24 A 26 DE ABRIL DE 2018

FACULDADE DE CIÊNCIAS E LETRAS

UNESP ASSIS

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GED

Comunicações Individuais: 24/04

Localização: Prédio 1 Sala 3 - 14h – 16h                                                          24/04/18

Eixo Temático: Análise Crítica do Discurso

 

Titulo da comunicação: RACISMO E SUA CONSTITUIÇÃO LINGUÍSTICO-DISCURSIVA: UMA PRÁTICA DE LINGUAGEM NA DISCIPLINA DE PRODUÇÃO ORAL EM LÍNGUA INGLESA

Autora: Marta Gresechen Paiter Luzia de Souza (UFTM/CAPES)

Resumo: Este estudo investiga um evento discursivo engendrado por meio de uma prática de linguagem da disciplina compreensão e produção oral em língua inglesa, gravada em áudio no mês de maio/2016, da qual participaram os/as 9 educandos/as de uma turma de graduação em Letras/inglês e 1 educadora-colaboradora da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O processo analítico-discursivo está fundamentado na Análise de Discurso Crítica - ADC (FAIRCLOUGH, 2003), inserida no campo de estudos da Linguística Aplicada (LA), em interface com a Linguística Sistêmico-Funcional – LSF (HALLIDAY e MATTHIESSEN, 2004). Objetivo tecer reflexões sobre represent(ação), a qual compreende processo(s) de constituição identitária sobre o outro, a respeito de atitudes racistas no contexto brasileiro, a fim de evidenciar aspectos das (redes de) relações de poder que subjazem as referidas ações e questionar práticas naturalizadas, continuamente (re)produzidas, estruturantes de nossa formação sócio-histórico-cultural. Concluo que as significações tecidas ao longo da atividade de discussão sob análise buscam definir as relações étnico-raciais brasileiras pelas suas condições sócio- histórico-culturais excludentes/desiguais, ao mesmo tempo em que esse discurso não implique, necessariamente, um compromisso ou um responsabilizar-se com o outro no combate a todas as formas de racismo(s), talvez pela compreensão de que não se trata de um problema da sociedade como um todo, mesmo que sejamos participantes do(s) processo(s) de sua reprodução e legitimação, seja de modo inconsciente ou não, nos espaços sociais das práticas cotidianas, ao caracterizarmos e identificarmos o outro, o que envolve processo(s) de ressignificação de sua(s) posição(s) social(s) e constituição identitária, por meio de sentidos negativos.

 

Titulo da comunicação: O POSICIONAMENTO EPISTÊMICO NA POLÊMICA BRASILEIRA DOS “IMIGRANTES ESCÓRIA”

Autor: Douglas Rabelo de Sousa (USP)

Resumo: Nosso objetivo, neste trabalho, é indicar, analisar e problematizar as fontes de informação da polêmica sobre imigração que se instaurou, via mídia online, nas discussões de figuras conservadores e liberais no Brasil. Iniciada pela declaração de Jair Bolsonaro, em 2015, onde chamou, numa entrevista ao Jornal Opção de Goiás, imigrantes sírios, haitianos e senegaleses de “escória do mundo” e finalizada, irresoluta, com o artigo de Leandro Narloch “Sim à imigração, não ao relativismo cultural”, de 2016, em seu blog da Veja, o articulista defende a livre imigração de potenciais trabalhadores, após artigos de opinião, vídeos e um editorial de diferentes autores na direção oposta. A polêmica, em questão, mostra-se produtiva em relação a temas atuais e relevantes: a imigração forçada, devido a guerras e desastres naturais, e o bloqueio pelos países receptores, seja por meio de maior controle de fronteiras, com a burocratização do acesso ou a criação de barreiras físicas, como o muro entre os EUA e o México ou o aumento de contingente militar em localidades estratégicas, como é uma das sugestões no caso do Brasil. A polêmica dos “imigrantes escória”, no Brasil, centra-se na postura que o país deve ter em relação a certos imigrantes por um viés ora mais conservador, ora mais liberal. Por tal, não nos basta identificar as fontes de informações selecionadas pelos agentes dos discursos, mas pretendemos, também, revelar as articulações dessas fontes com a construção de um discurso ideologicamente enviesado e com fontes passíveis de questionamento. Realizaremos nossos objetivos à luz dos estudos de Marín-Arresse (2011a; 2011b), relativos à classificação das categorias e subcategorias do posicionamento epistêmico, assim como as estratégias de legitimação epistêmica, e de Fairclough (2006) em relação à ideologia e à Análise Crítica.

 

Titulo da comunicação: A INFLUÊNCIA DA CULTURA PATERNISTA E MACHISTA NA ATIVIDADE DAS MULHERES JORNALISTAS DA CIDADE DE SÂO PAULO

Autora: Jéssica de Oliveira Collado Mateos (UMESP)

Resumo: Este artigo tem como proposta analisar um recorte das entrevistas feitas com as jornalistas participantes do estudo “A mulher repórter no jornalismo pós-industrial[1]”, feito pela autora em 2016, para identificar as vozes presentes no discurso das mesmas quando questionadas sobre discriminação de gênero no ambiente laboral. A pesquisa é qualitativa, com o uso da técnica de entrevistas semiestruturadas e na análise utilizamos os conceitos de Bakhtin (1997) sobre dialogismo, monofonia e polifonia e a metodologia proposta por Benetti (2006, p.7-9) para identificar as vozes presentes nos discursos proferidos pelas repórteres e inferir quais as possíveis causas para o posicionamento de cada uma. Foram entrevistadas cinco repórteres de 21 a 50 anos que, no período da pesquisa, atuavam em veículos impressos (uma em revista), eletrônicos (uma em rádio e uma em TV) e digital (duas na internet, sendo uma em portal e outra em mídia independente), para análise e comparação dos diferentes ambientes da produção noticiosa no qual as mulheres estão inseridas. Os resultados gerais das análises mostraram que as repórteres sofreram e sofrem o impacto das tecnologias digitais, implicando em mudanças nos processos produtivos e na circulação da informação jornalística. O relatório identificou que a mulher ainda sofre preconceito dentro do ambiente jornalístico em constante transformação tecnológica. E que as repórteres sentem sim o peso das discriminações sofridas durante o exercício da profissão e mesmo que lutem ou falem que existe igualdade, suas falas evidenciam o contrário. As desigualdades, posições sociais e domínio do masculino não desapareceram, só estão menos evidentes e, para Lipovetsky (2000, p.235), nada evidencia que este cenário irá mudar.

[1] Processo 2016/01983-6, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

 

Titulo da comunicação: CONSIDERAÇÕES DIALÓGICAS EM NOTÍCIAS SOBRE O CASO DE DESAPROPRIAÇÃO DA GLEBA SUIÁ MISSU

Autor: Maximiano Antonio Pereira (UFG)

Resumo: Em dezembro de 2014, por ordem do Governo Federal, o distrito Estrela do Araguaia-MT, como chamado pelos antigos moradores, foi desapropriado de aproximadamente 3.867 moradores para dar espaço, outra vez, a reserva indígena de nome Marãiwatsédé. A desapropriação gerou vários conflitos entre os não-indígenas e os indígenas, ocasionando rebeliões que tiveram como marca a queima da bandeira nacional e, até mesmo, uma caçada armada às forças militares que faziam a guarda da reserva contra possíveis invasões. Atualmente, onde existiu uma cidade, há apenas vestígios das demolições na terra já demarcada como pertencente aos xavantes desde 1998. Com a repercussão, vários sites jornalísticos divulgaram reportagens e notas sobre os acontecimentos, assim, objetivamos a partir de três notícias (corpus) de diferentes sites analisar a voz social do indígena durante o processo de reapropriação de suas terras. Logo, com base na noção de diálogo pensada pelo Círculo de Bakhtin, almejamos compreender os sentidos que emanam dos diálogos que se encontram materializados nas notícias que compõem o corpus. A metodologia é de natureza descritiva, analítica e interpretativa. É descritiva porque descrevemos as notícias que compõem o corpus deste trabalho. É analítica, porque analisamos os diálogos que constituem os enunciados advindos do ato de desapropriação, bem como os sentidos que emanam desses diálogos. E é interpretativa, porque estudamos a voz social do indígena no discurso jornalístico midiático. Para uma fundamentação teórica consistente, além dos escritos do Círculo de Bakhtin, estudamos pesquisadores que se dedicam ao estudo das noções bakhtinianas como Brait (1997; 2005; 2006), Brandist (2015) e Faraco (2003). Os resultados preliminares indicam a ausência da voz do indígena em meio ao processo de reapropriação em 2 das 3 notícias analisadas, apontando que, embora, os indígenas obtiveram êxito no processo, a voz do grupo foi silenciada.

 

Localização: Prédio 1 Sala 5 - 14h – 16h                                                          24/04/18

Eixo Temático: Análise do Discurso Francesa

 

Titulo da comunicação: A CONSTITUIÇÃO DO DEVIR-CRIANÇA EM ARNALDO ANTUNES E MANOEL DE BARROS: UMA ANÁLISE POÉTICA E DISCURSIVA DAS ZONAS DE VIZINHANÇA COM A INFÂNCIA

Autora: Amanda Soares Mantovani (PIBIC – UAELL/RC/UFG)

Resumo: Este estudo faz parte do Projeto de Pesquisa intitulado “Representações discursivas da infância na produção poética de Arnaldo Antunes e Manoel de Barros”, coordenado pelo Prof° Dr° Antônio Fernandes Junior, e visa analisar, discursivamente, sob o viés Deleuziano e Foucaultiano, a relação entre devir-criança e literatura, poesia e infância, com foco nos livros "Frases do Tomé aos três anos", de Arnaldo Antunes e "Poeminhas pescados numa fala de João”, de Manoel de Barros. Além disso, objetiva-se buscar nestes livros a construção de uma zona de vizinhança estabelecida entre poesia e infância como forma de refletir sobre o mundo e outros modos de compor a poesia. Pretende, também, evidenciar e relacionar conceitos como subjetividade e enunciado, próprios da Análise do Discurso Foucaultiana, para análise dos excertos escolhidos. A metodologia adotada será de leitura comparativa e analítica, já que acreditamos que esses autores não imitam a fala da criança e nem se propõem a escrever como elas. Logo, buscaremos analisar o diálogo com a infância, essa “zona de vizinhança” e a construção do devir, ou seja, aquilo que fica entremeado nos textos a serem estudados. Este estudo será embasado teoricamente em obras de Deleuze e Guattari (1997), Fernandes Júnior (2011), Fernandes (2012), Foucault (2016) e Larrosa (2006), entre outros autores que serão de suma importância para o desenvolvimento do estudo. Nesse sentido, pode-se indicar, como hipótese, que os autores escolhidos para análise, recorrem à infância como estratégia discursiva capaz de propor outros olhares sobre a criança, o poético e a vida. Com o desenvolver do estudo proposto, espera-se os seguintes resultados: refletir sobre o conceito devir-criança como vetor de força da poesia e da produção de subjetividade e problematizar o conceito de infância para além do contexto literal (faixa etária).

 

Titulo da comunicação: CONSTITUIÇÃO DO POSICIONAMENTO SUJEITO-LEITOR EM UM LIVRO DE RECEITAS DA COLEÇÃO UNIÃO

Autora: Ludmila Belotti Andreu Funo

Resumo: O objetivo desta proposta, um estudo em desenvolvimento, é analisar como um livro de receitas, ligado a uma coleção de publicações culinárias muito popular no Brasil, produz uma posição de sujeito-leitor. O livro enfocado intitula-se “200 Receitas do Açúcar União” e é uma das publicações da antiga Companhia União dos Refinadores, criada em 1910, que hoje pertence ao grupo Camil Alimentos. A publicação data de aproximadamente 1968, ou seja, quatro anos após o Golpe Militar de 1964, fato que se torna relevante quando pensamos nas representações femininas almejadas para a sociedade brasileira dessa época. Destarte, análise evidenciou que a posição sujeito-leitor deflagrada dialoga com a posição social e as práticas sócio-históricas almejadas para as mulheres desse período. Essa correspondência se estabelece por meio de mecanismos interpelativos que opõem a posição sujeito-leitor a outras posições sujeito, ideologicamente. Essa dinâmica de oposições define a quem as receitas são destinadas e, também, molda discursivamente os espaços e as práticas sociais permitidas para as mulheres de até então. Há evidências textuais de que ao interpelar seus leitores, construindo a representação de uma forma-sujeito leitora específica, estrutura-se no texto uma voz narrativa, com pretensões oniscientes, que também engendra um posicionamento de sujeito (aquele que enuncia). Finalmente, o arcabouço teórico que serviu como horizonte de interpretação para esta análise se filia à Análise de Discurso pecheutiana.

 

Titulo da comunicação: INVESTIGAÇÕES DISCURSIVAS SOBRE A MÚSICA POPULAR BRASILEIRA

Autor: Nelson Barros da Costa (UFC)

Resumo: O objetivo desta comunicação é apresentar um panorama das pesquisas sobre o discurso literomusical brasileiro desenvolvidas pelo grupo de pesquisa Discurso, Cotidiano e Práticas Culturais (Grupo Discuta) junto ao Programa de Pós- Graduação em Linguística da Universidade Federal do Ceará. O Grupo Discuta foi criado em 2001 e, a partir de 2005, passou, sob a perspectiva da Análise do Discurso de autores como Maingueneau, Foucault e Bakhtin, a dedicar-se exclusivamente ao estudo da música brasileira tendo como objetivo realizar um mapeamento descritivo dos diversos posicionamentos discursivos aí presentes. Para isso, o grupo tem estudado também as fundações da música brasileira em articulação com temas como identidade nacional, mestiçagem, pós-modernidade, globalização, interculturalidade etc. Desde 2003, já foram defendidas 20 dissertações e 7 teses analisando a produção de diversos artistas como Adriana Calcanhotto, Antônio Nóbrega, Belchior, Chico Buarque, Chico César, Chico Science, Dominguinhos, Ednardo, Fagner, Gonzaguinha, Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Lenine, Tom Jobim, Tom Zé, dentre outros; dois livros foram organizados e dezenas de artigos publicados em livros, revistas científicas e anais de congressos. Em 2007, o grupo lançou, sob minha organização, o volume “O Charme dessa Nação – música popular, discurso e sociedade brasileira”. Trata-se de coletânea de artigos sobre a MPB escritos por membros do grupo e por pesquisadores convidados de diversas universidades do Brasil e dos EUA, quais sejam: Charles Perrone (University of Florida), Christopher Dunn (Tulane University), Cláudia Neiva de Matos (UFF), Deline Assunção (UEMa), Ivã Carlos Lopes (USP), Leila Lehnen (University of New Mexico), Luis Tatit (USP) e Rinaldo de Fernandes (UFPb). Desde 2012, se dedica também a investigar a produção de canções brasileiras para crianças e há dez anos promove os Encontros Literomusicais e o evento de extensão Ouvindo Letras, quando se reúne para discutir suas pesquisas, ouvir canções e trocar conhecimentos sobre discurso e música popular.

Localização: Prédio 1 Sala 6 - 14h – 16h                                                          24/04/18

Eixo Temático: Análise do Discurso Francesa

 

Titulo da comunicação: A REPRESENTAÇÃO DO PROFESSOR EM MANUAIS DO PROFESSOR DE LIVROS DE ALFABETIZAÇÃO DO PNLD: UM ESTUDO COMPARATIVO

Autora: Juliana Cabral Junqueira de Castro (UFMG)

Resumo: Com o advento da avaliação de obras didáticas implementado pelo MEC, através do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), imprimiu-se uma exigência cada vez maior em relação à qualidade do Livro Didático bem como do respectivo Manual do Professor, o que refletiu em mudanças não só em relação ao material do aluno, mas também na forma como os autores dos livros interagem com o professor, o que representa um desenvolvimento de gênero. Esse desenvolvimento é aqui abordado através de um procedimento metodológico que estabelece comparações entre um Manual do Professor de um livro de alfabetização distribuído pelo PNLD nos anos de 2000 e outro nos anos de 2013, à luz dos pressupostos teóricos da Análise do Discurso Francesa, notadamente da Semiolinguística (Charaudeau). Assim, a proposta deste trabalho pretende focar as estratégias discursivas utilizadas por tais manuais para a construção da representação do professor em cada um deles, a partir das categorias de análise da Semiolinguística, especialmente no que diz respeito às posições assumidas pelo locutor (autores) em relação ao interlocutor (professores) e suas implicações na construção de uma imagem do interlocutor. Gostaríamos, com esse trabalho, de contribuir com a discussão sobre a produção e avaliação dos manuais do professor no que se refere à interlocução entre os autores e seus leitores em potencial.

 

Titulo da comunicação: O DIALOGISMO INTERDISCURSIVO NAS FORMAÇÕES IDEOLÓGICAS DA POLARIZAÇÃO POLÍTICA BRASILEIRA

Autor: Estêvão de Carvalho Freixo (UCAM)

Resumo: O presente trabalho consiste num esforço de mapeamento das possíveis alianças discursivas que contribuem para a configuração dos campos que compõem a polarização política estabelecida hoje no Brasil. Acreditamos que o exame da heterogeneidade discursiva presente nestes polos opositores pode nos levar a um melhor entendimento dos valores ideológicos em jogo em cada um dos lados, mostrando o modo como diferentes pontos de vista se colaboram, filiando-se discursivamente uns aos outros por via de relações dialógicas, para somar forças nessa luta de motivos. Para a realização desta tarefa, enunciamos como hipótese a possibilidade de que os polos da polarização política configuram-se a partir de campos heterogeneamente constituídos onde diferentes formações discursivas estabelecem relações de colaboração recíproca que objetivam a sustentação dos posicionamentos no interior destes campos. Nosso corpus de análise é constituído pela transcrição das falas dos deputados Orlando Silva, do PCdoB, e Marco Feliciano, do PSC, proferidas durante o programa Fla-flu da TV Folha, que é um programa de debates produzido e publicado no site do jornal Folha de São Paulo, e também veiculado aos domingos na TV Cultura. Os resultados da pesquisa em parte sustentam a premissa da qual partimos, quando supomos que os dois polos do antagonismo político funcionam a partir da articulação entre diferentes níveis discursivos; e que, em cada um destes níveis, configura-se um antagonismo marcado entre os campos. Nesse sentido, além dos discursos neoliberal e socialista, que funcionariam como condutores enunciativos, consideramos a existência de outros três pares de oposição. Um discurso cientificista, de base positivista à direita ou sócio-histórica à esquerda; um segundo estrato onde se enfrentam as bases axiológicas cristã e humanista; e ainda um terceiro nível que reproduz a estrutura discursiva das narrativas mitológicas, invertendo-se, porém, em cada um dos polos, o papel dos personagens que estruturam suas construções narrativas.

 

Titulo da comunicação: “DOUTRINAÇÃO IDEOLÓGICA”: REGULARIDADES ENUNCIATIVAS NOS PROJETOS DE LEI ACERCA DO “ESCOLA SEM PARTIDO”

Autor: Júlio César Albuquerque da Rocha (UFG)

Resumo: O presente trabalho se propõe a analisar os discursos existentes nos projetos de lei acerca do tema “Escola sem Partido” (PL 01 de 2015, PL 867 de 2015, PL 1411 de 2015 e PLS 193 de 2016) visando estabelecer, entre eles, regularidades enunciativas sobre como o sujeito professor é referido nestes documentos como doutrinador político e ideológico. Os projetos de lei propostos entre 2015 e 2016 apresentam enunciados em que tratam o ensino atual brasileiro como sendo partidário e determinado pelo professor, dado que este, segundo os PLs, escolhe o que quer ensinar aos seus alunos conforme suas ideologias. Sendo assim, os proponentes garantem que, com a aprovação do projeto, passará a haver uma pluralidade de ideias em classe, até então, não existente nas escolas do país. Ao observar a materialidade discursiva nos Projetos de Lei, nota-se que tais discursos possuem uma regularidade e uma mesma identidade, não sendo originados em si, mas possibilitado por discursos anteriores, provindos de um mesmo lugar sócio-histórico e ideológico. Busca-se, portanto, neste trabalho, desenvolvido na pesquisa de Iniciação Científica intitulada “Escola sem partido: controle e vigilância do professor no espaço escolar” discutir os conceitos cunhados por Michel Foucault em “A arqueologia do Saber” (2008) a respeito das formações discursivas sobre o professor como assediador ideológico e sobre o professor controlado pelo estado que os projetos de lei pretendem instituir. Visando reconhecer as regularidades enunciativas presentes nesses documentos e como tais discursos subjetivam o professor, procura-se trabalhar as relações de poder que visam normatizar o corpo desse sujeito na instituição escolar, tendo em vista que a realização deste trabalho agregará contribuições positivas para a pesquisa supracitada, bem como para os estudos em Análise do Discurso de orientação foucaultiana, além de fomentar a discussão a respeito da temática em estudo.

 

Titulo da comunicação: EXCLUSÃO/INCLUSÃO DO SUJEITO: O RECONHECIMENTO DE PROCESSOS SÓCIO-HISTÓRICOS DIVERSOS

Autora: Rosemeri Passos Baltazar Machado (UEL)

Resumo: Para Análise do Discurso de orientação francesa (AD), tanto o sujeito, como o lugar e o tempo são apreendidos/interpretados por meio dos discursos. Os discursos possibilitam os saberes, a identificação e o reconhecimento de processos sócio- históricos diversos. Assim, o processo sócio-histórico não deve ser desconsiderado na constituição do discurso. São diversas as maneiras pelas quais os sentidos se constituem (Orlandi, 2005), e todos os aspectos envolvidos nesse processo de formulação/compreensão dos sentidos são decisivos para a relação do homem com a sociedade. Para Pêcheux (2002), todo discurso, devido à pressão social que sofre, marca a possibilidade de uma desestruturação-reestruturação no processo histórico. Esse trabalho - a partir da percepção da posição-sujeito e de sua constituição, do fato de os sentidos se constituirem sócio-historicamente (portanto, há sempre um dado a priori) - pretende desenvolver um estudo relacionado à exclusão/inclusão do sujeito, enfatizando o discurso, ou melhor, o preconceito reproduzido e manifestado no/pelo discurso. Para tanto, foram utilizados autores como Pêcheux, Maingueneau, Charaudeau, van Dijk, além de estudiosos voltados ao universo dos conceitos históricos. No intuito de reforçar o importante papel que o discurso desempenha dentro/pela/para sociedade, para compor o corpus desse estudo selecionamos um vídeo divulgado via internet. Trata-se de um vídeo- campanha feito pelo governo do Estado do Paraná, em novembro de 2016, no qual aparecem funcionários de Recursos Humanos que têm como tarefa analisar imagens de pessoas brancas e negras em determinadas situações. Constatamos que os comentários dos entrevistados foram feitos com base numa memória, num saber coletivo anterior e cristalizado: o saber de que a cor do negro inspira insegurança, inferioridade, não beleza, entre outros. Tendo em vista tais aspecto, buscamos abordar, também, a dualidade presente no conceito de estereotipia: de um lado, o aspecto positivo do conceito do estereótipo e, de outro, o negativo.

Localização: Prédio 1 Sala 9 - 14h – 16h                                                          24/04/18

Eixo Temático: Análise do Discurso Francesa

 

Titulo da comunicação: GÊNEROS DISCURSIVOS NA PRÁTICA DO LETRAMENTO IDEOLÓGICO

Autora: Vanessa Gimenez da Silva (UNESP Assis - PROFLETRAS)

 

Resumo: A perspectiva bakhtiniana dos gêneros discursivos deve ser a base de todas as práticas em sala de aula, associada ao letramento ideológico proposto por Brian Street. É preciso considerar, no entanto, que, em busca de caminhos para a melhoria das práticas de ensino, há uma infinidade de métodos e sequências didáticas que prometem o acesso dos alunos ao mundo da leitura e da escrita e se dizem fundamentados na perspectiva dos gêneros discursivos. Tais métodos têm se alternado como modelos a serem seguidos por professores de língua portuguesa, conforme determina a nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2017) ou determinavam os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998). No entanto, a realidade da sala de aula, na maior parte das vezes, não se demonstra fundamentada nesse princípio. Aliás, a pouquíssima compreensão sobre o significado de um trabalho com textos numa perspectiva enunciativo-discursiva é um dos maiores entraves. As propostas curriculares e os materiais didáticos são oferecidos, mais do que isso, determinados pelas políticas públicas, mas o estudo, a análise e os questionamentos sobre a perspectiva que os fundamenta ainda são desconhecidos ou mal compreendidos por boa parte dos professores de linguagem. Os conhecimentos teóricos não são suficientes para que de fato aconteça uma prática de ensino das interações verbais, da linguagem, da nossa língua, que resulte na formação de um aluno crítico, com concepções sociais que sejam capazes de transformá-lo. Mas, sem dúvida, quanto maior o desconhecimento das teorias e propósitos que fundamentam uma base ou proposta curricular, mais distante fica o resultado pretendido. As práticas discursivas da sociedade, num dialogismo com as diferentes estruturas sociais, produzem identidades sociais. Considerar, portanto, os discursos que circulam na estrutura da família dos alunos, os

letramentos familiares, como essenciais para o letramento escolar é a proposta deste trabalho.

 

Titulo da comunicação: ARTE E POLÍTICA NA IMPRENSA DE RESISTÊNCIA DOS ANOS DE CHUMBO

Autora: Luiza Bedê (PPGLLP-UNESP/CAPES)

Resumo: Propõe-se, nessa pesquisa de doutorado, a análise de enunciados verbo-visuais de resistência que circularam no Brasil e no Chile durante o período da ditadura civil-militar. Tais enunciados foram veiculados em periódicos pertencentes a três diferentes modos de circulação, sendo eles: o alternativo, o clandestino, e o exílio. Os jornais alternativos circularam nas bancas de jornais e faziam contraposição aos grandes periódicos da imprensa da época; os clandestinos são aqueles formulados principalmente por partidos comunistas e organizações revolucionárias as quais encontravam na palavra impressa um modo de alcançar, principalmente, os trabalhadores com o intuito de demonstrar o processo de autoritarismo construído durante os anos iniciais da ditadura; já os produzidos no exílio são constituídos pelo intuito de divulgar os acontecimentos e ações do estado totalitário brasileiro fora do Brasil. Assim, essa pesquisa tem como objeto de estudo as manifestações artísticas e políticas daqueles que resistiram e denunciaram em seus textos o regime totalitário. A maneira pela qual esses artistas mobilizam a linguagem é objeto desse estudo, mais especificamente, como a presença do humor, do riso, da sátira e do deboche são construídos em uma materialidade específica, nos enunciados verbo-visuais, que constituem a centralidade desse trabalho. Ressalta-se a ausência do humor nos modos de circulação clandestino e exílio, no entanto, uma das características do modo de circulação alternativo, no Brasil, é a presença marcante do humor, assim, pautando-se na teoria dialógica do discurso e nos conceitos de esfera de atividade, arte e carnavalização, elaborados pelos autores do Círculo de Bakhtin, inferimos, parcialmente, que as peculiaridades da esfera artística permitem que o discurso de resistência, de oposição à ditadura, tenham um viés de crítica a partir do humor, diferentemente do que ocorre nos outros modos de circulação, no qual a esfera de atividade é, mais centralmente, a política.

 

Titulo da comunicação: REVISTA BRASILEIROS E SUA PROPOSTA DE REFLEXÃO:UMA ANÁSILE DISCURSIVA

Autora: Lorenna Mayara Fornel (Uni-FACEF- PIBIC/CNPq)

Resumo: O jornalismo, em sua essência, busca oferecer ao leitor informações sobre a sociedade garantindo a veracidade dos fatos. Contudo, podemos nos indagar acerca das diferentes posições axiológicas e ideológicas que permeiam nossa comunidade e, assim, compreender as refrações da realidade. A revista Brasileiros, publicada em sua versão impressa de 2008 a 2017, traz em suas edições a proposta de transmitir além da notícia, buscando a reflexão do leitor, como o próprio slogan sugere: “Mais que informação. Reflexão”. São discutidos temas ligados à política, literatura, economia, esporte e cultura cujo conteúdo é abordado por especialistas e estudiosos ligados a cada temática específica apresentando, inclusive, posicionamentos diversos, a fim de concretizar a proposta de reflexão do leitor. Assim, o objetivo desta pesquisa é compreender de que maneira a revista cumpre com sua proposta de reflexão e quais os discursos, ideologias e valores sociais veiculados a partir das escolhas dos conteúdos temáticos. Para tanto, nosso referencial teórico-metodológico está pautado nas reflexões do Círculo de Mikhail Bakhtin sobre dialogismo, gêneros do discurso, estilo e ideologia, e de seus comentadores, entre eles, Brait (2005), Fiorin (2006), Machado (2005), e Miotello (2007). Quanto à esfera jornalística e suas especificidades, utilizamos os estudos de Lage (2008) e Medina (2001). Como resultado, verificamos que a revista provoca a reflexão por meio do seu discurso de autoridade veiculado nos artigos de especialistas e por conteúdos temáticos, muitas vezes, polêmicos que suscitam posições controversas e evidenciam a preferência em tratar da sociedade brasileira sob uma visão social, ao levantar questões relacionadas às diversidades e minorias. Enfim, é reiterada sua proposta de ir além do jornalismo informativo, com análises do cenário brasileiro feitas por estudiosos advindos da esfera universitária, modificando a concepção do jornalismo feito em seu próprio meio.

 

Titulo da comunicação: O DISCURSO DO HUMOR NA MARCHINHA DE CARNAVAL

Autora: Maria Cecillia Guilherme Siffert Pereira Diniz (IEL/Unicamp)

Resumo: O presente trabalho visa compreender o uso do humor na marchinha de Carnaval. Para tal, utilizaremos as propostas de Guimarães (1996), Fiorin (1998) e Charaudeau (2006) sobre o processo de enunciação. Entretanto, sabemos do desafio. Categorizar as interpretações do humor torna-se quase uma atividade para Sísifo, infinita e incompleta. O que pretendemos com este estudo, é, a partir de um recorte, compreender como o discurso do humor se apresenta na Marchinha de Carnaval para falar de política, por meio das marchinhas “Solta o cano que não cai” e “Ocupa sensacionalista”, que circulam no site Youtube, articulando a imagem à mensagem. Diante do fato de no Carnaval haver uma relação entre o público e o privado uma dialogia na relação entre os ritos populares e o mundo oficial, a marchinha pode se constituir na relação entre esses dois mundos, ao tratar de temas políticos. Assim, é por isso que importa estudar o humor na marchinha, porque o espaço de enunciação é plausivel, no Carnaval é possível fazer humor, mas e o tema, que é política, é uma “quebra” por falar do sério no espaço e no ato de enunciação do humor. O trabalho visa utilizar a construção da enunciação polissêmica e interdiscursiva, bem como o apelo à memória e os procedimentos discursivos e linguísticos para analisar o material das Marchinhas. O léxico da marchinha só faz sentido na enunciação, corroborando o pensamento de Guimarães (2002), e ainda a respeito da polissemia do humor presente em Charaudeau (2006). É sobre essa ligação causal que visamos discutir. Ato humorístico, Marchinha de Carnaval e Política, as incoerências semânticas da letra produzindo sentido no ato humorístico.

Localização: Prédio 1 Sala 10 - 14h – 16h                                                          24/04/18

Eixo Temático: Análise Dialógica do Discurso 

 

Titulo da comunicação: A PRÁTICA DE ESCRITA DE ESCRITA DE GÊNEROS LITERÁRIOS “DENTRO” E “FORA” DA ESCOLA: UMA ANÁLISE DIALÓGICA

Autora: Marina Totina de Almeida Lara (UNESP FCLAr – PPGLLP)

Resumo: A presente pesquisa tem como embasamento teórico-metodológico os estudos do Círculo de Bakhtin e seus comentadores e insere-se no campo da Análise Dialógica do Discurso. Sua centralidade é a questão de produção escrita de gêneros literários “dentro” e “fora” da escola. Para isso, propomos uma discussão sobre o processo de escolarização da escrita de gêneros literários em ambiente escolar (incluindo, neste “grupo”, propostas de produção de gêneros literários de livros didáticos destinados ao Ensino Médio – público e particular, propostas de produção desses gêneros em provas de exames vestibulares e as respectivas expectativas da banca) e sobre comentários de produções literárias na Internet, em sites de Fanfics. Interessa-nos como acontece esta escolarização no caso da produção escrita de gêneros literários na escola e fora dela, na Internet. Nesse sentido, propomos recompor, a partir das análises, um imaginário sobre como deve ser produzido um texto literário nestes espaços e sobre os valores do campo artístico sobre o que é literário ou não. Para tanto, partimos das orientações dos PCNEM para o trabalho com gêneros do discurso na escola, tendo como corpus dois livros didáticos de Língua Portuguesa (um aprovado pelo PNLD 2018 e outro do Sistema de Ensino COC), propostas de redação de gêneros literários em exames vestibulares (UEL, UEM, UFU, UNICAMP e UFSC) e expectativas da banca avaliadora, além de com comentários em fanfics produzidas na Internet sobre o seriado 13 Reasons Why.

 

Titulo da comunicação: O SIGNO IDEOLÓGICO NA CONSTRUÇÃO MIMÉTICA: AS ADAPTAÇÕES FÍLMICO-LITERÁRIAS

Autor: Luis Eduardo Santos Pereira (UNESP FCLAr – PPGLLP)

Resumo: Esta proposta busca pensar mecanismos de releitura fílmico-literários em processos de adaptação para além de compreensões passivas que apagam as potencialidades da obra resultado deste diálogo. Está em jogo pensar como textos literários podem ser relidos cinematograficamente e o mesmo no sentido contrário tendo por finalidade estudar o fenômeno de adaptação como um processo de recriação alimentado por lugares de enunciação. Deste modo, pensar formas e a operacionalidade que os conceitos bakhtinianos ligados a noção de signo, como dialogismo e palavra bivocal, ampliam na formação de sentido podem apontar para caminhos de formação semântica em via de mão dupla. A hipótese assumida é a existência no processo dialógico da adaptação de uma dupla mímesis ou representação de uma representação. Trata-se de pensar o status analítico da criação de representações e como a interpenetração discursiva de obras cria brechas, novos espaços, por onde transitam representações próprias de cada interlocutor artista, situados culturalmente, em um processo de recriação. O corpus de estudo são as adaptações fílmico-literárias que compreendem o contexto de criação, consolidação e abertura do cinema novo do Brasil. Corpus esse que apresenta um trabalho de ressignificação forte e artístico no contexto de formação do cinema brasileiro que dialoga com a literatura modernista cujo interesse de representar e subverter discursos hegemônicos sugere uma potência de estudo.

 

Titulo da comunicação: PROJETO DE DIZER EM FILME PUBLICITÁRIO: UMA RESPOSTA INCLUSIVA À CONTEMPORANEIDADE?

Autora: Tacicleide Dantas Vieira (UFRN)

Co-autora: Maria da Penha Casado Alves (UFRN)

Resumo: O presente trabalho versa sobre a (re)configuração do projeto de dizer do gênero filme publicitário produzido para a data comemorativa com mais vendas no calendário comercial brasileiro. Recentemente, enunciados desse tipo têm se caracterizado por explorar sua relativa estabilidade pela ênfase às possibilidades de hibridização que lhes passam a ser constitutivas. Na sua construção, a pluralidade aparece não apenas nas semioses que os materializam, mas nas próprias intencionalidades que os orientam, bem como nos posicionamentos axiológicos que neles se inscrevem, de modo a combinar, no plano enunciativo, ao propósito de anunciar, a finalidade de emocionar/entreter/interagir (COVALESKI, 2010). Esses objetivos coordenados parecem responder a uma contemporaneidade em que visões de mundo divergentes convivem dialogicamente numa arena discursiva extremamente imbricada nas lutas sociais. Assim, nossa pretensão é investigar uma prática de linguagem verbo-voco-visual (PAULA, 2014), vinculada a uma esfera ideológica que tradicionalmente reforça modelos hegemônicos e estereótipos, numa época em que vozes sociais díspares interpelam-se, publicam-se e polemizam (pré)conceitos. Para tanto, tomaremos, como referências teóricas, as noções de “projeto de dizer”, de “gênero discursivo” e de “responsividade” importadas do Círculo de Bakhtin (BAKHTIN, 2011, 2012; VOLÓCHINOV, 2017), para o qual a relação entre linguagem e sociedade é inviolável. Como extrato de nossa pesquisa de doutorado, buscaremos compreender como o projeto de dizer de um exemplar de filme publicitário do Natal de 2017, lançado pelas Lojas Renner, é responsivo ao discurso inclusivo recorrente em nosso tempo, (re)configurando-se nele e para ele. Nesta cultura de consumo, em que há uma convergência de linguagens, de mídias (JENKINS, 2009) e de intenções na comunicação, advogamos a relevância de se interpretar eventos discursivos porta-vozes do mercado. Nesse sentido, nosso viés metodológico é interpretativista, em perspectiva sócio-histórica (ROJO, 2006).

 

Titulo da comunicação: A PALAVRA NA PALAVRA: APONTAMENTOS INICIAIS A PARTIR DA METALINGUÍSTICA BAKHTINIANA

Autor: Jaquissom Aguiar Guimarães (UESB)

Resumo: Este trabalho faz parte do projeto de pesquisa: “A palavra na palavra: apontamentos iniciais a partir da metalinguística Bakhtiniana no filme ‘O Contador de Histórias’” do Programa de Pós-Graduação em Letras: Cultura, Educação e Linguagem na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB, objetiva apresentar elementos discursivos constitutivos na relação entre Estética e Linguagem, em uma concepção Semiótica da Ideologia do Círculo de Bakhtin. A análise já processada apresenta algumas reflexões iniciais no campo da Linguística Aplicada, assumindo a natureza semiótica e performática da linguagem, tendo como questão central refletir e problematizar a palavra “palavra”, isto é, a metalinguagem em Bakhtin, consolidada pelos fenômenos estético e linguístico. Ambos constituem e coexistem em um pensamento materializado sócio ideológico, mediante o dialogismo, que pode ser compreendido como uma relação existente entre a produção e a compreensão de todo enunciado no interior de realidade intimamente dependente de contextos sociais. Tais contextos e enunciados serão extraídos da narrativa fílmica, da personagem de Roberto Carlos Ramos, o contador de história. Os resultados iniciais da pesquisa mostram pistas da dialogicidade da linguagem como possibilitadora de formar e construir uma própria realidade. A pesquisa tem como principal referencial a noção de dialogismo proposta pelo Círculo de Bakhtin, a abordagem metalinguística do signo para a reelaboração metodológica da investigação assumindo a noção de dialogicidade, metalinguagem e intersubjetividade como aportes para a elaboração conceitual entre linguagem e estética na obra cinematográfica em análise.

Localização: Prédio 1 Sala 10B - 14h – 16h                                                     24/04/18

Eixo Temático: Análise Dialógica do Discurso

 

Titulo da comunicação: O USO DE LINGUAGEM TRANSGLÓSSICA ENTRE OS ESTUDANTES DE ENSINO MÉDIO INTEGRADO DO IFSP SALTO: RESPEITO À DIVERSIDADE

Autora: Joana de São Pedro (IFSP)

Resumo: O presente trabalho é um projeto de iniciação científica do Instituto Federal de São Paulo – câmpus Salto que se volta para a observação dos fenômenos transglóssicos e transculturais, ou seja, cruzamentos linguísticos que emergem nas interações entre as pessoas em espaços tanto reais quanto virtuais que são atravessados por fluxo linguísticos e culturais, colocando a língua inglesa em circulação junto à língua portuguesa (ASSIS-PETERSON, 2008). Tais processos se manifestam no uso da língua na prática social, assim entendida a partir da visão de linguagem bakhtiniana (BAKHTIN/VOLOCHINOV, 2014[1929). Observa-se, pois, que tais fenômenos acontecem na linguagem do jovem que está em fase de ensino médio integrado ao técnico. Tem-se, portanto, como objetivo observar quando ocorre hibridação de termos de língua inglesa e língua portuguesa ou mesmo construções em português que se parecem com construções típicas de inglês na fala desse público. A relevância do projeto está na reflexão que pode gerar no jovem e na comunidade no que diz respeito às diferenças culturais que se manifestam por meio da língua, bem como à quebra de preconceitos e estereótipos. O projeto está organizado em três fases principais e suas respectivas metodologias de investigação e análise, a saber: levantamento bibliográfico e leituras; pesquisa de campo por meio de entrevistas abertas e respectivas análises e construção de uma plataforma digital para divulgação dos resultados à comunidade escolar.

 

Titulo da comunicação: O SURDO E OS USOS DO PORTUGUÊS COM RECURSO COMUNICATIVO NOS ESPAÇOS SOCIAIS DIGITAIS

Autora: Simone Lorena da Silva Pereira (UFRN)

Resumo: Este trabalho pretende analisar o papel do português nas práticas de linguagem de surdos no Espaço Social Digital (ESD) considerando essa língua como um recurso comunicativo em tempos intersticiais e efêmeros. Ao problematizar tais práticas discursivas no contexto pervasivo, híbrido, descentralizado e nômade, que marca a contemporaneidade, evocamos a importância de pensar diferente diante das exigências de o surdo ser proficiente em sua segunda língua assim como o falante nativo. A construção dos dados foi realizada a partir da análise dos resultados de minha pesquisa de mestrado em que o professor da Disciplina de Fonética e Fonologia da língua de sinais realizou atividades com os estudantes do Curso de Letras: Libras, da Universidade Federal de Sergipe (UFS), na sala de aula presencial e na rede social facebook. Para tanto, a pesquisa ancorou-se no entendimento de linguagem, como fenômeno ideológico e axiológico, do Círculo de Bakhtin; nas discussões de Moita Lopes sobre os usos transidiomáticos do português em meios midiáticos; em Salgado e Canclini sobre os espaços digitais e Arcoverde que trata da utilização da Língua Portuguesa escrita pelos sujeitos surdos no ESD. As interações nos ESDs demonstraram que é importante considerar as estratégias utilizadas pelos surdos para se comunicarem em português em meio a essas tênues fronteiras culturais que marcam a heterodiscursividade. E, ainda, a necessidade de repensar as epistemologias teóricas que constroem nosso entendimento sobre o português, principalmente, no que se refere aos usos que os sujeitos surdos estão fazendo dele, pois estão transitando nesses inter-lugares, interagindo discursivamente nas duas línguas (português e a língua de sinais) e dando ênfase ao fator determinante para a interconexão dos nós da rede: a comunicação social.

 

Titulo da comunicação: CONSIDERAÇÕES ACERCA DO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DE SIGNIFICADOS SOBRE O SER PROFESSOR DE PORTUGUÊS

Autora: Karin Adriane Henschel Pobbe Ramos (UNESP Assis – PROFLETRAS)

Resumo: Muito se tem discutido a respeito das identidades docentes e suas implicações no cenário atual da educação, conforme atestam a publicação de vários trabalhos que abordam a questão, a partir de diferentes referenciais teóricos. O presente estudo tem como objetivos: (a) criar um espaço de discussão a respeito do processo de construção de significados sobre o ser professor de português; (b) investigar, a partir do referencial teórico da Análise do Discurso, o processo de construção de identidades docentes em professores de português que estão em processo tanto de formação inicial quanto continuada; (c) analisar, nesse contexto, os processos de identificação que emergem na constituição dos modos particulares de ser e na construção de identidades sociais. Para tanto, serão utilizados os pressupostos da pesquisa qualitativa crítica para a qual o conhecimento científico deve ser compreendido, ontológica e socialmente, como um saber acerca da realidade social, uma forma de autoconhecimento e um aspecto da realidade social e da identidade humana (ZEICHNER, 2008). Os participantes serão alunos do curso de licenciatura em Letras e professores em atuação, que integram o Programa de Mestrado Profissional (PROFLETRAS/CAPES). Como forma de coletar dados, aplicamos um questionário com questões abertas aos participantes. O objetivo dessas questões foi instigar os participantes a elaborarem respostas acerca da identidade de professor de português que estão construindo ou construíram para si, bem como acerca das questões éticas que envolvem a questão. Os procedimentos de análise dos dados estarão fundamentados nos pressupostos teórico-metodológicos da Análise do Discurso (BAKHTIN, 2010; BAKHTIN/VOLOCHÍNOV, 2014; FOUCAULT, 2010; AMORIM, 2004; FAIRCLOUGH,2001; MOITA-LOPES, 2002). A partir dessas reflexões, os encaminhamentos serão discutidos. Com este estudo, buscamos construir um espaço de emergência de novos significados que contribuam mudanças discursivas emancipadoras que tragam consigo mudanças nas práticas sociais.

 

Titulo da comunicação: CONCEITOS BAKHTINIANOS PARA O ENSINO DE LP A ALUNOS SURDOS

Autor: Rodney Mendes de Arruda

Resumo: O objetivo desta apresentação é refletir sobre parte do processo ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa (LP) de/por alunos surdos, consoante a teoria dialógica da linguagem de Bakhtin e o Círculo (1929; 1974). A partir do direito garantido em legislação, surdos passaram a frequentar, gradativamente, as escolas públicas, com garantia de Tradutor e Intérprete de/para Língua de Sinais (TILS) (BRASIL, 2005) Como parte da pesquisa de doutoramento, observamos aulas de LP em três turmas de Ensino Médio, em escola pública incluisva, em Cuiabá-MT. Constatou-se que os docentes fazem rigorosas cobranças quanto à produção escrita desses alunos, o mesmo não ocorrendo em relação aos ouvintes, com baixo desempenho do ponto de vista da qualidade textual; suas práticas e interações (dos) pouco favorecem as condições de produção discente. O processo que se pressupõe dialógico, apontado em discursos pedagógicos, é fragmentado na sala de aula. A interação dos alunos surdos (2 por turma) ocorre entre si, eles e intérprete e com alguns colegas, mais do que com a professora, cujo papel é, geralmente, relegado aos TILS (LODI, 2009). Estes não se percebem como potenciais pesquisadores de suas práticas, não reconhecendo o Outro (AMORIM, 2001). Apesar de a pesquisa ter foco nos alunos, acerca do Texto dissertativo-argumentativo, houve abertura para discussão teórico-prática no espaço de formação Sala de Educadores, apresentando características da LP como L2, o embasamento linguístico bakhtiniano e os conceitos de dialogismo, reflexividade e ato responsável, com reflexo na interação docente-discente e a avaliação das produções textuais. Os resultados parciais apontam a contribuição ocorrida na prática de alguns professores, com proposta de socialização a outros professores da área, em formato de encontros para este fim.

Localização: Prédio 1 Sala 10C - 14h – 16h                                                     24/04/18

Eixo Temático: Estudos da Linguagem

 

Titulo da comunicação: A INSTITUCIONALIZAÇÃO DO AVALIAR EM LÍNGUA MATERNA NA SECRETARIA DA EDUCAÇÃO DE SÃO PAULO: AVALIAÇÃO DE APRENDIZAGEM EM PROCESSO DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA O ENSINO DE CICLO II

Autora: Michelle de Souza Prado

Resumo: Este trabalho tem a intenção de expor a investigação sobre as questões objetivas da Avaliação da Aprendizagem em Processo (AAP) de Língua Portuguesa dentro de um estudo de caso em uma sala do ciclo II, nível fundamental, com a finalidade de refletirmos como os alunos de segmento da escola pública paulista tem seus domínios e habilidades aferidos, segundo a matriz desejada por documentos oficiais de nível nacional, como os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997) e estadual como o Currículo Oficial do Estado de São Paulo (2008). Trata-se de uma análise qualitativa de cunho documental, baseada nos cadernos de questões de múltiplas escolhas fornecidas pela secretaria da educação e respondidas pelos estudantes, realidade que podemos observar tanto da perspectiva de dentro do campo analisado, quanto com certo distanciamento, ao terminarmos as averiguações já passada a temporada de contato com o grupo. Traremos uma apresentação organizada da seguinte forma: a explicação sobre o que é a AAP, a segunda parte a demonstração da matriz que os alunos não atingiram, bem como as competências e habilidades da mesma, a terceira parte uma possibilidade metodológica para atingir o conteúdo requerido nas questões. O referencial teórico está embasado, prioritariamente, em autores que trabalham com letramento, como Geraldi (1985), Fiorin (2010), Marcuschi (2010), Dionísio e Vasconcelos (2013) e aqueles que teorizam sobre avaliação como Perrenoud (1989).

 

Titulo da comunicação: ESTILOS INDIVIDUAIS, CONTEÚDOS TEMÁTICOS E CONSTRUÇÃO COMPOSICIONAL NAS NARRATIVAS PEDAGÓGICAS: PERCURSO METODOLÓGICO-NARRATIVO NA COMPREENSÃO DOS ENUNCIADOS

Autora: Liana Arrais Seródio (CAPES – UNICAMP)

Co-autora: Heloísa Helena Dias Martins Proença (CAPES – UNICAMP)

Resumo: A questão que nos propomos é, no exercício narrativo, dizer de que maneira os três elementos apresentados por Mikhail Bakhtin - os estilos individuais, os conteúdos temáticos e a construção composicional - aparecem e (inter)agem nas leituras das narrativas, pipocas pedagógicas, metanarrativas e interpretações narrativas das narrativas e pipocas nas pesquisas narrativas de um grupo de pesquisa em educação numa universidade pública paulista. Na parte inicial desta apresentação, trazemos de maneira breve os conceitos de gêneros, de enunciados, de estilos, de conteúdo temático, de construção composicional, indicando as referências onde se pode aprofundar nesses conhecimentos dentro de nossos referenciais teóricos, na filosofia da linguagem bakhtiniana. Na parte central faremos analogias das narrativas e metanarrativas ou narrativas interpretativas presentes em pesquisas de metodologia exclusivamente narrativa aos ditos elementos constituintes dos enunciados de qualquer gênero discursivo, buscando reconhecer a presença ou aproximação a esses três elementos. Ao final, já que nos sabemos constituindo toda uma outra epistemologia, ensaiaremos conclusões que este estudo a que nos propomos como resposta à participação no SIED, nos levou. Portanto neste resumo não temos conclusões para apresentar, mas um convite para os participantes entrarem nesse percurso narrativo-investigativo conosco. Como “investigamos narrando e narramos investigando” nessa realidade relacional que defendemos, um método e suas conclusões seria uma contradição.

 

Titulo da comunicação: A ARGUMENTAÇÃO NA AULA DE LÍNGUA PORTUGUESA EM ESCOLA PÚBLICA DO ENSINO MÉDIO DO MUNICÍPIO DE MACAPÁ: PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTO

Autora: Naira da Costa Queiroz

Resumo: Este trabalho objetiva apresentar uma metodologia de tratamento da argumentação em sala de aula. Em uma turma da 2ª série do Ensino Médio de uma escola pública do município de Macapá, aplicou-se uma sequência didática de oito aulas que privilegia a tipologia textual argumentativa, posteriormente analisou-se as produções dos discentes quanto a construção de competências argumentativas. A motivação deu-se pelo fato de o tema constituir uma preocupação do professor de Língua Portuguesa, cuja justificativa tem três principais origens: conscientização da importância do ato de argumentar nas relações humanas e sociais de um modo geral; consciência de que os estudos do texto privilegiavam o ato de narrar e o de descrever; noção de que o ato de argumentar envolve operações mentais mais elaboradas, que, inclusive, requerem certa habilidade com os dois outros atos. Com a finalidade de oferecer subsídios ao professor para que possa desenvolver a competência argumentativa do aluno, o assunto foi estudado mostrando-se que a argumentação é um processo que deve ser amplamente trabalhado nas aulas. Pois, segundo Fiorin, na história da humanidade muitas conquistas foram realizadas através do uso da força física, porém durante essa marcha civilizatória surgiu a argumentação, posto que o homem abdicou dessa força para empregar a persuasão, tornando-se assim, efetivamente humano. Fiorin ainda afirma que desde então todo e qualquer discurso tem uma dimensão argumentativa; alguns de forma explícita - discursos políticos ou publicitários; outros, de forma implícita - didáticos e os líricos, mas, permanecendo argumentativos. Dessa forma, o trabalho pedagógico voltado para o desenvolvimento das competências argumentativas nos discentes faz-se necessário diante dessa amplitude de aspectos relevantes que resultam dessa prática, posto que para Bakhtin enunciar é argumentar, e todo enunciado é dirigido a alguém, portanto, enunciar é agir sobre os outros, o que significa que vai além de compreender e responder enunciados.

 

Titulo da comunicação: POLÍTICA LINGUÍSTICA E EDUCAÇÃO BILÍNGUE PARA SURDOS: O QUE NA ESCOLA?

Autora: Sandra Eli Sartoreto de Oliveira Martins (UNESP Marília)

Resumo: Esta pesquisa teve por objetivo analisar os sentidos atribuídos a Língua de Brasileira de Sinais nos discursos políticos que orientam a educação dos surdos nos estados da federação brasileira. Caracterizado como pesquisa documental, analisou os discursos sobre o papel da Libras nos discursos que orientam a educação bilíngue para surdos, nos documentos oficiais (leis, decretos, resoluções, planos de educação etc.), em 26 secretarias estaduais brasileiras e no Distrito Federal. Os documentos foram rastreados em ambiente virtual disponibilizado nos portais eletrônicos das unidades federativas participantes e, se necessário, via e-mail para sua solicitação direta às secretarias de educação. Os materiais recolhidos constituíram uma base de dados para seleção e análise de enunciados que possam responder aos objetivos desta pesquisa, à luz dos pressupostos da teoria discursivo-enunciativa de Bakhtin. Tal procedimento auxiliou na identificação dos sentidos atribuídos aos discursos oficiais sobre o papel da Libras no desenvolvimento educacional dos surdos numa perspectiva bilíngue, principalmente no que refere aos modos em que a Libras circula nas formas de organização e oferta de escolarização para os alunos surdos, nas redes públicas estaduais brasileiras. Pode-se notar uma visão muito restrita sobre a língua de sinais e da condição da surdez, nos documentos analisados. Embora em sua maioria, os discursos indiquem um cenário promissor de valorização da Língua de Sinais, da cultura surda e da educação bilíngue, apenas desvelam sentidos pré-estabelecidas do ser surdo, em justaposição aos discursos binários e dicotômicos consolidados pelo campo da medicina, da linguística, da antropologia e dos direitos humanos que tem coexistido na atualidade - dotados majoritariamente pela comunidade ouvinte e oralizada que de fato pouco contribuem para consolidação de sujeitos bilíngues.

 

 

Localização: Prédio 1 Sala 11 - 14h – 16h                                                     24/04/18

Eixo Temático: Estudos da Linguagem

 

Titulo da comunicação: A CRIANÇA ENTRE LÍNGUAS

Autora: Cristiane Carneiro Capristano (UEM)

Co-autora: Lisley Camargo Oberst (UEM)

Resumo: Fundados no conceito de heteroglossia de Bahktin (1981) e nas problematizações feitas em trabalhos como Coracini (2007) e Revuz (1998) sobre a necessidade de ver as relações entre línguas de forma não dicotômica, o objetivo deste trabalho foi investigar como se mostram as fronteiras entre o materno e o estrangeiro em enunciados escritos por crianças. Voltamo-nos para fronteiras ligadas à organização fonética, fonológica e ortográfica da sílaba e da palavra em língua materna (LM) e estrangeira (LE). Esse objetivo foi desenvolvido beneficiando-se de contribuições teóricas de estudos: (a) no campo das teorias do discurso que permitem discutir a complexa relação entre LM e LE, como os supramencionados; e (b) sobre a organização fonética, fonológica e ortográfica da sílaba e da palavra – como Selkirk (1982) e Chacon (2016). Foram examinados, qualitativamente, registros escritos de palavras em língua inglesa, feitos por crianças, falantes do português brasileiro, com pouco ou nenhum contato formal prévio com o inglês. Esses registros foram coletados em atividades de produção textual, realizadas com crianças do 2º ano do Ensino Fundamental, em uma escola pública, no Brasil. Esta pesquisa justificou-se pela possibilidade ímpar que oferecia de observar como vão se constituindo, para a criança ainda não afetada diretamente por processos formais de ensino-aprendizagem de LE, as relações entre LM e LE. A análise permitiu ver essa criança transitando entre línguas, vivendo conflitos inerentes à heteroglossia. Especificamente, observou-se que, no registro de palavras “estrangeiras”, a criança oscila entre diferentes imagens que constrói dos limites entre o materno e o estrangeiro, por exemplo, quando usa letras e sequências de letras pouco recorrentes em sua LM – encontrando o “estrangeiro” no insólito do “materno” – ou quando registra sílabas das palavras “estrangeiras” com base na organização fonotática da sua LM – encontrando o “estrangeiro” em coincidências com o “materno”.

 

Titulo da comunicação: PRÁTICAS DE TELETANDEM E CURRÍCULO:  OFICIALIZAÇÃO NO BRASIL E NO EXTERIOR

Autora: Rozana Aparecida Lopes Messias (UNESP Assis – PROFLETRAS)

Resumo: As práticas de Teletandem configuram-se como um contexto de aprendizagem autônomo em que cada agente envolvido (um universitário brasileiro e um estrangeiro) ensina sua língua de proficiência e aprende a língua do outro, via aplicativo de mensageria (TELLES, 2009, TELLES e VASSALO, 2009). Nesse ínterim, acompanhei, durante um semestre letivo nos EUA, as atividades de Língua Portuguesa de uma turma praticante de teletandem, de uma universidade americana e, pela observação do syllabus do curso verifiquei que a maneira como a prática de teletandem é institucionalizada e como os docentes a compreendem, configura-se como elemento relevante na compreensão da institucionalização das práticas de teletandem na Unesp. Sendo assim, por meio de metodologia qualitativa e análise de conteúdo, observo como docentes e estudantes americanos compreendem a inserção das práticas de teletandem no currículo. Para tal foram aplicados questionários aos estudantes e efetuadas entrevistas com os docentes. Esses dados foram triangulados (ANDRÉ, 1984 e FLICK, 2004) com questionários aplicados a professores brasileiros, supervisores de práticas de teletandem na UNESP. Espero, com esse cruzamento de discursos (americano e brasileiro) acerca da institucionalização do Teletandem, compreender os obstáculos que impedem a assunção do teletandem como prática oficializada no currículo dos cursos de Letras da Unesp.

 

Titulo da comunicação: PROPOSTAS DIDÁTICAS NO ENSINO DE ESPANHOL/LE: REFLEXÕES EM CONTEXTO DE FORMAÇÃO DOCENTE

Autora: Kelly Cristiane Henschel Pobbe de Carvalho (UNESP Assis – PROFLETRAS)

Resumo: Com a experiência de supervisão em projetos institucionais, tais como o Centro de Línguas e Desenvolvimento de Professores, o PIBID e o Núcleo de Ensino, todos no âmbito de um curso de Licenciatura em Letras/Espanhol, venho observando a dificuldade que se constitui a preparação de propostas didáticas que sejam construídas e fundamentadas teórica e metodologicamente e, ao mesmo tempo, integradas de forma pertinente aos contextos aqui considerados. Por mais que já se tenha discutido amplamente, tanto em âmbito acadêmico quanto em contexto escolar, questões de letramento crítico, de ensino de língua a partir dos gêneros, é possível observar que persiste ainda um ensino de línguas “gramaticalizado” e muito distante das necessidades efetivas de nossos alunos. Tendo em vista tais aspectos, este trabalho tem como objetivo refletir sobre propostas didáticas, tanto como uma atividade da práxis docente, que envolve produção, avaliação e adaptação, quanto como um campo de pesquisa, que prevê princípios, procedimentos de criação e implementação de materiais didáticos utilizados para facilitar o aprendizado de uma língua (TOMLINSON, 2001). Os pressupostos metodológicos que fundamentam essa investigação estão ancorados no modelo da pesquisa qualitativa, de caráter socioconstrutivista, uma vez que todos os participantes trabalham engajados na produção de sentidos sobre a prática pedagógica (TELLES, 2002). A presente pesquisa vem sendo desenvolvida com os alunos da graduação, a partir dos espaços de supervisão mencionados. As orientações periódicas que ocorrem nesses contextos constituem, portanto, um espaço de reflexão acerca das questões referentes às propostas didáticas para o ensino de espanhol/LE, na perspectiva dos multiletramentos (ROJO, 2012). Dessa forma, a pesquisa pretende contribuir para que professores em formação desenvolvam, a partir de um instrumental teórico- prático, estratégias para analisar, adaptar e produzir propostas didáticas no contexto do ensino de espanhol/LE, de forma crítico-reflexiva.

 

Titulo da comunicação: Humanistas vs. gramáticos especulativos: as guerras linguísticas da Baixa Idade Média

Autor: Alessandro Jocelito Beccari (UNESP Assis – PROFLETRAS)

Resumo: Nesta comunicação, apresentaremos parte de uma pesquisa em andamento, de natureza histórica, filosófica e linguística, que se fundamenta na tradução de textos gramaticais da Antiguidade Tardia e Medievo, muitos dos quais foram escritos originalmente em latim e grego antigo. A oposição entre Renascimento e Idade Média pode ser pensada de diferentes maneiras; do ponto de vista dos Estudos da Linguagem, essa oposição pode ser analisada em termos de debates a respeito da natureza da linguagem e da gramática, já que os primeiros humanistas, do séc. XIV e XV, opuseram-se aos estudiosos medievais (escolásticos) ao criticar o mau uso que estes supostamente teriam feito do latim e suas consequentes distorções das ideias e da linguagem dos autores da Antiguidade Clássica .  Para discutir essa questão, levamos em conta as diferentes concepções de gramática e de linguagem em escritos (cartas e outros gêneros literários) de pensadores proto- humanistas e tratados de gramáticos especulativos medievais, também conhecidos como modistas. Adotam-se aqui as perspectivas de Koerner (1989), Murray (1998) e Swiggers (2004) para a Historiografia Linguística; além disso, para a Historiografia da Gramática Greco-latina e Medieval, utilizam-se as ideias de Luhtala (1993), Covington (1984), Rosier (1983), Law (2003) e Fernandes (2014). Segundo Koerner (1989), o estudo da história das teorias linguísticas deve levar em conta tanto um conjunto de fatores externos, chamado por ele de clima de opinião, quanto fatores teóricos ou internos; esta comunicação assume como premissa fundamental essa dupla dimensão da história das reflexões acerca das línguas e da linguagem.

Localização: Prédio 1 Sala 12 - 14h – 16h                                                     24/04/18

Eixo temático: Estudos da Linguagem

 

Titulo da comunicação: GÊNERO DISCURSIVO/ TEXTUAL: COMO PRODUZIR UM ARTIGO DE OPINIÃO

Autora: Thaynara Cardoso Soares (PROLICEN- UFG/FL)

Resumo: O resumo apresenta brevemente como produzir um artigo de opinião com o intuito de contornar situações que impedem uma boa produção do gênero em específico. É sabido que os documentos legais elaborados pelo Ministério da Educação no Brasil orientam que o ensino da língua portuguesa seja conduzido pelos gêneros discursivos ou textuais para uma aprendizagem melhor. No entanto, é visível que muitas pessoas, desde os egressos do ensino médio aos universitários, apresentam dificuldades na produção de texto e reconhecimento dos gêneros solicitados. Pensando nisso, grande parte desses problemas poderia ser resolvida com o estudo da construção do sentido do texto e seus valores tendo conhecimento da estrutura/características do gênero do qual utilizará. É válido ressaltar, que os gêneros não são estruturas paralisadas, nem totalmente definidas e que em alguns contextos ou situações operam como formas de legitimação discursiva. Portanto, para o surgimento da proposta sobre a produção de artigo de opinião, situada neste resumo, foi necessária a observação de uma aula no projeto de redação para egressos do ensino médio. Durante a aula, os alunos demonstraram não conhecer o gênero discursivo/textual artigo de opinião, chegando a confundi-lo com a dissertação. Logo em seguida, foram feitas observações dos textos produzidos. Feito as observações, elaboramos um material para auxiliar na compreensão da estrutura de um artigo de opinião e facilitar  sua produção.

 

Titulo da comunicação: A FORÇA DA NARRATIVA TRANSMÍDIA EM STAR WARS.

Autor: Guilherme Guimarães Martins (Universidade Anhembi-Morumbi)

Resumo: Apesar de recente, os estudos das narrativas transmidiáticas são difundidos e explorados por autores em todo o mundo. Para o desenvolvimento deste trabalho tem-se como referência Jenkins (2006, 2014) e seus estudos sobre Transmídia. Quando se trata de narrativa transmídia, a redundância pode ser nociva à relação que se pretende desenvolver com os fãs, ou seja, eles não querem encontrar os mesmos resultados ou vivenciar as mesmas experiências em plataformas distintas, mas, sim, obter novas informações que ajudam a montar um mosaico maior e mais surpreendente sobre a compreensão da narrativa como um todo; coletando pequenos fragmentos em plataformas diferentes que compõem o cenário em sua completude. Tal processo se dá pela motivação desse público em produzir conteúdo sobre as obras de forma espontânea e criativa, gerando aquilo que é conhecido popularmente como fan labors. Ou seja, o conteúdo que é criado de forma livre pelos fãs pode ser absorvido pelo próprio produto midiático (no caso, a série de filmes Star Wars), sustentando um processo de retroalimentação entre o que é canônico numa obra e o que foi produzido a partir de seus fãs. Assim, pode-se dizer que os produtos derivados dos processos transmidiáticos têm por objetivo aprofundar a relação dos fãs com seus objetos de desejo tornando não só expansível seu universo, mas também trazendo novas informações e narrativas sobre a história. Esses detalhes jogados de maneira autônoma em produtos interdependentes fazem com que os fãs obtenham uma compreensão específica e pessoal sobre determinados aspectos da narrativa, além de sentirem-se estimulados a  interagirem com ela por meio de suas experiências em cada plataforma ou mídia. Este trabalho consiste na análise dos processos de transmidiação oriundos da narrativa cinematográfica. Para tal, escolheu-se como corpus a franquia Star Wars por ser um dos primeiros casos de narrativa transmídiatica.

 

Titulo da comunicação: ATIVIDADES EPILINGUÍSTICAS E GÊNEROS TEXTUAIS: UMA RELAÇÃO POSSÍVEL

Autora: Cristiane de Souza Fleury Curado

Resumo: Anos de prática docente, na tentativa de auxiliar o jovem aprendiz a construir um maior domínio da modalidade escrita formal da sua língua materna, levou-nos a confrontar a epistemologia cartesiana, que vê a linguagem como função representativa do real. O Homem (“senhor da natureza”), nesta concepção, é tido como formador do objeto (de aprendizagem), na medida do uso dessa linguagem, ou seja, o real será, por meio da linguagem, constituído pelo sujeito (S→O), interpretação que se caracteriza por eliminar o diferente e procurar a identidade na unidade, no uno. Essa visão monológica de língua, que exclui o outro do processo comunicativo, marca registrada do ensino tradicional do português, centrado na normatização gramatical, acaba por desestimular a formação, no estudante, do sujeito discursivo, dissociando-os e comprometendo a construção deste, função básica da escola. Entretanto, em contraposição, a perspectiva do interacionismo sociodiscursivo, preconizada por Bronckart e a equipe de Genebra, salienta, ao lado de Bakhtin, a dimensão social, dialógica da linguagem no processo interlocutivo. A consciência linguística, imprescindível para o desenvolvimento de habilidades letradas, para a construção do agente produtor do discurso, deriva diretamente, sob tal perspectiva, dessa relação sócio-discursiva. Na tentativa de instigar uma reflexão sobre tais questões, convidamos a se pensar em condições que favoreçam ações linguísticas alternativas para reversão daquele quadro dissociativo, a partir de um ensino que toma a língua materna como mecanismo cultural de interação sociocomunicativa, apreendendo-a em seu funcionamento concreto, como lugar de constituição da subjetividade (logo, da consciência linguística), porquanto abre espaços para relações intersubjetivas (dialógicas), na diferenciação “eu” e “tu”, em contestação àquela unicidade cartesiana do sujeito. Assim, e a título de colaboração, propomos um trabalho epilinguístico com gêneros textuais diversos.

 

Título da comunicação: O DESENVOLVIMENTO LINGUÍSTICO DE CRIANÇAS OUVINTES DE PAIS SURDOS – KODAS

Autor: Ricardo Ernani Sander (UNESP Marília)

Resumo: A constituição de sujeitos bilíngues é um tema em evidência no contexto que se inserem as discussões sobre a educação de surdos. Aliados a esta compreensão, é indispensável e natural afirmar que os filhos ouvintes de pais surdos, usuários da Libras, se constituam bilíngues – na qual a Língua de Sinais é considerada como língua materna, destacando o processo de aquisição da Língua de Sinais e da Língua Portuguesa no desenvolvimento na primeira infância. Posto isso, esta pesquisa tem como objetivo investigar o desenvolvimento linguístico dos filhos ouvintes de pais surdos – KODAS[1], que tem a Língua de Sinais como língua materna, destacando o processo de aquisição da Língua de Sinais e da Língua Portuguesa na sua formação social e educacional. Durante um ano, por meio de um estudo longitudinal, observaremos, através de momentos e locais definidos, registros filmados, o desenvolvimento linguístico e social de um KODA. Antes de iniciar os registros das interações discursivas realizaremos entrevistas com os familiares a fim de levantar compreender a dinâmica da rotina familiar da criança, bem qual o papel que estes atribuem à Libras no desenvolvimento linguístico do KODA. Os pais surdos, o tio surdo e avós paternos ouvintes constituirão a amostra do estudo, totalizando 5 adultos e uma criança em fase inicial de desenvolvimento linguístico. Usaremos o registro de vídeo das interações dos KODA com seus familiares em contextos discursivos que envolvem estratégias de vida diária, como: banho, alimentação e atividades lúdicas. Os dados serão analisados a partir dos constructos de teóricos da filosofia da linguagem. Como resultado espera-se reunir dados que permitam compreender aspectos do processo de apropriação da Libras, experimentado pelos KODAS, marcado por características singulares de interação linguística com seus familiares – surdos e ouvintes.

[1] KODA(S) – Kits of Deaf Parents, acrônimo

 

 

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