pedagógicas dos profissionais médicos, nos cursos de graduação em Medicina.

 

Título da comunicação: O USO DA TECNOLOGIA COMO FERRAMENTA DE ENSINO NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Autora: Andrea de Borba Zundt (UNESP)

Resumo: A tecnologia está cada vez mais presente nas escolas como ferramentas pedagógias, auxiliando o trabalho docente e o processo de ensino-aprendizagem, pois o uso de jogos, internet, computadores facilita a aprendizagem, estimula o aluno e o instiga a pesquisar. Todavia essa ferramenta é pouco utilizada por alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA),pois a princípio os mesmos não estão familiarizados com tais recursos, pelo menos no ambiente escolar. Devido à desigualdade social existente no país muitos jovens se veem obrigados a abandonar os estudos para se inserirem no mercado de trabalho. Então a EJA aparece para esses sujeitos como uma oportunidade de terminarem os estudos e ascenderem profissionalmente. E mesmo com a tecnologia presente em todas as esferas sociais esses alunos encontram dificuldade em utilizar esse recurso no espaço escolar, e o professor da EJA deve desenvolver um trabalho que inclua esse aluno no mundo digital. Segundo Viviane Curto (2009, p.2) “a utilização do computador em sala de aula confihura-se como um recurso valioso para o tratamento da diversidade constitutiva da realidade em que vivemos e para o trabalho com vários letramentos de forma critica e ativa.” A inclusão das tecnologias da informação e comunicação no ambiente escolar faz-se necessário, pois a utilização desses recursos tecnólogicos está presente na sociedade atual. Sendo asssim o objetivo desse trabalho é investigar o uso das TICs em uma sala da modalidade de ensino EJA. A metodologia utilizada neste trabalho está baseada no modelo quantitativo e interpretativa uma vez que há uma preocupação em compreender como se acontece o uso das TICs nesse contexto educacional. Este trabalho objetiva discutir e levantar uma reflexão acerca do uso das tecnologias em aulas do EJA.

Localização: Prédio 1 Sala 12 - 14h – 16h                                                          25/04/18

Eixo Temático: Estudos da Linguagem

 

Titulo da comunicação: HUMBOLDT CRIOU O CONCEITO DE HOMEM-INDIVIDUAL (EINZELNE MENSCH)

Autor: Sebastião Elias Milani (UFG)

Resumo: Nesse texto discute-se o conceito de homem-individual de Wilhelm von Humboldt. O homem-individual está sempre relacionado com sua nação, com o tronco cultural a que esta pertence e ao conjunto da espécie humana. A vida dele, de qualquer ponto de vista, está sempre vinculada à sociedade. Como tudo tem uma história, os conceitos teóricos e os métodos para estudá-los também têm. História essa que se configura da história dos autores dos textos. Como metodologia, interessa neste texto juntar o produto da ação dos pensadores com os substratos intelectuais da gênese de suas obras. O homem-individual é o ser que dentro de uma sociedade, formado por ela através de suas regras e leis, transmitidas a ele pela língua nacional, participa dela com sua criatividade e independência. Ele é homem submisso à sociedade e indivíduo independente que atualiza essa sociedade a todo instante. A forma da língua não afasta de si nada que seja fático ou individual. Na verdade, tudo precisa de uma fundamentação histórica. Segundo Humboldt (1836), tão maravilhosa é na língua a individualidade dentro do que é universal, que se poderia afirmar que a espécie humana fala uma só língua e que cada homem individualmente possui a sua própria. Assim, o que se quer demonstrar é o pioneirismo, sempre reconhecido para a linguística geral, do trabalho de Humboldt na relação indivíduo, língua e construção do cidadão através da aprendizagem da língua e da cultura nacionais.

 

Titulo da comunicação: A INTERPRETAÇÃO DOS ALUNOS NA ESCOLA PÚBLICA

Autora: Mariana Bessa dos Santos (UFG)

Resumo: Este projeto aborda sobre as dificuldades que os alunos tiveram durante e após findar o Ensino Médio. Para desenvolvê-lo é necessário trabalhar com pessoas que terminaram os estudos e não começaram uma faculdade para entender por qual motivo há uma grande parcela de pessoas que tem dificuldades de interpretar um texto, os analfabetos funcionais. Para isso cada pessoa precisa analisar um texto de um determinado gênero que consequentemente vai mostrar a diversidade de interpretações que cada ser humano tem, sendo uma das pontuações principais do projeto, logo, essa se tornará a premissa para a mudança dos alunos saindo dos problemas gramaticais e interpretativos para uma melhora nos esclarecimentos pessoais sobre os textos presentes em qualquer lugar, principalmente dos próprios. Para desenvolver uma melhora nos alunos é necessário o apoio das metodologias vigotskianas para prender a atenção dos mesmos, além dos referentes linguísticos. Então será preciso coletar textos dos participantes, (que serão interpretações escritas em formato narrativo sobre o que eles entenderam de determinado gênero apresentado em sala) analisar suas principais dificuldades e elaborar um material cujo o objetivo será sanar com as deficiências dos participantes, além de inserir uma quantidade exacerbante de textos de diversos gêneros e explicar a função e a razão de cada texto apresentado para que os alunos produzam de acordo com um gênero específico. Essa é uma ideia que mostra que cada pessoa tem um pensamento diferente e que elas nem sempre estiveram erradas por isso.

 

Titulo da comunicação: A LINGUAGEM DIRIGIDA À CRIANÇA EM SALA DE AULA DE UMA ESCOLA INFANTIL BILÍNGUE

Autora: Ananda Brasolotto de Santis (UNESP FCLAr)

Resumo: Este estudo traz a análise de dados coletados no âmbito de uma escola infantil bilíngue português-inglês de imersão sob uma perspectiva dialógico-discursiva de Aquisição da Linguagem (DEL RÉ et al 2014), salientando aspectos de semelhança entre a linguagem dirigida à criança (LDC) em contexto familiar, trazidos pela literatura, e a LDC nesse contexto escolar bilíngue. Para isso, partimos de conhecimentos trazidos pela Aquisição da Linguagem, dentro de uma perspectiva dialógico- discursiva (Bakhtin, 1988, 1997; Del Ré et al 2014), sobre o desenvolvimento linguístico de crianças monolíngues (Vygotsky, 1985; Bruner, 2004) e bilíngues entre 0-3 anos de idade (Alatis, 1970 etc.), pelos estudos em Aprendizagem de LE (Hatch, 1978), e pelo acompanhamento de uma sala de aula da Educação Infantil de uma escola bilíngue do estado de São Paulo. O corpus utilizado neste trabalho é composto por 10 vídeos de aproximadamente 40 minutos, em que foram registradas interações entre educadores, pesquisadoras-observadoras e crianças em situação de sala de aula em uma escola infantil bilíngue durante o segundo semestre de 2016 e o primeiro semestre de 2017. As filmagens foram realizadas alternadamente em sessões com todas as crianças da turma e outra apenas com três crianças (A.: 2;6-3;4, F.: 2;5-3;3 e L.: 2;10-3;8). Sendo a LDC uma forma de registro particular, com uma sonoridade diferente daquela da fala dirigida ao adulto, e que não se restringe às mães, pois pode ser encontrada em qualquer indivíduo que já tenha adquirido sua(s) língua(s) materna(s) (WALSER-RAYBAUD, 2013), refletimos sobre a linguagem dos educadores da escola dirigida às crianças. Observamos, então, que também a LDC dos professores se revela como uma maneira particular de falar, ainda que diferente da LDC familiar.

 

Titulo da comunicação: VILA ROSÁRIO: REDES DE RELAÇÕES, IDENTIDADES E DISCURSO

Autora: Marília Araújo Fernandes (PUC-Rio)

Resumo: Esta comunicação retoma o estudo realizado junto às famílias do Morro do Sossego, na região de Vila Rosário, em Duque de Caxias (RJ), atendidas pelo Instituto Vila Rosário, que tem por finalidade o combate à tuberculose. O objetivo dessa pesquisa de mestrado consistiu em demonstrar, em situações de entrevista não-estruturada, como são construídas as redes de relações das famílias e as identidades socioculturais das entrevistadas em relação a contextos como moradia, acesso aos serviços básicos, trabalho e doença. A metodologia da pesquisa, de natureza qualitativa, interpretativa e etnográfica, baseou-se na análise de narrativas e da fala em interação no curso das entrevistas transcritas, bem como a partir das anotações do trabalho de campo. O arcabouço teórico pautou-se nos estudos da construção da identidade social e discursiva na fala em interação, na perspectiva da análise da conversa, bem como da análise da narrativa, enquanto abordagem teórica e metodológica. Os resultados obtidos revelaram construções sobre família e identidade social do ponto de vista dos moradores. Neles, destacaram-se indicadores de problemas de ordem social, voltados para dificuldades com a educação dos filhos, moradia digna, trabalho e atendimento à saúde. Com este trabalho, esperou-se contribuir para a melhoria do atendimento às famílias da região, a partir de uma compreensão mais clara de sua realidade.

 

Titulo da comunicação: FIGURAÇÕES DA SOCIEDADE AMERICANA NO CINEMA DE WOODY ALLEN

Autor: Glauber Ormundo Dias Martins (PUC-SP)

Resumo: Este trabalho analisa dois filmes do diretor Woody Allen da década de 1980- Zelig e A rosa púrpura do Cairo- partindo do pressuposto proposto por Antonio Candido de que é possível fazer uma análise dos elementos externos no conteúdo interno da obra. Primeiramente, o trabalho desenvolve a importância sociológica de se estudar obras de arte, além das particularidades da linguagem do cinema comparado com a linguagem literária. Assim. Ocorre o uso metodológico de teorias sociológicas, de críticas literárias e de crítica cinematográficas, com o objetivo de destrinchar os elementos que compõem as duas obras cinematográficas analisadas. O trabalho se conclui com considerações a respeito do mundo moderno, em especial a modernidade desenvolvida nos Estados Unidos da América. Os dois filmes analisados são colocados em perspectivas diferentes, mas com o olhar sociológico sendo mediador das duas análises. Em Zelig, questões sobre como o filme aborda o desenvolvimento da individualidade do homem camaleão são o tema central, levando em consideração as considerações sobre identidade na pós-modernidade feitas por Stuart Hall, em a Rosa Purpura, o trabalho busca desenvolver a maneira como as personagens buscam a felicidade dentro do filme, tendo como inspiração a análise dos filmes do Griffith feitas pelo sociólogo alemão Dieter Prokop.

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